sexta-feira, junho 10, 2011

ADRIANA GOMES



Imagem: foto Nus, do fotógrafo português ABrito.

O POEMA PERFEITAMENTE NATURAL DE ADRIANA GOMES

PERFEITAMENTE NATURAL

Por Adriana Gomes

Quero despir tua roupa verde e saborear tua carne nua
Quero sentir teu sabor descendo pela garganta
Doce veneno em hora errada
Prazer em meus lábios quando a tenho em minha boca
Pele macia que excita o organismo
Que desperta a fome, que provoca a gula
Sugar tua essência é sagrado
É divino, é lindo
Perfeitamente natural
Glória a Deus que te fez perfeita
Vossa bondade fez brotar de árvores frondosas a tua forma
A tua perfeição
Saboreando a tua carne e sugando o teu mel
Alimento o meu desejo e sacio a minha fome

Das frutas excitantes é a manga que provoca meu orgasmo
16/04/1999



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domingo, junho 05, 2011

CRENÇA PELO DIREITO DE VIVER E DEIXAR VIVER



CRENÇA

Letra & música de Luiz Alberto Machado

É preciso respeitar melhor a vida
no amor que traz a paz que é tão bem vida.
Amar para se ter além do passional
e o coração valer o ser humano universal.

É preciso respeitar as diferenças
e não se equiparar ao que é hostil nas desavenças.
Lutar contra a mantença desigual
que forja o algoz na força do poder irracional.

Se entregar agora, todo dia e a noite inteira,
testemunhar assim as coisas verdadeiras.
Colher a lágrima do olhar mais desolado
para irrigar a sede do carinho devastado.

É preciso ter no olhar a flor da vida,
trazer a luz do sol nas mãos amanhecidas.
E perceber o amor no menor gesto natural
para valer o sonho mais presente mais real.

Se entregar agora, todo dia e a noite inteira,
testemunhar assim as coisas verdadeiras.
Colher a lágrima do olhar mais desolado
para irrigar a sede do carinho devastado.

E afinal poder sorrir
como quem vai feliz viver,
a manter a crença e o seu proceder na paz.
Semear a vida no ideal de colher
o que virá depois
pra ser alegria imensa para um, mais dois, mais!
Viver a vida pelo que foi e será, é e será!

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados. In: Primeira reunião. Recife: Bagaço, 1992.



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sexta-feira, junho 03, 2011

ELAS FAZEM POESIA & SEXO



Imagem: fotomontagem de Adrienne Bessa.

ELAS FAZEM POESIA & SEXO

A ALMA SAFADA DE DIANA BALIS

A PAIXÃO DOS VÔOS POÉTICOS DE SANDRA SALGADO

OS FELINOS & ESCANDALOSOS VERSOS DE CANDY SAAD

O TRAJE DE LUZES – A POESIA REUNIDA DE LAURA AMÉLIA DAMOUS

A CAÇA TRIUNFANTE DA ODALISCA DE SANDRA FAYAD

A EXPRESSÃO SENSUAL DOS VERSOS DE MARTA RODRIGUEZ

OS POEMETOS ACONCHEGANTES DE ROSA PENA

O ÊXTASE SEM CENSURA DA SONINHA PORTO

AS MUITAS FACES DO AMOR DE VERA SALBEGO

OS VERSOS SEDUTORES DE IARA MEL

OS VERSOS PICANTES DA LADY M

OS DESEJOS DE ÍSIS

UM SONETO E DOIS CONTOS DA AMANTE PROFISSIONAL PORTUGUESA PAULA LEE

POEMAS SENSUAIS DA MOÇAMBICANA TANIA TOMÉ

OS SENSUAIS VERSOS PELO AVESSO DE JADE DANTAS

O JEITO SENSUAL DE POETAR DA LILIA DINIZ

OS VERSOS DERRAMADOS DE AKASHA DE LIONCOURT

A SEDUÇÃO DOS VERSOS DE MILENE POSSAS SARQUISSIANO

QUATRO POEMAS SENSUAIS DE ELIANE FERREIRA DE CERQUEIRA LIMA

A ESPANHA DE ANNE VALENTINE

O FOGO INTENSO DO PRAZER POR UMA NOITE SÓ DA DEUSA FREYA.

A FOLIA SENSUAL NA MADRUGADA FERTIL DE HELENA CRISTINA

A PROVOCAÇÃO SENSUAL DOS VERSOS DE ANDREA LUCIA GUARÇONI

A FOLYA DE LETRAS DA LYA FER

AS LOUCURAS DE AMOR DE GRACE FARES

A ENTREGA DOS VERSOS DE ANA LAGO DE LUZ

OS VERSOS EXPRESSOS DE MIRTES WALESKA SULPINO

O SABOR DA PAIXÃO DE SONIA NOGUEIRA

O VÔO PROIBIDO DE AILA SAMPAIO

OS SUSSURROS PROIBIDOS DE FABBY LIMA

OS FRUTOS DO PARAISO DE VILMA ORZARI PIVA

A CINDERELA DOS DESEJOS DE CARLA TOSCANO

AS COISAS SENSUAIS DOS BLOGS DE LALI

OS ORGASMOS LITERÁRIOS DE WRITER MONT´BLANCK

A LITERATURA LICENCIOSA DE NARCEJA (ANA M.)

A FESTA MARAVILHOSA DE GINA COSTA

A SENSUALIDADE MUSICAL DA CANTORA SOL

A PAIXÃO DOS VERSOS DE SUELI DO ESPÍRITO SANTO

A EXPRESSÃO SENSUAL DOS VERSOS DE ANGELA LARA

A PODEROSA SENSUALIDADE DE DERINHA ROCHA (1960-2010)

OUTROS CONTOS ERÓTICOS DA MIRITA NANDI

IMAGENS & VERSOS: A ARTE ERÓTICA DE LARISSA MARQUES

O CONTO ERÓTICO DE MIRITA NANDI

E a LITERATURA ERÓTICA REUNIDA de Joyce Mansour, Lia Luft, Glaura Silva Alvarenga, Hilda Hilst, Elizabeth Barret Browning, Mariza Lourenço, Ethel Feldman, Clevane Pessoa de Araujo Lopes, Juracy Ribeiro, Sueli Fajardo, Sarinha Freitas, Liria Porto, Branca Tirollo, Ana Cristina Pozza, Livia Tucci, Van Luchiari, Sonia Delsin, Regina Rodrigues, Beth Joy, Lih Meine, Silvia Mara, Vera Linden, Marieta Dobal Campigli, Nilza Menezes, Lucia Nobre, Elen Viana, Luli Coutinho e muito mais!

Tudo porque TODO DIA É DIA DA MULHER!!!!

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quarta-feira, junho 01, 2011

ANDREA LUCIA GUARÇONI



Imagem: Marble, foto de Quark.

A PROVOCAÇÃO SENSUAL DOS VERSOS DE ANDREA LUCIA GUARÇONI

LUA NUA

Sou pura, sua lua
Sou o mistério que te invade
Toda noite, nua

Sou como a lua
Invado seu quarto à noite
Totalmente nua

PROVOCAÇÃO

Deixa eu te provocar,
Deixa eu te seduzir...
Quero te conquistar e te possuir!
Entrega-te aos prazeres mundanos,
Navega pelos mundos profanos!
Teu masoquismo me atiça
Meu sadismo te enfeitiça!
Quero-te submisso a mim...
Preso, algemado, amarrado,
Vendado, vidrado e dominado!
Vem rastejante, suplicante...
Fala meu nome, grita, geme,
Contorce teu corpo, chora e treme!
Deixa eu te respingar cera quente...
Sei que gostas e sei que nada destrói...
Mas finge que sente, finge que dói!
Dou-me, também, inteira para ti...
Entrego-me, sem medo, na tua mão!
Entrego-me às tuas loucuras,
às tuas torturas, à tua dominação!
Não somos nada de mais...
Somos amantes, somos artistas,
Desfrutamos dos nossos atos,
Cumprimos os nossos tratos,
Somos, simplesmente, hedonistas!

MINHA LÍNGUA

Minha língua que percorre você
Que entra no seu ouvido
Que sussurra baixinho
Que o acaricia devagarzinho
E, desce até o pescoço
Causando-lhe alvoroço
Quando lhe dá um chupão
Arrepiando-lhe, dando-lhe tesão.
Que continua o percurso
Lambendo o peito, e o tórax
Sem desviar o curso
Indo, louca, até o falo
Que já está no embalo
Crescido dos beijos e afagos
Mas, que deseja minha língua
Sabida, saborosa e farta.
Língua que o percorre de verdade
Que saboreia seu falo com vontade
Que desliza calma e suavemente
Que brinca e encanta safadamente
Que fica salivada e tarada
Que faz do seu corpo um brinquedo
E o devora com gula e sem medo.
Língua que faz várias investidas
Que é mágica, safada e divertida
Que põe você de olhos fechados
Que deixa seus olhos revirados.
Língua que lambe tudo a contento
Que molha você em todos momentos.
Língua que pertence a mim
Que lhe ama e devora sem fim
Que lhe chupa sem preconceito
de qualquer modo,
de qualquer jeito
em qualquer posição
pronta para lhe dar tesão!
Língua que é parte da boca
que lhe sorve feito louca
que só quer lhe dar prazer
que saboreia e engole seu leite
que é seu puro deleite
que faz você viver
que o chupa até o morrer!

TUA GUEIXA

Deixa ser tua gueixa
Não terás nenhuma queixa
Devora-me feito ameixa
Enrosca nas minhas madeixas
Deixa ser tua, deixa!

Deixa ser tua escrava
Para ti, não terei trava
Me usa, abusa, me desbrava
Usa tuas unhas, me crava
Deixa ser tua, me deprava!

Deixa eu ser tua serva
Cultiva-me feito uma erva
Me rega, sempre me observa
Não me faça de reserva
Deixa ser tua, me conserva!

Deixa ser tua submissa
Me enlouquece e me enfeitiça
Com teus carinhos, me atiça
Vem para mim sem preguiça
Deixa ser tua, me cobiça!

Deixa ser tua amada
Leva-me para tua morada
Me deixe sempre aguada
Deixa te dar minha gargalhada
Deixa ser tua, só tua e mais nada!!!

SORVETE

Quero servir-me de ti
Quero sorver-te
Sorver teu leite

Quero servir-me a ti
Quero servir-te
Servir meu seio

Quero sentir teu sabor
Tua seiva, sorver-te
Quero ser teu sabor
Meu seio, servir-te
Quero ser tua serva
De mim, servir-te
De ti, servir-me
Sentir teu leite
Meu sabor, servir-te
Teu sabor, sorver-te
Sorver-te todo
Seu sabor e arte
Saborear-te e sorver-te
Saborear-te feito sorvete!

SEU GOZO

Oferta-me seu líquido precioso
Sumo do seu corpo saboroso
Que revigora minha alma
Me acende e me aviva
Me aquieta e me deixa calma
Venha com ele abundante
Minha boca o aguarda
Tarada e excitada
Nesse exato instante
Esperando a sua explosão
Adentrar-me de supetão
Invadindo minha boca sedenta
Que não mais agüenta
Impaciente de tanto tesão!

MOLHE-ME

Sentada sob a chuva, fico a desejar...
Que toda essa água que me molha agora
Viesse do seu corpo... no ato de me amar!
Molhe-me de todas as maneiras...
Ágüe e deságüe tudo sobre mim
Passe sua língua pelo meu corpo
Deixando-o molhado e gostoso
Encharque minha boca de você
Deixe sua saliva me embeber
Mate-me de me dar prazer
Deixe minha gruta molhada
Com sua saliva consagrada
Depois de deixá-la encharcada
Adentre no meu sexo já tarado
Com seu membro a mil e retesado
Faça milhares de investidas
Todas gostosas e divertidas
Entre e saia de mim sem parar
Sem fazer pausas e sem descansar
Meu sexo fica ainda mais molhado
Junto ao seu membro lubrificado
Continue a me amar como um louco
Tudo que me fizer, ainda será pouco...
Molhe-me com seu abençoado suor
Não há perfume que me seja melhor
Respingue suas gotas de tanto me amar
Molhe meu corpo aos poucos... devagar
Agora que já estamos encharcados
Devidamente excitados
Sentimos o gozo se aproximar...
Invada-me com seu líquido quente
Jorrado de modo viril e ardente
Molhando as minhas entranhas
Resultado das nossas mil artimanhas
Felicidade explodindo em paixão
Fruto e Fonte das águas do nosso tesão!
Sentada sob a chuva, fiquei a imaginar...
Se toda água que me molhou agora
Viesse do seu corpo... no ato de me amar!

MINHA MÃO

É madrugada fria...
Deitamos pelados
Juntos, agarrados
Nossos corpos se tocam
Nossas peles se provocam
Vislumbro seu falo crescido
Solitário e convidativo
Minha mão não titubeia...
Vai ao encontro do seu sexo
Que me encanta e incendeia
Minha mão não regateia...
Sabidamente o toca, o tateia
Desliza-o pra cima e pra baixo
Em movimentos calmos e ritmados
Movimentos lentos e cadenciados
Seu corpo se contorce sem querer
Num gostoso frêmito de prazer
Minha mão que não descansa...
Continua o ritmo e a dança
Do movimento gradativo
Deslizando gostosamente
Agindo mais rapidamente
No ato de descer e subir
Descer e subir, descer e subir
Pronta pra lhe servir
Minha mão que não mais sossega...
Que continua tarada e incansável
Frenética e indomável
Fazendo movimentos diversos
Torcendo e retorcendo seu membro
Provocando-lhe uma gostosa dor
Em movimentos perversos
Brindando o falo com todo ardor
Estapeando-o levemente
Sacudindo-o impiedosamente
Envolvendo-o calorosamente
Na minha mão fechada
Bem firme e apertada
O falo que já está molhado e quente
Da gota que sai saliente
Prenúncio do gozo ardente
E a mão que ainda continua...
Tocando com habilidade
Muito desejo e vontade
Mexendo bem rapidamente
Num ritmo mais frenético
No ato de subir e descer
Subir e descer,
subir e descer
Deixando-o enlouquecido
Completamente envolvido
Você nada fala... apenas, se cala
Ouço, apenas, um gemido
Vejo seus olhos revirando
Você se contorcendo
Num gostoso espasmo
Numa louca explosão
Do delicioso orgasmo
Fruto do meu toque e tesão
Lançado em borbotões
Repleto de sensações
Reavivando nossa paixão!

MELADO

Venha se perder comigo
Deitar-se ao meu lado
De um modo incontido,
Enfurecido e desavergonhado.

Venha se haver comigo
Manter meu desejo aflorado
Voltear sua língua no meu umbigo
Deixar meu sexo afogueado.

Venha se amar comigo
Com o membro em riste e assanhado
Escondê-lo no meu abrigo
De modo viril e acalorado.

Venha se encontrar comigo
Quero-o doido e arrojado...

Venha amigo...
Venha calado...

Deixe-me ser seu doce castigo
Que deixo você todo melado!

MEL

Quero satisfazer-te...
Beijar teu peito
Deslizar minha língua
Arrepiar tua pele
Percorrer-te com jeito!
Quero provocar-te...
Sugar-te com volúpia
Lamber tuas partes
Chupar-te com fúria
Deixar-te satisfeito!
Quero enlouquecer-te...
Ver teu corpo reagir
Perceber-te intumescido
Sentir teu sexo enrijecido
Saber-te louco pra explodir!
Quando estiveres pronto...
Vem com teu mel
Lambuza-me toda
Molha minhas coxas
Espalha-te sobre mim!
Despeja teus vestígios...
Também na minha boca
Que deseja sorver-te
Até a última gota
Num gozo sem fim!

LÍNGUA

Adoro sua língua safada,
assanhada e afiada
a me devorar e me adorar.
Língua que envolve meus dedos,
que me usa feito brinquedo,
que lambe meus pés delicadamente,
que molha minhas pernas sabidamente,
que me explora sem medo.
Língua que é curiosa,
é suave e saliente,
é serpente e sedosa.
Língua que vai subindo alucinada
frenética e ritmada,
rumo ao meu sexo ardente,
rumo à gruta molhada.
Língua que saboreia
cada passo desse caminho
explorando cada recôndito,
degustando cada cantinho.
Língua que me percorre com carinho
com avidez, com rapidez
deixando-me em desalinho.
Língua que me penetra com paixão
que não tem limitação
que me mata de tesão
que é pura emoção!
Língua que me xinga,
língua que me lambe
que me marca e me consome.
Língua que não é minha,
língua que é sua
mas, que já faz parte de mim.
Língua que me ama sem fim.
Língua que pertence a nós dois,
que participa do sexo
antes, durante e depois.
Língua única que me leva à lua...
língua única a me reconhecer nua!!

ENTRANHAS

Você consegue mil façanhas
Me ama, me deixa louca
Penetra na minh’alma
No meu ser, no meu âmago
Nas minhas entranhas.

Me enlouquece, me envaidece
Me ama loucamente
Me faz delirar, gritar
Penetra-me profundamente
Percorre meu corpo sem parar.

É meu amado, meu amor
Senhor do meu coração
Entrego-me a você sem pudor
Vivemos loucos momentos de tesão
Entrego-me a você com devoção

É a pessoa que me faz feliz
Que me faz gozar
Que me ama como eu sempre quis
E nas minhas entranhas...
Se divirte, faz mil artimanhas
Faz nela o seu abrigar!

DOCE DELEITE

Quero você puro prazer
Meu fetiche meu enfeite
Quero me saciar e lhe sorver
Quero seu leite... puro deleite!

Quero você puro prazer
Quero deitar e me entregar
Quero fazer e acontecer
Quero amar e quero gozar!

Quero prazer puro você
Quero sumir e me achar
Quero gemer e me contorcer
Quero gritar e me lambuzar!

Quero você puro prazer
Quero beber todo seu leite
Quero me divertir e me entreter
Quero você meu doce deleite!

DEVORE-ME

Venha me fazer mulher...
Sou sua presa,
Sua surpresa,
Sua sobremesa,
Sua dama da colher!

Prove da minha loucura
Desnude a minha doçura
Devore-me por inteira
Faça-me sua prisioneira
Explore os meus labirintos
Atice todos meus instintos
Sugue meus seios ávidos
Atreva-se de modo impávido
Traga sua língua molhada
Lambuze minha pele eriçada
Alise meu corpo quente
Beije-me de modo ardente
Deleite-se com meus recantos
Conheça meus outros encantos
Agarre-me feito um insano
Adentre meu mundo profano
Vire-me de costas como quiser
Venha me fazer sentir mulher
Percorra-me de ponta a ponta
Excite-me até eu ficar pronta
Prenda minhas mãos na cama
Penetre-me onde mais lhe chama
Debruce seu corpo sobre mim
Faça-me explodir em gozo, assim!

DESEJOS

Sentada neste computador...

Algo erótico me remete
ao sublime ato de amor
Um súbito tesão me acomete
causando-me um louco furor.

Sinto vontade de me amar
De alisar os meus seios
De eriçar os mamilos
Fazendo com gelo, rodeios
Deixando-os altivos.

Sinto vontade de continuar
De não parar neste instante
De fazer mais e mais,
de ir adiante.
Sinto vontade de me provocar
De afastar minha calcinha
De tocar meu sexo suavemente
Tateando a portinha.

Acomodo-me na cadeira
Abro as pernas lentamente
Continuo a brincadeira
Alisando-me gostosamente

Continuo a me bolinar
Num ritmo crescente
Vou mexendo sem parar
Aumentando rapidamente
Quero meu dedo depravado
Disposto a me servir
Como num passo ensaiado
Doido pra me fazer rir
O dedo bem molhado
Que não sabe ficar parado
No seu ritmo cadenciado
Penetrando-me gostoso
Brincando de entrar e sair
Cada vez mais poderoso
Agora, já ficando encharcado
Num ritmo mais vigoroso
De um jeito bem prazeroso
Não parando de ir e vir
De modo viril e furioso
Movimentando-se garboso
Sabendo que vou explodir
Num grito estrondoso
Do tesão a me invadir
Aiii...
Chegou a hora do gozo
Satisfeita, me ponho a sorrir!

ENTREGA TOTAL... (Andrea Lucia)

Entrego-me a ti sem embaraço
No teu corpo fico presa, me enlaço
Trafegas por mim com calma e rapidez
Rabiscas com teu lápis a minha tez
Entrego-me a ti sem pudor e com tesão
Gozas sobre mim com ardor e paixão
Amas que eu seja tua prisioneira

Tocas meu corpo, me deixas faceira
Omeu corpo é tua certeira moradia
Teclas sobre mim uma doce melodia
Amo ser tua e me entregar sem igual
Liberta e prisioneira na entrega total!

ANDRÉA LUCIA BARRETO GUARÇONI — A poeta, engenheira civil, mestre em Engenharia de Produção e com Especialização em Engenharia de Segurança do Trabalho, Andrea Lucia Barreto Guarçoni, é carioca e trabalha atualmente no Gerenciamento de Resíduos Hospitalares. Ela participou do 1º Livro de Antologia dos Poetas Virtuais, lançado em março de 2007, em Fortaleza, do 2º Livro de Antologia dos Poetas Virtuais, lançado em dezembro, em Avaré / SP, da antologia “Poemas à Flor da Pele” (2008) e fez sua estréia no XVI Congresso Brasileiro de Poesia, participando das antologias “Poesia do Brasil – Volume 8” e “Poeta, Mostra a tua cara – Volume 5”. Ela edita o blog Encontros, reúne seu trabalho literário Recanto das Letras e tem poemas publicados no Alma de Poeta e participa do Poetas Del Mundo.

Confira mais:
Show Tataritaritatá no Palco Aberto ,
Comemorando 5 anos do Tataritaritatá e suas mais de 170 mil visitas ,
a temporada 2011 do Nitolino no Teatro ,
ARTE CIDADÃ ,
PROJETO CORDEL NA ESCOLA ,
TCC ONLINE CURSO
TODO DIA É DIA DA MULHER,
MINHAS ENTREVISTAS

domingo, maio 29, 2011

MIRITA NANDI



Imagem: Na mesinha, Ricardo Bhering.

ANIVERSÁRIO DELE


Mirita Nandi


Naquela tarde de quase 10 anos atrás, os seus olhos me renderam, vendida pros seus caprichos, escrava dos seus quereres.

Como eu me perdi de minha própria vontade, não tive dúvidas: levantei a saia, arranquei a calcinha e lhe presenteei. Era aniversário dele.

Com os olhos mais agradecidos ele beijou carinhosamente a minha peça íntima e me tomou nos braços com seus lábios carentes de milênios e se apoderou de mim da minha reluzir feliz da vida.

Nunca fui tão beijada.

Sem fôlego me afastei e ele arrancou minha blusa como quem fugava da prisão condenada de sempre. E abocanhou meus seios como uma dádiva conseguida. E sugou meu umbigo como quem buscava segredos. E lambeu minhas entranhas como quem se apossava da minha vida.

Eu me dei toda pra ele. Tremi e gozei. E mais ele cavoucava o meu íntimo descobrindo todos os meus quadrantes, meridianos, trópicos e subterrâneos. Arrepiou meu alçapão, meus desvãos e fendas. Vasculhou meu corpo até me revirar entregue a todas as suas investidas. E mais tremi, mais gozei por todos os limites da galáxia.

Sem vacilo nem descanso, retomou de tudo e não deu trégua com os látegos de sua língua na minha mais infinita interioridade. Fui toda descoberta, tomada, levada, surrupiada, vilipendiada, até perder minha própria identidade que agora era totalmente sua, inteiramente nua, prazerosamente rua para ele explorar. Espalmada e pronta, fui revirada, seviciada e gozada como quem teve o sobejo do seu sêmen aguada por toda minha carne.

Como um rei vitorioso, ele esfregou seu pênis nos meus pés, pernas, coxas, seios, face, lábios e ventre.

Deixou-me lambuzada de sua água deliciosa que me aguçou a sede e não me contive adunca e necessitada, para devolver-lhe as lambidas que precisava dar para saborear sua carne, seu sexo e seu gozo. Senti-lhe espremer com as linguadas que eu dava em toda sua superfície corporal, a ponto de perceber seu sexo cada vez mais grosso, duro, pronto para me transfigurar enlouquecida de prazer. E mais castiguei sua carne oferecendo-lhe toda constelação estelar do céu da minha boca, até ele ejacular em profusão ronronando como quem esborrava para encher minha boca, garganta, estomago e espaços anímicos, preenchendo meu corpo da vitalidade mais surpreendente. Não me fiz de rogada e deixei-o estendido exangue, satisfeito, extasiado. Até que se fez dormir e eu me apropriando dos seus sonhos. Guardei para mim todos os sabores e líquidos dele. Estava premiada e ele presenteado. Deitei do lado e sonhei tudo aquilo de novo por um tempo indeterminado e pela dimensão do universo.

Enquanto eu navegava na imaginação mais gostosa que um ser humano pudesse ter, ele se aprumou em mim, recuperado e firme, enfiou-me o sexo rijo ventre adentro, indo e vindo, estocadas fortes, eu me deliciando sentindo sua respiração nas minhas faces. Que delícia de possessão a dele, rompendo minhas fortalezas, enchendo a minha volúpia e me tomando inteira de afago nos seios, força bruta entre as coxas servas para lhe servir do que quiser, até me revirar de bruços e mirando firme, penetrou-me sem reservas, agarrado aos meus ombros e impando na minha nuca dada, eu toda rasgada e a me condoer com sua fúria de guerreiro invencível, me dando por vencida até sentir-lhe o gozo quente lavar minha fraqueza de fundura alcançada.

Quedei aliviada quando ele se arrancou de mim e me prometeu novas investidas para deixar-me completamente perdida por seu jugo de meu senhor.

Veja mais no blog da Mirita Nandi.

Confira mais:
Show Tataritaritatá no Palco Aberto ,
Comemorando 5 anos do Tataritaritatá e suas mais de 170 mil visitas ,
a temporada 2011 do Nitolino no Teatro ,
ARTE CIDADÃ ,
PROJETO CORDEL NA ESCOLA ,
TCC ONLINE CURSO
TODO DIA É DIA DA MULHER,
MINHAS ENTREVISTAS

segunda-feira, maio 23, 2011

DIANA BALIS



Imagem: Strong Woman, foto de Marlon Santos Delai

A ALMA SAFADA DE DIANA BALIS

SORVER - TE!

Vem sorvete!
Exposta
Entre dentes,
As gotas,
Aquecendo-me,
Umedecendo o paladar.
Lambendo-te,
Em partes
Suaves.
Derrama-me no rosto
Sensual
Gosto!
Seduzido sentido.
Cai doce
Sorver-te
Na boca
Molhada!
Ingerindo-te,
Fluxo
Amor.

ALMA SAFADA

Dormi de camisola,
E acordei pelada!
Vivo só!
Será que tenho,
Alma Safada?

III

De que adianta brigar?
Enquanto durmo,
Minha alma safada, feliz da vida, marca encontros com você!

V

Seminua bate a porta
Na manhã calada e rompida
O sol invade a alma safada.

VI

Alma safada
Insone ou dormente
Só pensa no amor!

VII

Alma safada como consegue?
Amanheci com a calcinha puxada, qual córrego entre duas montanhas.
Em vez de sair a passear, hoje trouxe o amor para fazer sexo comigo!

A PORTA RECHEIA LOUCURAS

A porta recheia loucuras
A blusa sem alça recai na sua testa
A saia diminuta abocanha a boca sedenta
O corpo treme e a sombra se esvai
Colares despencam peças
Nos íntimos vapores,
Chove na fria madrugada
O tempo revela o amor
No entre braço vem o forte desejo
O alaúde na tarde,
Sente a menção honrosa
Revejo ensaios e navego ilhas
Prevejo a paixão descabida
Vem alimentar a alma com as loucuras
A porta recheia a vida,
Só aventuras.

AMOR E SEXO

O amor aponta o desejo
A marca no gosto da boca apertada
Derrete os lábios e anseios
Na cobiça, abaixo da blusa
Apitam os sinos do castelo
No encantamento da torre de marfim que se eleva
O caminho tortuoso excita a morada e abre-se
Amor e sexo escorrem no córrego da paixão
É turbulência no debate do rio
E esbanjam a vontade de mar
A estreita passagem dá sentido à espera
O tamanho é apetite guardado
O amor é completude no gozo dos astros
Navegam juntos agora as estrelas do céu.

BEIJOS

Beijos, carícias, sedução,
Aguçam o doce céu de sua boca.
Molhados, os fluidos confundem-se.
Em calmas maresias de envolventes ternuras,
Vejo-te aquecendo-me mais ardente.
Sou sua. Inteira, entregue e seduzida.
Repleta rua do seu gozo.

CORPO QUENTE CHAMA

Abraço-te e te seguro macho
Apenas ergo-te na intenção do olhar.
Te pego descalço, subo por tuas pernas
Pelos entrededos, enrolo-me aos teus cabelos,
O desejo já se mostra, somos protuberâncias.
A imagem é rósea, os lábios carnudos.
Lampejos de energias fluindo, indo e vindo.
Esfrego-me,gemo, sou sorrisos.
Apenas serei suave, entregue e sedenta.
Saberia apenas ter-me? Sem indagar-me?
Corpo quente apalpado entre as rochas cindidas chama.
O lago agora borbulha... Serão felizes maresias.
O amor por você soterrado, vulcaniza.

DELÍCIA

A ponta da sedução
Quebra ondas no meu mar
O rosto abafa e gritando
Almeja terra, água e ar
Beija-me ardente
Sorrindo eu respondo
Amo, amo, e o engano?
Delícia é doce a jorrar.

DESEJO

Inteiro!
Ao seu peito,
Agarrar-me!
No seu corpo,
Subir e descer.
Cavalgar!
Gemer,
Estremecer e
Suar!
Aguar...
Nua e
Sua!

II

Apalpe-me e alcance-me
Lança-me entre laços
A boca carnuda ao compasso
Dança encalço
Aos lábios enfrente-me,
Mulher é passo
Aberta e espreita vida
Aguarei ao sedento sentir
Tremendo, gemo. Agarre-me duro
Caindo suavemente ao canal
A imagem é o desejo carnal.

O JOGO DA SEDUÇÃO

Ela o encontrou no almoço informal.
Seu desejo era lúcido.
Ele negava o afeto, num passado de medo.
As lembranças ficaram para trás?
O tempo amarelou o desejo entre os dois?
Tudo era sensualidade: os olhares, o toque, o beijo.
Os sentimentos dela não se perderam no tempo.
O momento deveria ser de sedução.
Ele escolhe a comida japonesa cálida, porem, era intencional.
Ele não poderia agüentar mais um golpe do destino.
Há emoção brotando. Ela de novo em seus braços?
Diferente dos sonhos da adolescente apaixonada que partia,
Ela imaginava o encontro amoroso com alegria.
Ele pensava num jeito de fazê-la esquecer.
Ela o queria lembrando de tudo!
Sua comida quente eram os frutos do mar,
E muitos morangos com calda de chocolate na sobremesa.
Ela levantou-se ao toalete seduzindo-o
Ele observa-a tímido e desejoso,
Ela voltou e entregou-lhe um pacote,
Ele não poderia abri-lo naquele momento!
Eles se despediram.
O seu corpo encostado aos seios dela ofegante.
Grande sensação, as lembranças dos corpos colados,
Coxas e abraços na sensualidade, o desejo vingado no beijo.
Ela abanou os braços na despedida silenciosa.
Ele entrou no carro e sentiu o pacote macio e leve.
Sensual, ela estava de vestido curto,
Ele agora a desejava.
Lembrou-se, quem era ela?
A sua nua mulher,
Presenteou-o com a calcinha.

DIANA BALIS – A escritora, psicóloga e professora de teatro e musicalização infantil, Diana Balis, é diretora do Grupo Conto & Cena, publica seu trabalho literário no Recanto das Letras e edita o blog Diana Balis.

Confira mais:
Show Tataritaritatá no Palco Aberto ,
Comemorando 5 anos do Tataritaritatá e suas mais de 160 mil visitas ,
a temporada 2011 do Nitolino no Teatro ,
ARTE CIDADÃ ,
PROJETO CORDEL NA ESCOLA ,
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TODO DIA É DIA DA MULHER,
MINHAS ENTREVISTAS

segunda-feira, abril 25, 2011

SANDRA FAYAD



Imagem: Na cama, de joelhos, foto de Ricardo Bhering.

A CAÇA TRIUNFANTE DA ODALISCA DE SANDRA FAYAD

CAÇA TRIUNFANTE

Se te quero pouco,
tu me buscas ansioso.
Se te busco menos,
mais te tornas ganancioso.
Se te peço tempo,
Tu te mostras intransigente.
Se te quero muito,
me apareces vaidoso.
Se te busco mais,
mais te revelas ausente.
Se te nego tempo,
meu desejo te parece exigente.
Mas, se te procuro ofegante,
e também me caças triunfante
Se te busco contente,
e te agrada o meu anúncio publicitário
Se te espero embalada em papel de presente,
E vens como se fugisses de um aviário
Se me mostro indolente,
quando queres nosso tempo preguiçoso
Forma-se uma perfeita sintonia de desejos,
ainda que nosso amor pareça fantasioso.

ODALISCA

Se sou o pânico instalado no teu coração,
És o terror que me excita os sentidos.
No quarto escuro, camuflas tua coragem.
Sob manto felpudo, engendro desejos ...
Ardentes!

Nas toalhas com cheiro de amaciante,
Enxugas tuas lágrimas transparentes,
Enquanto vedo frestas de portas e janelas
Para esconder da lua o brilho cintilante.

Comandante!
Navegas solitário no convés do meu coração.
Se sou a mais bela odalisca do teu harém,
Sente a enormidade da minha paixão...
Menestrel, vem encantar-me! Vem!

Mostra tua força, vem domar meus mitos,
Conhece o sabor de pura adrenalina,
Reconsidera os teoremas mal ditos,
Mostra teu jeito de touro valente!
Campeão!

Percebe a leveza do cafuné nos teus cabelos
Relaxa! Posso transformar-te, camaleão!
Se não conheces a sutileza do que te darei,
Investe no néctar que me trarás.

Se batalhas um dia travamos, nunca guerreei
Contra esse desejo cada vez mais voraz .
Se te amordaço, não teme! É para te fazer Rei!
Se me aprisionas, amante de ti me farás...

DOIDEIRA

Meus pensamentos fazem trajetória no espaço,
Percorrem ruas e avenidas da cidade,
Sobrevoam árvores, viajam com os pássaros,
Seguem as rotas que na mente eu traço.
Nesse caminho que te busco,
Sinto o frio cortante dos ventos marítimos
E o calor ardente das queimadas
Por onde passo...

Meus sentimentos brotaram de terra fértil
São flores delicadas em constante metamorfose.
Alimentam-se, noite e dia, da esperança insana
De juntar meu corpo ao teu, em perfeita simbiose,
Numa superfície plana
Como um cilindro, pelo chão a deslizar...
Embebidos na adega do prazer intenso
Até a última dose...

Hei de te sentir envolto nos mesmos desejos ardentes,
Ver-te agir como o mais irresponsável dos mortais...
Solta essas amarras! Quebra os elos que te prendem!
Vem sentir o sabor dos meus beijos inconseqüentes,
Que de ti dependem!
Experimenta a leveza dessa doce loucura!
Troca de valores, substitui teus símbolos por outros
Diferentes.
Nesse momento único que será nosso
Somente.

HIPNÓTICO

Há algo em ti que me hipnotiza.
Não sei se esse olhar sempre a me sorrir...
Talvez os dentes brancos por trás dos sorrisos.
Serão as maçãs protuberantes a me seduzir,
Ou teus cabelos de fios dourados e lisos?

Há algo em ti que me enloquece.
Essa sensualidade de quem sabe o que quero,
O convencimento de quem de mim já conhece
Os desejos ardentes que de ti eu espero
Beijos molhados de quem não te esquece.

Há algo em ti que me suga os sentidos.
Talvez teu disfarce de aparente meiguice
Essa crença de que vais te entregar por inteiro.
Ah! sinto que este teu jeito moleque me vicia
Me arrasta cega e sedenta para teu cativeiro
Me amassa, me deita e devora... com magia.

TIRA OS SAPATOS

Tira os sapatos... Pisa devagar:
Um passo, outro passo...suavemente...
Vem vestindo malha de algodão, leve.
Nada de couros...traz cadarços somente
Usa roupão...assim...
Como se tivesses saído do banho,
Com cheiro de colônia após a barba.
Não diz nada...Pra quê? Atrapalha!
Nenhuma palavra, de nenhum tamanho.

Olha! Também me visto com malha,
Cabelos molhados, saídos do banho.

Chega. Segura minhas trêmulas mãos,
Abraça-me devagar...em câmera lenta,
Liga as turbinas, acelera, esquenta...
Incendeia-me com teu fogo,
Faz-me arder como a mais ardida pimenta.
Não pára! Percorre meu corpo aos poucos.
Vai indo...Mais...Pode ir...
Tira-me o fôlego com teus loucos beijos
Atira-me ao leito e sobre mim enlouquecido cai.
Aspira meu fôlego até eu gemer de desejos,
Prova das iguarias nunca saboreadas,
Alimenta teu corpo com a minha fragrância
E explora minhas entranhas mais delicadas.
Não demora. Vem!
Agora.

SANDRA FAYAD – A poeta e economista especializada em mercado financeiro, ecologista, Sandra Fayad é autora dos livro "Animais que Plantam Gente" (Ed. LGE/2008-DF). É membro da Academia Ceilandense de Letras & Artes e da Academia Catalana de Letras e colunista do Diário de Catalão (GO). Reúne seu trabalho literário no seu site Sandra Fayad, no Recanto das Letras, na Academia Virtual Sala dos Poetas e Escritores e no Portal da escritora Vania Moreira Diniz.

Confira mais:
Temporada do espetáculo infantil do Nitolino no Teatro Linda Mascarenhas, todos os sábados e domingos de abril, em Maceió. ,
Show poético musical Tataritaritatá no Projeto Palco Aberto. Dia 19 de maio, às 20hs no Espaço Cultural Linda Mascarenhas, Maceió. ,
Comemorando 5 anos do Tataritaritatá e suas mais de 160 mil visitas ,
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PROJETO CORDEL NA ESCOLA ,
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MINHAS ENTREVISTAS

domingo, abril 17, 2011

DELÍCIAS DO PASSADO



Imagem: Sarah Stevan

ANIVERSÁRIO DELA, A PROTAGONISTA NO ROL DAS PAIXÕES


Luiz Alberto Machado


A gente era ainda criança quando o amor passou a conviver fagueira e inquietantemente no meu coração.

Tinha eu lá a idade dos 10 anos amparado pelo bigodinho ralo embaixo da venta, magricela, inquieto e com muita meninice no coração, quando ela surgiu lépida com suas sardas encantadoras, seu olhar agudamente vivo e o sorriso duma sedução envolvente.

Eu já era um precoce presepeiro licencioso dado às trêfegas libidinosas sucumbindo às tentações da carne diante da voluptuosidade das deidades fêmeas que me desafiava o sexo pela antecipada busca em desvelar os mistérios ocultos que as saias escondiam, esfomeado pelos seios mais generosos, achegado às ajeitadas mais safadas entre as coxas roliças das pernas femininas e com uma azáfama constante que me levava a amolegar o pingolin a todo momento nas tocas mais recônditas das minhas querências.



Ela surgiu num dia ensolarado como um impacto sideral de colisão das galáxias, paralisando o tempo e todas as coisas para me deixar num estupor de perder a noção de tudo.

Ao mesmo tempo ela se mostrou pra mim como uma dádiva além do meu quinhão, um repasto suntuoso além do mérito para indigno reles atarantado, já que ela brilhou nos meus olhos como uma Tália fazendo festa na minha idéia, uma Euterpe que me deleitava a alma, uma apaixonante Erato que me envolvia num idílio impetuoso, uma Clio que celebrava todos os meus prazeres, uma ninfa que me enfeitiçava pra loucura juvenil, uma piéride que me encantava rodopiante e virava numa urraca para grasnar no futuro com seu gozo no meu mastro, uma sereia saltitante na minha libido, uma Energeia para minha adoração D´Annunzio, uma pitonisa que me realizaria homem acima das expectativas, uma sibila que me faria rei do seu reinado, uma amazona que me faria superior sobre todas as mulheres.



Só conseguia eu recobrar meus sentidos quando ela dobrava a esquina para encher o mundo de pernas às gargalhadas. E mesmo sumida, ela permanecia incólume povoando todos os meus pensamentos. Por isso, doravante eu seria o lunático quixotesco entregue à fortuna das vicissitudes, mergulhado no amor que nunca morre de Bram Stoker. Na verdade, foi aí que eu endoidei. A coisa pegou. Eu só queria estar com ela, falar com ela, escrever versos para ela, construir um universo só pra ela. Ela a princesa eternamente assentada no trono idílico do meu coração e no pedestal de ser a minha exclusiva rainha. Era que eu respirava ela, eu vivia e a minha vida era ela.

Éramos partícipes de uma infância muito buliçosa. Eu com 10 anos turbulentos precoces e amostrados; ela com 9, linda, risonha e espalhafatosa. Eu, um geminiano insaciável perdido na curiosidade e querendo sempre muito mais; ela, uma ariana inatingível e serelepe aguçada emanando vida.



Brincávamos de tudo: ciranda, cirandinha, pega-esconde, adivinhas, queimado e academia pelas salas, quartos, quintais. Eu cantava me esgoelando canções apaixonadas pra ela ao solo de uma guitarra invisível no bucho e uma vontade imensa de impressioná-la. Ela só se ria de mim, enquanto eu me achava abafando. De certa forma ela correspondia no jeito menina de sempre.



Muitas vezes embolamos na cama, riso solto, inocência viva. Mas ela era atirada e eu, perto dela, era só timidez. Afinal, ela era minha deusa. E por isso muitas noites amanheci em claro só pensando como eu teria coragem de agarrá-la, sapecar-lhe os muitos beijos mais arrebatados, apertá-la com meus braços para gritar-lhe a plenos pulmões o quanto a amava com toda a força da minha vida. E me doía ter que deflorá-la na hora ardente de nossos desejos, não isso eu não podia fazer porque ela era a minha princesa. Mas eu ardia de volúpia e não me permitia enfiar-lhe toda a força do meu sexo, isso eu não podia fazer na minha exaltada veneração. Eu podia arrancar qualquer cabaço, invadir qualquer vagina e me envolver na safadeza com qualquer mulher, ela não, ela era a minha rainha, a minha santa, a minha devoção. E nisso foi até o tempo de 3 anos depois, quando ela cansou da minha timidez. Morri mil vezes a cada segundo com a sua ausência. Renascia e tornava a falecer mais de mil vezes a cada lembrança dela. Assim foram e persegui essa dor por 18 anos de uma paixão que insistia em morar atormentadamente nos meus sentimentos. Foram 18 anos de angústia. Até que um dia tudo dá uma reviravolta e eu sou jogado de novo no meio de um revertério com a vida de pernas pro ar. Foi quando o rumor da infância entrou com força de bramido no mar revolto da minha adulteza que virou adolescência despranaviada, e o seu olhar pousou no meu depois de todo esse tempo suspenso e o que estava na mentira da dormência e que teimava insistir vigente virou insone.



Deu-se o flerte dos olhares. Eu cada vez mais arrastado pela provocação do seu jeito mais que desejado, da sua boca sedutora e do seu ar menina que me enlevava no meio de um redemoinho que eu me deixava levar para não sei onde. Tinha eu a impressão que tudo isso fazia parte de uma dívida solidária que tínhamos um com o outro. Tudo me levava a crer que precisávamos prestar contas daquele feitiço que nos envolveu na infância e que amaldiçoadamente atravessou a adolescência e nos atingia em cheio em plena maturidade. E eis que numa tarde mormaçada levado pela urgência insensata da paixão indômita, dei de cara com a circunstância, coloquei a timidez na regra três e encarei a horagá das instruções procedimentais de quem está com todas as obrigações vencidas, todas as exigências não cumpridas, todas as impugnações indevidas, todas as gestões insatisfeitas e todas as razões injustificadas para resolver uma pendência de muito requerida. Era tudo muito adiado na fome era de anos. Era tudo muito evitado e a atração incendiando nossas interações. Era tudo muito mal resolvido e o amor dominando no pedaço. Nisso os prós e os contras não resistiram aos desejos, arrebentando barreiras, intrigas e suscetibilidades, ao se meter num turbilhão que nasceu no meio de olhares, bocas, desejos, beijos, pernas e paixão. Não havia como evitar, estava iminente. Não havia como conter, tudo se derramou esborrando com o apetite das nossas ambições de usurparmos todos os nossos limites e sobrepujarmos todas as nossas mais vorazes necessidades de satisfação.



Essa foi a hora em que cobramos mutuamente uma dívida que jamais seria satisfeita ou quitada por nós dois porque o saldo devedor sempre se renovava mais e se avolumava com a força da inflação de todos os reajustes que careciam de novas prestações de contas e cumprimento na escala de zilhões de beijos não dados, de afagos pedintes, de abraços necessários, de fodas requerentes e de gozos que não provados concorriam para enriquecer o nosso endividamento recíproco. Éramos inadimplentes do amor, insolventes na paixão e que carecíamos de uma vida além de tantas e muitas re-encarnações para se poder mensurar o tamanho do débito a ser pago por nós dois, um ao outro. Foi aí que descobrimos que essa nossa dívida era uma maldição: a de termos de querer um ao outro para todo o sempre. E isso me fez arrastar por seus pés para escalar suas pernas e alcançar o relicário da sua intimidade mais deliciosa que eu lambi, chupei e me enfiei zilhões de vezes e que jamais poderei abdicar dessa gostosura imensa que me contaminou com uma doença incurável: o amor eterno. E flagrei seus olhos ávidos de vida e de prazer que me levaram aos beijos na sua boca ardente e poderosa que me dei aos ósculos desmedidos e que gozei e jamais poderei renunciar de beijar os seus lábios apetitosos do mais agradável gosto de todos os sabores porque sou sedento de sua faminta luxúria, sou caudatário da sua atirada e gulosa forma de querer inteiramente até a última gota espremida do meu sangue e suor, sou refém de sua determinada forma de se dar por inteiro e com a urgência dos enfermos terminais que anseiam estertorar na última gota de prazer. E me deitei nos seus seios que se fizeram mãe e puta para me fartar de todas as fomes e sedes de séculos e milênios de amor adiado que me atormentava a alma e que nunca foi suficiente ainda os tantos gozos vindouros, as tantas trepadas extravagantes, as tantas entregas mais enlouquecidas que já nos possuímos e que ainda exigimos possuir e eu ainda quero tudo de novo e outra vez e muito mais e sempre possuí-la poderosamente no jardim, no carro, no quarto, na sala, no chão, no canto da vida ou na beira da morte porque ainda não fui feliz, nem gozei o tanto do que preciso na sua carne apetitosa, nem tudo chegou ao ponto da satisfação plena da alma. Tudo foi escandalosamente revivido. E eu cantando Desejo no nosso aniversário. E os nossos prazeres atravessaram o dia e a noite, todo o tempo e todo espaço, e ainda ardo a todo momento incendiado pela requerência de tê-la aos meus braços, nua, linda, inteira e pronta pra ser devorada pela gula da reintegração de posse da minha louca ejaculação que preencherá os meus e os seus vazios, que transbordará os meus e os seus gozos e que premiará as minhas e as suas necessidades como o presente de aniversário que precisamos ambos ganhar um do outro.



Veja mais Delícias do passado.



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sábado, abril 09, 2011

HELENA CRISTINA



Imagem: arte do carioca Roberto Remiz Teixeira Filho.

A FOLIA SENSUAL NA MADRUGADA FERTIL DE HELENA CRISTINA

FOLIA

Segura em minhas ancas, me encosta na parede,
Espreme o meu corpo, tira o sumo que mata a tua sede...
Me deixa muito louca, atordoada, toda solta...
Te afasto do meu corpo,
Te puxo pela mão, te sento no meu colo,
Dou-te um beijo de paixão...
Digo palavras profanas em teus ouvidos
Agora já é tarde a noite virou dia...
Amanhã a gente continua essa folia...

MADRUGADA FÉRTIL...

Acordei meio sonolenta com vc a me bolinar...
Fui ficando inquieta, sentindo você me penetrar
Confesso que quis resistir,...Mais o desejo era maior!
Você hábil como sempre, sabia todos os pontos fracos para me dominar
Não resisti! entreguei-me aos seus encantos, as tuas santas palavras
profanas,insanas...
Nessa loucura onda quem doma é domado...juntos explodimos...
Jorraste tuas sementes em campo fertil...
E eu?
Levatei-me da cama, peguei papel e caneta e comecei a escrever!
Agora vai,...vai inspiração...
A poetisa está com sono e saciada, porém louca de paixão.

SENTIDOS

Adoro sentir teu cheiro
Lamber você por inteiro
Ver seu corpo contorce-se sobre o meu
Sentirmo-nos inundados por inteiro...
E depois do ato por hora acabado
Descansar ao seu lado
Suada, molhada, mas o melhor de tudo SATISFEITA!

TEU BEIJO

Recebo seu beijo quente, úmido e passo a imaginar coisas e mais coisas...

Imagino seus beijos pelo meu corpo inteiro, fazendo com que eu me contorça
toda...e minha pele fique toda arrepiada.

Seu beijo faz com que o riacho calmo que existe dentro de mim, escorra como uma
cahoeira em furia entre as minhas pernas.

OLHAR MALICIOSO

Você com esse olhar malicioso...
Faz com labaredas internas incendeiem o que há entre minhas pernas
Pinta borda costura em tudo que está acima da minha cintura
Em contornos geométricos desenhas cabala indecifráveis ao redor do meu coração
Mexe, cutuca, incendeia, me deixa exaurido...Depois do ato consumido
Monta em seu cavalo e começa a cavalgar rumo aos pensamentos absortos que em
minha mente ficarão...

O DEPOIS...

O depois sempre me fascinou
É uma sensação de alívio, de aconchego...
Em teus braços ainda menina, mulher
No embalo desse depois, fui ficando pronta para o que der e vier!

GOZO SEM MEDO

Paixão,Tesão,Gozo,Torpor
Arrependimento de ter dado pele e suor
Para quem queria Amor
E não só um gozo sem medo

DESEJO

Vou acabar...
Acabar com esse desejo,
Quem sabe com um beijo,
Talvez com um verso de paixão,
Ou na melhor das hipóteses...
Com minha mão!

HELENA CRISTINA – A escritora e poeta Helena Cristina Buarque é paranaense de Curitiba, bacharel em Análise de Sistemas pela PUC-PR e especialista em Gestão do Conhecimento. Ela está presente com seus textos no Recanto das Letras, no Clube Caiubi de Compositores e no Poetas Brasileiros.

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quinta-feira, março 03, 2011

JOÃO WERNER



Cadeira dourada gravura digital vetorial (Flash) 42x60 cm. 13 de maio de 2008 código da gravura 153-08

MOTEL BARATO: A ARTE ERÓTICA DE JOÃO WERNER – Excelente a exposição online de gravuras digitais, pinturas e esculturas do artista plástico João Werner.



Trio de amantes gravura digital raster 42x60 cm. 06/06/07 código da gravura 80-07



Casal gravura digital vetorial (Flash) 42x60 cm. 20/03/07 código da gravura 57-07

OUTRAS PINTURAS E GRAVURAS ERÓTICAS:



Nua 50x70 cm. acrílico sobre tela agosto de 2002



Fauno e Ninfa 49x68 cm. acrílico sobre tela 20 de janeiro de 2003



Sátiros e ninfas 42x60 cm. gravura digital raster abril de 2006 código da gravura 21-06



Bar 49x65,4 cms. acrílica sobre tela 1986

JOÃO WERNER - João Werner é um artista catalogado na Enciclopédia de Artes Visuais do Instituto Itaú Cultural. É Graduado em Artes Plásticas pela Faculdade Santa Marcelina de São Paulo, curso concluído em 1989. Tem Mestrado em Comunicação e Semiótica pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de São Paulo, concluído em 1994. Sua dissertação foi sobre o pintor holandês Mondrian. Em artes plásticas, iniciou suas atividades em 1982, como aluno no atelier do artista plástico Henrique Aragão, em Ibiporã (PR). Como professor universitário, atuou em Londrina (PR), na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e na Universidade do Norte do Paraná (UNOPAR), nos cursos de Educação Artística, Arquitetura e Desenho Industrial. Na cidade de São José dos Campos (SP), foi professor universitário de 1991 a 2001 na Universidade do Vale do Paraíba (UNIVAP). Lecionou nos cursos de Arquitetura e Publicidade e Propaganda. Deste último curso, inclusive, exerceu a função de Coordenador Acadêmico por um ano. Durante este período universitário, não produziu nenhuma obra plástica. Foi crítico de arte do jornal Folha de Londrina, de março de 1989 a outubro de 1991. Publicou aproximadamente 70 artigos, priorizando a produção artística da região norte do Paraná. Participou como palestrante em diversos congressos e encontros acadêmicos, tais como o projeto Museu Ativo, no Museu de Arte da cidade de Americana (SP, 1991); Fórum de Debates de Pesquisadores – Arte e Semiótica, PUC (SP, 1991); Estética Contemporânea, Departamento de Jornalismo da UEL (Londrina, 1991); Congresso Internacional América '92, USP (SP, 1991). Em 2009, participou da exposição coletiva "DigitalArt.LA", em Los Angeles (EUA), só com a participação de artistas que trabalham com arte digital e com a organização do Los Angeles County Museum of Art. Em 2008 recebeu a 3ª premiação na modalidade "Gravura" na 1ª Bienal de Arte Contemporânea "Arte con raíz en la tierra", da Universidade de Chapingo, México. Em 2007, participou com gravuras digitais da 6ª Biennale Internazionale dell'Arte Contemporanea, em Firenze, Itália. O livro "Pinturas de João Werner", em uma edição independente, faz parte do acervo das bibliotecas do Museu de Arte de São Paulo (MASP), do Centro de Documentação e Pesquisa Guido Viaro do Museu da Gravura Cidade de Curitiba (Solar do Barão) e do Museu de Arte de Londrina.



Amantes 21,5x31,4 cm. Conté Sépia s.d.

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domingo, fevereiro 27, 2011

DECAMERON



SEGUNDA JORNADA DO DECAMERÃO DE BOCCACCIO: FILOMENA



SEGUNDA NOVELA – [...] Numa das dependências interiores do referido castelo, vivia certa mulher viúva, tão linda de corpo como as que mais lindas o fossem. [...] Muitas e muitas vezes a viúva comprazeu-se fitando-o, sem dar demonstração disso; e apreciou-o em seu intimo. Aliás, como o marques devera ter vindo e não viera, para ficar a noite em sua companhia, a mulher estava com o apetite concupiscente bem desperto. Por isso, em sua mente, já se unira ao belo Reinaldo. Finda a ceia, a mesa foi retirada. A viúva consultou a criada para saber se, já que o marquês a enganara, não seria de bom aviso que ela tirasse o maior e mais agradável partido possível da companhia a sorte lhe oferecia daquele modo. A criada, conhecendo o intimo desejo de sua patroa, aconselhou-a que o satisfizesse quanto fosse do seu agrado. Desse modo a viúva, regressando à sala onde ficava a lareira, e onde deixara Rinaldo a sós, pôs-se a olhar para ele amorosamente e disse: - Então, Rinaldo? [...] Fique tranqüilo: alegre-se! Você está como em sua casa. Aliás, desejo dizer-lhe que, vendo-o assim com essas roupas que pertencem ao meu falecido marido, você até passou a parecer-me ele em pessoa. Por esta razão esta noite, senti, por mais de mil vezes, vontade de abraçá-lo e de beijá-lo; e está claro que, não fosse por recear desagradá-lo, certamente já o teria feito. Ouvindo isto, e vendo os clarões sensuais que relampejavam nos olhos daquela mulher, Rinaldo, que, como homem, nada tinha de tolo, correu ao encontro dela, os braços abertos, exclamando: - Mulher esplendorosa! Acho que poderei dizer para sempre que é por sua causa que ainda estou vivo! Contemplo a situação da qual você me tirou, e comparo-a com o estado em que você me deixou. Seria grande a minha vilania, se eu não fizesse todos os esforços para satisfazê-la em tudo o que for de seu agrado. Assim sendo, dê largas ao seu desejo, satisfazendo-o. abrace-me, beije-me, visto que eu a abraçarei e a beijarei com enorme e sincero entusiasmo. Ditas estas, não precisaram eles dizer mais palavras. A mulher, ardendo toda em amoroso enleio, de imediato atirou-se aos braços dele. Deu-lhe mil beijos, ansiosa, apertando-o contra o peito; foi por ele beijada mil vezes, veementemente. Deixando a sala da lareira, ambos encaminharam-se para o quarto de dormir; não demoraram a meter-se na cama; e as vezes sem conta satisfizeram os repsectivos desejos, antes que raiasse o novo dia.



TERCEIRA NOVELA – [...] Alexandre indagou, com doçura, quem eram os monges que seguiam à frente, com comitiva tão grande; e perguntou, ainda, para onde seguiam. A isto, um dos cavaleiros retrucou: - Esse que vai cavalgando à frente é um rapazinho, parente nosso, que foi eleito recentemente abade de uma das mais abastadas abadias da Inglaterra. Como, entretanto, ele tem menos idade do que se requer, por lei, para tão elevada dignidade, vamos nós com ele a Roma, para impetrar, junto ao santo padre, que, dada a sua pouca idade, revogue, em relação a ele, a exigência desse requisito e, mais tarde, na ocasião conveniente, o confirme na mesma dignidade. A respeito disto, entretanto, é necessário que não se dê com a língua nos dente. Como o novo abade cavalgasse ora adiante ora atrás do lote de seus criados - assim como, todos os dias, vemos os grão-senhores fazerem, ao viajar -, aconteceu-lhe ver, pertinho de si, Alexandre. Alexandre era muito jovem; bem feito de corpo, rosto muito formoso, finíssima educação; e de maneiras tão agradáveis que, nisso, não havia quem o superasse. Logo à primeira vista, Alexandre caiu na simpatia do jovem abade que, vendo-o, ficou tão contente como se visse a pessoa mais esperada do mundo. Chamou-o mais para perto de si; pôs-se a conversar com ele, como que encantado [...] Entretanto, o abade não dormia. Ao contrario. Estava refletindo mesmo, até com determinação em seus novos desejos. Escutou, portanto, o que o hospedeiro e Alexandre disseram. Do mesmo modo, ficou sabendo onde Alexandre se acomodou, para o pernoite. Então, pôs-se a meditar: “Deus deu tempo aos meus desejos; caso eu não o agarre, acho que uma oportunidade como esta não voltará a surgir em minha vida”. Resolveu, de uma vez por todas, agarrá-lo. Parecendo-lhe que tudo estava em silêncio, na estalagem, chamou o nome de Alexandre em voz baixa; rogou-lhe que se deitasse ao seu lado. Depois de recusar-se várias vezes, Alexandre lá se foi deitar, já despido. O abade acariciou-lhe o peito, e pôs-se a bulir em seu corpo, carinhosamente, de modo não diverso daquele que as moças apaixonadas fazem com os seus amados. Alexandre ficou profundamente maravilhado com o fato. E duvidou que fosse o abade, assaltado por amor impulsivo e desonesto, quem se arriscava a acariciar-lhe o corpo daquela forma. Ou por presunção, ou por algum ato cometido por Alexandre, o abade logo concebeu clara idéia desta dúvida. E sorriu. Despiu, rapidamente uma camisola que estava vestindo; segurou a mão de Alexandre, colocou-a sobre o próprio peito, e disse: - Alexandre, apague esse tolo pensamento; procure por aqui.. assim... veja o que eu escondo aqui. Colocando a mão sobre o peito do abade, Alexandre achou dois seios, pequenos e redondos, duros e delicados, como feitos de marfim. De pronto, assim que os encontrou e os apalpou, notou que a pessoa que ali estava era uma mulher. Não aguardando novo convite, procurou logo abraçá-la, apertá-la ao peito e beijá-la. Nesse momento ela disse: - Antes que você se aproxime mais intimamente de mim, ouça o que quero dizer-lhe. Como pode constatar, sou mulher, não homem. Sou donzela; saí virgem de minha casa. [...] a verdade é que vi você outro dia; desde que o vi, fiquei inflamada de amor, de tal maneira que creio que nenhuma mulher nunca amou tanto um homem. Por isso resolvi que você seria o meu marido, em lugar de outra qualquer pessoa. Se não me quer por esposa, saia logo daqui, e retorne ao seu lugar.



SEXTA NOVELA – [...] Spina, enviuvou de um senhor Nicoló da Grignano e voltou à casa paterna. Era muito jovem, bonita, atraente, e não contava mais do que dezesseis anos; um dia, por acaso, pousou os olhos em Giannoto. Aconteceu o mesmo com ele em relação a ela. E os dois ficaram fervorosamente apaixonados. Este amor não durou muito tempo sem conseqüências; mas decorreram muitos meses, antes que alguma pessoa o percebesse. Confiantes em excesso, os dois começaram a comportar-se da maneira menos discreta que se aconselha em casos semelhantes. Passeando um dia por um lindo bosque, muito denso de arvores, a jovem e Giannoto afastaram-se dos demais companheiros, indo bem à frente. Quando lhes pareceu, em certo trecho, que se tinham afastado o suficiente, rumaram ambos para um local agradável coberto de ervas e flores, resguardados por altas frondes. Puseram-se, ali, a entreter-se reciprocamente com os prazeres amorosos. Por muito tempo assim ficaram juntos; foi um tempo realmente longo, ainda que os prazeres da volúpia lhes sugerisse que fora breve. Em vista disso, os dois acabaram sendo apanhados de surpresa...



SÉTIMA NOVELA – [...] Dia a dia, Pericão exacerbava os seus próprios desejos. E tanto mais crescia seu furor amoroso quando mais perto estava e mais negada ele via a pessoa amada. Percebendo que as atenções dispensadas não lhe rendiam nada, pôs em ação astucia e artimanhas, reservando para o fim o uso da força. Uma vê ou outra percebeu que a mulher apreciava o vinho, tanto quanto uma pessoa que não está acostumada a beber, devido à proibição de sua religião. Com auxilio do vinho, portanto, que age na qualidade de mensageiro de Vênus, Pericão julgou que poderia levá-la a ceder. Dando demonstração de não se importar com aquilo de que ela se mostrava esquiva, mandou que, uma noite, fossem feitas solenes festas, com uma riquíssima ceia, à qual a mulher compareceu. Durante a ceia, em que foram servidas muitas coisas deliciosas, Pericão ordenou ao servidor que deveria atendê-la que lhe desse a beber diversos vinhos, para que, ao bebê-los, ela os misturasse. O criado cumpriu, à risca, esta ordem. E a mulher, que não podia ter cuidado quanto a isto, sentiu-se dominada pela agradabilidade do paladar de cada vinho; e ingeriu mais vinho do que seria aconselhável para a manutenção de sua honestidade. A mulher logo se pôs alegre; olvidou toda a adversidade que sofrera; e, vendo que algumas mulheres estavam bailando à moda de Maiorca, achou que deveria dançar à moda de Alexandria. Ao contemplar este espetáculo, Pericão teve a impressão de que muito próximo estava aquilo que ele desejava; insistiu para que se prolongasse a ceia, sempre rica de iguarias e de vinhos; desse modo, a ceia entrou pela madrugada. Finalmente, quando já se tinham retirado os convivas, Pericão entrou em sua própria alcova, apenas acompanhado pela tal mulher. Mais alegre por causa do vinho, do que temperada pela honestidade, quase como se Pericão não fosse um homem, mas somente uma de suas criadas, a mulher despiu-se diante dele, sem nenhum constrangimento; e meteu-se na cama. Pericão não perdeu tempo; seguiu-a de perto. Apagou o lume e penetrou com habilidade por baixo das cobertas, do outro lado da cama. Cingiu-a com os braços, sem que ela opusesse nenhuma resistência; e começou a gozar os prazeres do amor na companhia dela. Após ter experimentados esses prazeres – nunca tendo sabido, antes, de que modo os homens agridem -, arrependeu-se ela de não ter atendido aos rogos anteriores de Pericão. Sem aguardar que ele a convidasse para outras noites, tão gostosas como aquela, ela mesma muitas vezes se convidou, porém não com palavras, pois não sabia falar idioma que o homem compreendesse, e sim com fatos.



OITAVA NOVELA – [...] É certo que, em razão da distancia em que se acha o meu marido em relação a mim, não posso opor resistência aos apelos da carne, nem á força do amor. De tão grande potencia se animam esses estímulos e esta força, que inúmeras vezes já venceram, e prosseguem vencer, todos os dias, homens muito fortes – e isto sem falarmos de débeis mulheres. [...] Deixei-me induzir aos prazeres do amor, e consenti em apaixonar-me. [...] porque foi praticado às escondidas, parece que não se pode afirmar que seja coisa desonesta. Entretanto, foi-me o amor generoso; não apenas não me desviou do acerto, na escolha do meu amante, porém ainda muito me ajudou ao mostrar-me que o senhor seria digno de ser amado por uma mulher como eu. Se não estou iludida pelo espírito, julgo que o senhor é o mais belo, o mais agradável, o mais elegante e o mais esclarecido cavaleiro que pode ser encontrado no reino da França. [...] Sendo assim, rogo-lhe por todo amor que sinto pelo senhor, que não me negue o seu amor; compreenda a minha mocidade, esta mocidade que consome pelo senhor, como o gelo se derrete junto ao fogo.



NONA NOVELA – [...] – Por certo, se, de cada vez que a mulher se entrega a uma aventura, lhe surgisse um corno na testa, para testemunhar o que ela fizera, acredito que poucas seriam as mulheres que se entregariam às aventuras. Entretanto, não apenas não surge o corno, como mesmo não se vê, nas mulheres que são prudentes, nem indicio, nem pegada. A vergonha e a ruína da honra não ficam concluídas senão nos atos ostensivos. Assim sendo, sempre que podem, prevaricam ocultamente; ou deixar de prevaricar, por preguiça. E esteja certo do que lhe afirmo: que apenas é virtuosa a mulher que jamais foi solicitada, ou que, se pediu algo a alguém, por esse alguém não foi atendida. Ainda que eu saiba que assim é, por razões naturais e justificadas, disso não falaria com tanta clareza, como o faço agora, se eu não tivesse comprovado diversas vezes, e com muitas mulheres. Declaro-lhe que, se eu estivesse junto a essa sua castíssima esposa, creio que em pouco tempo a levaria àquilo a que já levei muitas outras.



GIOVANI BOCCACCIO - O Decamerão, numa tradução de Torrieri Guimarães, foi escrito em 1350 pelo escritor italiano que nasceu em Paris, Giovani Boccaccio (1313-1375), uma obra em prosa que relata em dez histórias curtas, contadas por sete moças e três rapazes que se refugiam no campo para escapar da peste negra, os conflitos entre os valores cristãos e o espírito libertino da época, questões ligada à transição para o Renascimento. O “Decameron” é composto por cem histórias que abrangem as mais peculiares paixões e comportamentos humanos, e mantêm em viva presença, os clamores da carne, a infidelidade e as trapaças sexuais A obra tem a propriedade de revelar em cada conto que o proibido e o pecaminoso vigiados pelas autoridades no final da Idade Média, concretizavam-se em práticas habituais no dia-a-dia das pessoas comuns, do clero e da nobreza. Na obra, conforme dito anteriormente, há dez personagens principais que, para fugir da peste, refugiaram-se em um castelo, onde nada havia a fazer. Teriam que passar ali muito tempo, até que o ambiente externo voltasse à salubridade. Para ocupar-se, cada um dos personagens contou uma história em cada um dos dez dias. Essa obra, apesar der ter sido escrita há mais de seiscentos anos, ainda pode ser lida como enorme prazer. Por isso, tornou-se um clássico da prosa ocidental e um dos maiores livros eróticos de todos os tempos. Veja mais Decameron aqui.



FONTE:
BOCCACCIO, Giovani. Decamerão. São Paulo: Abril, 1979.



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