quarta-feira, junho 10, 2009

JULI LIMA



Imagem: Fine art, de Marcus Steinmeyer

POETRIX´S & OUTROS VERSOS CARNAIS DE JULI LIMA

CONVULSÃO ORGÁSTICA

Lábios sequiosos...
Apropriam-se do cálice rubro...
Sorvendo com avidez a seiva do prazer!!!

GRAVETINHO ERÓTICO

Gravetinho
Olhar
Flamejante
Acaricia
A chama
E diz com T...
Adoro ser
Queimado
Pelo seu "fogo"....

PS - E você,
já se queimou
em alguma chama?

TEU CORPO...

Recebe o meu corpo
Trêmulo de tesão
Agasalhando-o
Com amor e paixão

ÉS MEU SENHOR...

Reina em meus pensamentos
Atiça e domina meus desejos
Homem de minha eternidade!

ENCAIXA...

Teu corpo no meu...
Cobre-me com tua pele...
Preencha-me de tua presença!!!

ÊXTASE DOS DEUSES...

Orvalhando-me a alma...
Pousam teus lábios em minha pele...
Selando na terra os desígnios dos céus!!!

LABAREDAS...

Línguas termais...
Corpos em chamas...
Vulcânicos prazeres...
Incandescentes GOZOS!!!

VOLÚPIA...

Latejam as rubras carnes...
Incandescentes as entranhas...
Ressonante êxtase dos sentidos!!!

TUA DOMINATRIX

Ajoelho-me diante de ti,
Aparentemente, vencida
Metamorfoseada
Em Tua DOMINATRIX

QUERO ASSIM...

Tua pele na minha pele
Num atritar manhoso
Libertar teu gozo
Fazer do meu teu prazer!!!

“TARADINHA” SOU EU?

Se é você que me provoca e agarra...
E nos braços, carrega-me pro chuveiro...
Fascinado...Deixa a água todinha me molhar ...

Ficando a observar
Os caminhos que ela faz
Extasiando sem pestanejar...

...Como se saísse de um transe...
E despertasse...Pega a esponja...
Ritualisticamente... ensaboa-me...

Passa com suavidade a espuma...
Percorrendo cada centímetro meu...
Como se tocasse uma pétala acetinada...

Rosto...Pescoço... Ombros...Costas...
Barriga...Se detém nos seios... e bumbum
Teso...Arfante...HiperExcitado...

Meus olhos fechados....
Nossas respirações ofegantes...
Reações em cadeia, puro prazer!

Corpos fremem...
Eriçados revelam...
Os desejos nas veias...

Seu corpo...
Em chama...
Penetra-me!!!

Encastelados...
E pelas carícias libertos...
Fluem, ressonantes, nossos gozos !!!

TUA LINGUA...

Passeia...
Serpenteia...
Faz-me GOZAR!!!!

FELLATIO

Endeusado
Olhar
Suplicante
Abre
Alvas asas

Expõe
Pujante
Volúpia
Brasa
Púrpura

Seduzida
Olhar
Flamejante
Lábios
Tremulantes...

Ajoelha-se
Lasciva
Pulsante
Inebriada
Pela visão

Feromônio
Exalam
Mar
Narinas
Dilatadas

Suspiros
Gemidos
Grunhidos
Afrodisíacos
Pensentires

Libertos
Desejos
Arrojam
Almas
O prazer

Bailado
Incandescente
Boca
Despudorada
Querente

Insaciável
Ao falo
Atende
A súplica
FELLATIO

Tremores
Abalam
Entranhas
Expulsam
Lavas

Gritos
Uivos
Acompanham
Múltiplos
GOZOS

Eros
Sorri
Psique
Plena
Olhares Brilhantes

POEMA ERÓTICO ( Não LEIA)

Ah! Você
que Chega
Lânguido
Desejante
De se fazer
ÚNICO

Ah! Você
Que Se ENTREGA
Por inteiro
DESNUDA-SE
Todinho
Pra mim

Ah! Você
Que se RENDE
Sequioso
A exploração
De meu olhar

Ah! Você
Que Ri
E Também
Chora
Para COMPARTILHAR

Ah! Você
Que busca
LASCIVO
O CALOR
De meu PEITO

Ah! Você
Que me
DOA
Suas
ENERGIAS

Ah! Você
Cúmplice
De meus
DESVARIOS
Compreendedor

Ah! Você
Que se
ARROJA
Em mim
SACIADOR

Ah! Você
Que despudorada
Me entrego
No furor
De mim

Ah! Você
Que diz
Que me
AMA
E Inflama

Ah! Você
Que é POEMA
Que a ALMA
EROTIZA
OBRIGADA!!!

AQUELE BANHO...

Todo Banho
Frio ou morno
É gostosinho...
REVITALIZANTE!!!

Depois de um dia
De trabalho
E quente...
É deliciosamente...
REFRESCANTE!!!

Depois...
De uma peleja
De AMOR..
É prazerosamente...
RELAXANTE!!!

Não sei porquê
Mas quando eu penso
Em um Banho de chuveiro
É sensoriamente...
INSTIGANTE

Reviver devaneios
E Sonhar acordada
Com nós dois...
É lascivamente...
EXCITANTE!!!

Você se aproxima
Seu cheiro me Assanha
Em minhas entranhas
Se entranha...
Hummmm

Suspiros
Denunciam
Os vendáveis
Que ânsias
Libertam

Teus braços
Me envolvem
Tremores
Explodem
Em desejos

Natureza
Selvagem
Arrebata
Sentidos
Extasia

Xifópagos
Tateantes
Me conduz
Dominada
Ao chuveiro

Água jorra
Gotas
Sapecas
Trazem
Arrepios

Bocas
Ardentes
Debaixo
do chuveiro
Beijo você

Atrevidas
As mãos
Coreografam
O bailado
Do prazer

Ondulantes
Corpos
Reproduzem
O marear
Das ondas

Arfantes
Molhadinhos
Exploram
Mutuamente
As reentrâncias

Famintos
Os lábios
As peles
Buscam
Pulsantes

Gotejante
O líquido
Vertido
Frio
Se aquece

Misturam-se
Salivas
Trocam
Sabores
Alucinados

Voluptuosa
Agora
Dominatrix
Senhor
Dominado

Não Grita
Socorro
Implora
Grunhindo
O GOZO

Saciados
Almas Felizes
Abraçados
Desliga-se
O Chuveiro

JULI LIMA – a educadora, poeta e escritora carioca Juli Lima reúne seus textos no Recanto das Letras e no Texto Livre.

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terça-feira, junho 09, 2009

GIUSEPPE GIOACHINO BELLI (1791-1863)



Imagem: Odalisque with a Slave, 1840, do pintor do Neoclassicismo francês Jean-Auguste-Dominique Ingres (1780-1867)

A ROMÂNTICA PORNOGRAFIA POÉTICA DE GIUSEPPE GIOACHINO BELLI (1791-1863)

A EMBOCADURA

Que esfregações, gemidos, desbaratos!
Que arremessos a seco, numa enfiada!
Todos no alvo, por Cristo, desde a entrada:
Ficam bufando os dois como dois gatos.

Olhos vidrados, pior que de insensatos:
Pêlo com pêlo, boca a boca atada,
E enfia e empurra e bate sem parada;
Vai e vem, põe e tira num só ato.

Descalabro se um pouco mais durasse!
Chegada a brincadeira ao seu final,
Ficamos feito pedras, inconscientes.

É muito bom foder! Mas o ideal
Seria nos tornarmos realmente
Gertrudes toda cona e eu todo pau.
(Tradução de José Paulo Paes)

O PAI DOS SANTOS

O membro pode ser careca e anão
Estaca espada espeto espiga falo
Pavio bordão bengala pinto e galo
Palmito vara vassoura pilão

Mangalho manivela ou aguilhão
Ferro fumo porrete mastro malho
Lança-perfume fósforo caralho
Espingarda cacete obus canhão

Piroca pênis pau e pica e piça
Priapo prego porra pito e pino
Pirolito pistola pão rabiça

Mandioca nabo pimentão pepino
Banana macarrão peru lingüiça
Maçaranduba e mano pequenino
[tradução de Augusto de Campos]

A VIDA DO HOMEM

Nove meses no fedor, depois nas faixas,
por entre crostas, beijocas, lagrimonas,
depois à trela, na andadeira, em camisinha,
pára turras na testa, cueiros por calções.

Depois começa o tormento da escola,
o á bê cê, a vergasta e as frieiras,
a rubéola, a caca na cagadeira
e um pouco de escarlatina e de bexigas.

Depois o ofício, o jejum, a trabalheira,
a pensão a pagar, as prisões, o governo,
o hospital, as dívidas, a crica,

o sol no Verão, a neve no Inverno…
E por último – e que Deus nos abençoe –
vem a morte, e acaba no inferno.
(Trad. Alexandre O’Neill)

GIUSEPPE GIOACHINO BELLI (1791-1863) – Giuseppe Gioachino Belli foi autor de mais de dois mil sonetos e um poeta italiano, famoso por seus sonetos em romanesco, o dialeto de Roma.

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segunda-feira, junho 08, 2009

SUELI FAJARDO



Imagem: like a wave, de Daniel Pedrogam

A SENSUAL MAGIA DOS VERSOS DE SUELI FAJARDO

PROVOCAÇÃO

Provoca meus instintos
Mais secretos.
À luz do teu olhar,
Me perco.
Vejo-me nua em meus pensamentos,
Despida de qualquer pudor.
Sinto-me perdida em desejos íntimos.
Encontro-me em arcos
Poderosos,
Que se fecham e me seguram,
E me abraçam.
Estremeço com seu toque
Suave.
Grande volúpia!
Perfume embriagador me seduz.
Não resisto:
Eu me entrego e você
Me conduz...ao paraíso.

TE ENVIO

Te envio o melhor dos meus beijos:
Beijo suado, molhado,
Lambuzado de sonhos e paixão.

Te envio o melhor dos meus beijos:
Beijo febril, como você nunca viu.
Beijo ensolarado, ardente, cheio de calor.

Te envio o melhor dos meus beijos:
Beijo ilógico, fantástico, lunático.
Beijo feroz, perigoso,
Beijo muito gostoso!

Te envio o melhor dos meus beijos:
Beijo macio, suave, delicado.
Beijo transformado.
Vindo de alguém que escolheu você para amar!

CATIVA-ME QUANDO....

Cativa-me
Quando deita seus olhos nos meus
E me devolve a paz.
E me faz sonhar
Com um coro de anjos celestiais
Que entoa uma sublime canção e traz
O brilho das estrelas para o meu olhar.

Cativa-me
Quando toca sua mão na minha
Suavemente
E toda dor da minha alma
Desaparece .
E todo pranto derramado
É pelo vento do esquecimento carregado
Como se nunca existido tivesse.

Cativa-me
Quando na doçura de suas palavras
Me envolvo.
Contemplo a intensidade desse falar
E entre o pecado e a salvação
Me perco e me encontro.
Rendo-me ao seu irresistível abraço
Prendo-me em seu forte laço
E como não há mais saída,
Entrego-me a esse mistério que é amar.

TEMPERO

Na ansiedade de acompanhar os teus passos,
sobrevôo a planície dos teus olhos,
que observam o desalinho das minhas emoções
e colhem, da minha alma,
tempero,
o
sal
da
vida.

PULSAÇÃO

Hoje descobri,
minha vida
pulsa
no impulso
dos teus versos,
pulsa,
no olhar da tua alma,
a primavera dos meus dias
pulsa,
na construção
reticente do teu sorriso,
o calor dos meus sonhos,
pulsa,
na insanidade do desejo,
a emoção comprimida
pela tua boca
nos recantos do meu ser
pulsa
gota a gota,
num bolero sedutor,
o suor
do nosso amor

LUXÚRIA

Pesco estrelas, na madrugada
quente dos seus lábios.
Na órbita do seu olhar,
sou satélite atraído
à sua gravidade.
Te condeno às minhas fases,
múltiplas, profanas, sedutoras.
Viro seu jogo, num encaixe
de risos e movimentos.
Espio suas intenções...
Provoco ressacas em seu mar
Seguro não está mais...
Há a serpente, em meu luar,
que te enlaçou.
Com tantas curvas sinuosas,
em meus caminhos,
a alimentar sua imaginação,
perde-se de si, em mim,
e em si não desejará voltar
jamais...

SEU OLHAR

Poeta de canto febril,
que atiça as tempestades
de cores e pétalas,
a lua, sua amante,
sorri ao te ver encantar,
na noite sombria
dos desejos insanos,
humanos,
pois sabe que seus versos
são o reverso inverso
da própria poesia.

FONTE

Quarto pequeno
Veneno lançado
Serpente a provocar... ahhhh!

SOMA

Toma, da seiva do meu delírio,
a angústia das minhas entranhas,
e floresça amor, em brancos lírios.

RESPOSTA

Procuraria em mim,
se pudesse ser tua face,
interior dos teus refúgios,
os segredos que há em ti,
e deles faria lamparinas
a iluminar eternidade
a iluminar infinito
que compõem as emoções
da alma que se pôs
agora a lhe escrever.
E saberias que meu luar,
com tuas luzes transversais,
comporiam nosso ser.

AGORA

Tudo o que eu queria
agora
você em mim
entrelaçado
suado
molhado
estalado num beijo
demorado
roçado nas minhas entranhas
combinado com o meu suor
lagrimado
salivado
fermentado
vinho bom
degustado
no gutural gemido
dos meus arrepios
dos meus sentidos
inalado
em minha pele
tatuado.

RESPOSTA

Entregue a mim toda sua libido
que te respondo com gemido
agridoce de tesão.

SUELI FAJARDO – A poeta Sueli Fajardo é paranaense e professora de Língua Portuguesa e Literatura. Participou, com oito de seus poemas, do livro: Antologia dos Poetas Virtuais. Ela participa do Mural dos Escritores, do Site de Poesias, Para Ler e Pensar e do Contos/Poesias.

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sábado, junho 06, 2009

CANTARAU DE AMOR POR ELA – O SARAU DOS NAMORADOS

CANTARAU DE AMOR POR ELA – O SARAU DOS NAMORADOS



O AMOR

Letra & música de Luiz Alberto Machado

Quem ama persegue o alcandor
E segue adiante o alvo da paixão
Vai mais distante seja pra onde a flor
Desabrocha o amor no seu coração

Mantem a luta do que alcançou
A desfrutar para sempre o seu quinhão
Maior a dívida do seu penhor
Porque o amor
É mútua condecoração

É o amor

Quem manda agora
Todo carisma
Como num prisma
Rolasse a hora
Do amor

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.

Mais CANTARAU DE AMOR POR ELA – O SARAU DOS NAMORADOS:
ESTIGMA (Ozi dos Palmares & Luiz Alberto Machado)
EU TE AMO (Poema de Luiz Alberto Machado)
DESEJO (Música & letra de Luiz Alberto Machado)
BOLERO (Poema de Luiz Alberto Machado)
SEDE (Cikó Macedo & Luiz Alberto Machado)
JURAMENTO (Poema de Luiz Alberto Machado)
NUNCA CHORE POR MIM (Santanna, o Cantador & Luiz Alberto Machado)
MERGULHO (Poema de Luiz Alberto Machado)
FONTE (Letra & música de Luiz Alberto Machado)
QUANDO O AMOR É AZUL (Poema de Luiz Alberto Machado)
PERFUME DE MULHER (Poema de Luiz Alberto Machado)
ENTREGA (Mazinho & Luiz Alberto Machado)
ALEGORIA DA LOUCURA (Poema de Luiz Alberto Machado)
ARMADILHAS (Música & letra de Luiz Alberto Machado)
POSSESSÃO INSANA (Poema de Luiz Alberto Machado)
FRUTOS (Letra & música de Luiz Alberto Machado)
CONVITE (Poema de Luiz Alberto Machado)
MINHA VOZ/AURORA (Música & letra de Luiz Alberto Machado)
FULANA (Poema de Luiz Alberto Machado)
SERENAR (Letra & música de Luiz Alberto Machado)
SONATA (Luiz Alberto Machado sobre poema de Elisabeth Carvalho Nascimento)
ARDÊNCIA (Letra & música de Luiz Alberto Machado)
COBIÇA (Mazinho & Luiz Alberto Machado)
QUANDO TE VI (Letra & música de Luiz Alberto Machado)
PERDI A NOÇÃO DE SER FELIZ (Félix Porfirio & Luiz Alberto Machado)
PARTILHA (poema de Luiz Alberto Machado)
CANTILENA (Santanna, o Cantador & Luiz Alberto Machado)
PAIXÃO NEFELIBATA (Poema de Luiz Alberto Machado)
PONTE SOBRE ÁGUAS TURVAS (Luiz Alberto Machado sobre poema de Juarez Correya)
AH, ESSE OLHAR (Poema de Luiz Alberto Machado)
QUANDO QUEM MANDA É O AMOR (Crônica de Luiz Alberto Machado)
DIA DA MULHER: 8 DE MARÇO
AO REDOR DA PIRA ONDE QUEIMA O AMOR (Noveleta de Luiz Alberto Machado)
POEMAS DO LIVRO CRÔNICA DE AMOR POR ELA (livro de Luiz Alberto Machado)
POEMAS DO LIVRO VERS&PROSA PARA A MENNA AZUL (Livro de Luiz Alberto Machado)
HISTORIETAS DO LIVRO DELICIAS DA PAIXÃO (Livro de Luiz Alberto Machado)
NOVELETAS DO LIVRO ROL DA PAIXÃO (Livro de Luiz Alberto Machado)
POEMIUDERÓTICOS DO LIVRO GINOFAGIA (Livro de Luiz Alberto Machado)

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sexta-feira, junho 05, 2009

VERS&PROSA PARA A MENINA AZUL



Imagem: Foto da Derinha Rocha

CANTIGA
(uma canção pro tobogã do amor)

“(...) Mas a noite é nua, e, nua na noite, palpitam teus mundos e os mundos da noite (...) brilha toda a tua lira abdominal. Teus seios exíguos – como na rijeza do tronco robusto dois frutos pequenos – brilham. Ah teus seios! Teus duros mamilos! Teu dorso! Teus flancos! Ah, tuas espáduas! (...) Baixo até o mais fundo de teu ser, lá onde me sorri tua alma, nua, nua, nua”. (Manuel Bandeira, Nu).


Luiz Alberto Machado


Esta canção vem de longe, muito longe lá onde amanhece o leste carregado da missão de Verne e do espetáculo de Wakeman.

Esta canção vem de longe para ser sua mulher que se insinua e que me refugia nua e me mata com essa graça que tem no clarão do riso de formosa princesa, a mais linda entre as lindas, com o fogo do beijo de divina beldade musa de todas as minhas canções.

Esta canção, falo em você pelo tobogã da vala eqüidistante entre Natal e Porto Alegre na atlântica ondulação maravilhosa do prazer: a vértebra que serpenteia como a luz para a noite e o sol para o dia.

Esta canção é toda festa no prólogo inflamado de segunda pra terça quando chego pidão que pede porque carece jogado pela lombada do Oiapoque ao Chuí do seu jeito de engatinhar nua ao meu redor.

Esta canção é só armadilha de terça pra quarta quando meu relho é pontaria exata no lombo de tigela boa da cauda do cometa onde vou desenhar a poesia do eterno coito presente em todas as ânsias, marcante em todas as expectativas.

Esta canção é só captura de quarta pra quinta quando o meu anzol fisga sua carne fresca e vou fundo sem cessar fogo para me lavar com nossa lama, escorrendo pela formosura do seu agoniado colo erguido quebrando tudo no peito com chamegos safados no incomparável remanso da sua inevitável sedução.

Esta canção é só luta corporal de quinta pra sexta quando na sua esfíngica tentação de devoradora devorada, se estraçalha com minha língua no seu fogareiro de divino manjar, jóia da mais alta valia entre as pernas, retrato falado do milagre e da maravilha.

Esta canção é só tempestade voluptuosa de sexta pra sábado do nosso devaneio hípico e eu alazão fogoso devasso comendo no centro incapaz de escapar e à maneira insensata principia e brilha maior reluzência porque é impossível poupar do veneno que inebria e eu sou todo embalado pelo cheiro e sabor do seu sexo.

Esta canção é só recomeço puxando prima e bordão de sábado pra domingo até que chegue nas nuvens capitulando às minhas investidas de segunda pra terça e chegando na quarta se fazendo manha porque quinta se abre em flor que me cabe inteiro na sexta e eu carrego no sábado de novo e peço bis no domingo, e pedimos bis um ao outro no dia seguinte, toda minha e todo seu até presentear todos os dias com os acordes finais pirotécnicos fatais do último movimento sinfônico do nosso dilúvio de prazer.

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quinta-feira, junho 04, 2009

PIERRE-JEAN DE BÉRANGER (1780-1857)



Imagem: The Death of Sardanapal, detail, 1827, do pintor do Romantismo francês, Eugene Delacroix (1798-1863)

O RATO DAS CANÇÕES DE PIERRE-JEAN DE BÉRANGER (1780-1857)

O RATO

Medrosa, a jovem Lisa
Teme qualquer ratinho
E berra de ojeriza
Se um lhe cruza o caminho.

Fazer tanta zoada
Por um bicho tão fraco!
Fica, Lisa, calada:
Deixa que ache o buraco.

Gritando, Lisa tenta
Fugir-lhe, mas em vão:
O rato que a atormenta
Lhe salta para a mão.
Ela aperta, assustada,
O tal bicho velhaco.
Fica, Lisa, calada:
Deixa que ache o buraco.

É tão grande o pavor
De Lisa, que desmaia.
Se mete o roedor
Por sob a saia.
Sem medo de mais nada,
Põe-se a comer seu naco.
Fica, Lisa, calada.
Ele achou o seu buraco.
(Tradução de José Paulo Paes)

PIERRE-JEAN DE BÉRANGER (1780-1857) – O poeta, libretista, cançonista e letrista musical francês, Pierre Jean de Béranger, foi participante ativo do movimento da convulsão social que se seguiu à Revolução Francesa, obtendo popularidade como Victor Hugo e Alphonse de Lamartine. Deixsou uma obra lírica vibrante que ainda hoje desperta o interesse do público erudito. Sua primeira coletanea tem o título malicioso de Chansons morales et autres (Canções morais ... e outras), publicada em 1815. Segue-se outras coletâneas posteriores até Chansons nouvelles et dernières (Canções novas e últimas). É autor de mais de uma centena de canções inéditas e romanceiros. Suas canções foram reunidas em vários volumes celebrando o amor e a juventude em diapasão báquico, atacando revolucionariamente os padres e os novos pobres, tornando-se, por isso, grande poeta popular da Fraçam do séc. XIX.



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quarta-feira, junho 03, 2009

BERNARDO GUIMARÃES (1825-1884)



Imagens: Ilustrações do livro Elixir do Pajé.

O ERÓTICO DE BERNARDO GUIMARÃES (1825-1884)

A ORIGEM DO MÊNSTRUO (De uma fábula de Ovídio achada nas escavações de Pompéia evertida em latim vulgar por Simão de Nuntua).

Stava Vênus gentil junto da fonte
fazendo o seu pentelho,
com todo o jeito, pra que não ferisse
das cricas o aparelho.

Tinha que dar o cu naquela noite
ao grande pai Anquises,
o qual, com ela, se não mente a fama,
passou dias felizes...

Rapava bem o cu, pois, resolvia
na mente altas idéias:
– ia gerar naquela heróica foda
o grande e pio Enéias.

Mas a navalha tinham o fio rombo,
e a deusa, que gemia,
arrancava os pentelhos e peidando,
caretas mil fazia!

Nesse entretanto, a ninfa Galatéia,
acaso ali passava, e vendo a deusa assim tão agachada,
julgou que ela cagava...

Essa ninfa travessa e petulante
era de gênio mau,
e por pregar um susto à mãe do Amor,
atira-lhe um calhau...

Vênus se assusta. A branca mão mimosa
se agita alvoroçada,
e no cono lhe prega (oh! caso horrendo!)
tremenda navalhada.

Da nacarada cona, em sutil fio,
corre purpúrea veia,
e nobre sangue do divino cono
as águas purpureia...

(É fama que quem bebe dessas águas
jamais perde a tesão
e é capaz de foder noites e dias,
até no cu de um cão!)

– "Ora porra!" – gritou a deusa irada,
e nisso o rosto volta...
E a ninfa, que conter-se não podia,
uma risada solta.

A travessa menina mal pensava
que, com tal brincadeira,
ia ferir a mais mimosa parte
da deusa regateira...

– "Estou perdida!" – trêmula murmura
a pobre Galatéia,
vendo o sangue correr do róseo cono
da poderosa déia...

Mas era tarde! A Cípira, furibunda,
por um momento a encara,
e, após instantes, com severo acento,
nesse clamor dispara:

"Vê! Que fizeste, desastrada ninfa,
que crime cometeste!
Que castigo há no céu, que punir possa
um crime como este?

Assim, por mais de um mês inutilizas
o vaso das delícias...
E em que hei de gastar das longas noites
as horas tão propícias?

Ai! Um mês sem foder! Que atroz suplício...
Em mísero abandono,
que é que há de fazer, por tanto tempo,
este faminto cono?

Ó Adonis! Ó Jupiter potentes!
E tu, mavorte invito!
E tu, Aquiles! Acudi de pronto
da minha dor ao grito!

Este vaso gentil que eu tencionava
tornar bem fresco e limpo
para recreio e divinal regalo
dos deuses do Alto Olimpo

Vede seu triste estado, ó! Que esta vida
em sangue já se esvai-me!
Ó Deus, se desejais ter foda certa
vingai-vos e vingai-me!

Ó ninfa, o teu cono sempre atormente
perpétuas comichões,
e não aches quem jamais nele queira
vazar os seus colhões...

Em negra, podridão imundos vermes
roam-te sempre a crica,
e à vista dela sinta-se banzeira
a mais valente pica!

De eterno esquentamento flagelada,
verta fétidos jorros,
que causem tédio e nojo a todo mundo,
até mesmo aos cachorros!"

Ouviu-lhe estas palavras piedosas
do Olimpo o Grão-Tonante,
que em pívia ao sacana do Cupido
comia nesse instante...

Comovido no íntimo do peito,
das lástimas que ouviu,
manda ao menino que, de pronto, acuda
à puta que o pariu...

Ei-lo que, pronto, tange o veloz carro
de concha alabastrina,
que quatro aladas porras vão tirando
na esfera cristalina

Cupido que as conhece e as rédeas bate
da rápida quadriga,
co'a voz ora as alenta, ora co'a ponta
das setas as fustiga.

Já desce aos bosques onde a mãe, aflita,
em mísera agonia,
com seu sangue divino o verde musgo
de púrpura tingia...

No carro a toma e num momento chega
à olímpica morada,
onde a turba dos deuses, reunida,
a espera consternada!

Já Mercúrio de emplastros se aparelha
para a venérea chaga,
feliz porque aquele curativo
espera certa a paga...

Vulcano, vendo o estado da consorte,
mil pragas vomitou...
Marte arranca um suspiro que as abóbadas
celestes abalou...

Sorriu a furto a ciumenta Juno,
lembrando o antigo pleito,
e Palas, orgulhosa lá consigo,
resmoneou: – "Bem-feito"!

Coube a Apolo lavar dos roxos lírios
o sangue que escorria,
e de tesão terrível assaltado,
conter-se mal podia!

Mas, enquanto se faz o curativo,
em seus divinos braços,
Jove sustém a filha, acalentando-a
com beijos e com abraços.

Depois, subindo ao trono luminoso,
com carrancudo aspecto,
e erguendo a voz troante, fundamenta
e lavra este DECRETO:

– "Suspende, ó filha, os lamentos justos
por tão atroz delito,
que no tremendo Livro do Destino
de há muito estava escrito.

Desse ultraje feroz será vingado
o teu divino cono,
e as imprecações que fulminaste
agora sanciono.

Mas, inda é pouco: – a todas as mulheres
estenda-se o castigo
para expiar o crime que esta infame
ousou para contigo...

Para punir tão bárbaro atentado,
toda humana crica,
de hoje em diante, lá de tempo em tempo,
escorra sangue em bica...

E por memória eterna chore sempre
o cono da mulher,
com lágrimas de sangue, o caso infando,
enquanto mundo houver..."

Amém! Amém! como voz atroadora
os deuses todos urram!
E os ecos das olímpicas abóbadas,
Amém! Amém! sussurram...



O ELIXIR DO PAJÉ

Que tens, caralho, que pesar te oprime
que assim te vejo murcho e cabisbaixo
sumido entre essa basta pentelheira,
mole, caindo pela perna abaixo?
Nessa postura merencória e triste
para trás tanto vergas o focinho,
que eu cuido vais beijar, lá no traseiro,
teu sórdido vizinho!
Que é feito desses tempos gloriosos
em que erguias as guelras inflamadas,
na barriga me dando de contínuo
tremendas cabeçadas?
Qual hidra furiosa, o colo alçando,
co'a sanguinosa crista açoita os mares,
e sustos derramando
por terras e por mares,
aqui e além atira mortais botes,
dando o co'a cauda horríveis piparotes,
assim tu, ó caralho,
erguendo o teu vermelho cabeçalho,
faminto e arquejante,
dando em vão rabanadas pelo espaço,
pedias um cabaço!
Um cabaço! Que era este o único esforço,
única empresa digna de teus brios;
porque surradas conas e punhetas
são ilusões, são petas,
só dignas de caralhos doentios.
Quem extinguiu-te assim o entusiasmo?
Quem sepultou-te nesse vil marasmo?
Acaso pra teu tormento,
indefluxou-te algum esquentamento?
Ou em pífias estéreis te cansaste,
ficando reduzido a inútil traste?
Porventura do tempo a destra irada
quebrou-te as forças, envergou-te o colo,
e assim deixou-te pálido e pendente,
olhando para o solo,
bem como inútil lâmpada apagada
entre duas colunas pendurada?
Caralho sem tensão é fruta chocha,
sem gosto nem cherume,
lingüiça com bolor, banana podre,
é lampião sem lume
teta que não dá leite,
balão sem gás, candeia sem azeite.
Porém não é tempo ainda
de esmorecer,
pois que teu mal ainda pode
alívio ter.
Sus, ó caralho meu, não desanimes,
que ainda novos combates e vitórias
e mil brilhantes glórias
a ti reserva o fornicante Marte,
que tudo vencer pode co'engenho e arte.
Eis um santo elixir miraculoso
que vem de longes terras,
transpondo montes, serras,
e a mim chegou por modo misterioso.
Um pajé sem tesão, um nigromante
das matas de Goiás,
sentindo-se incapaz
de bem cumprir a lei do matrimônio,
foi ter com o demônio,
a lhe pedir conselho
para dar-lhe vigor ao aparelho,
que já de encarquilhado,
de velho e de cansado,
quase se lhe sumia entre o pentelho.
À meia-noite, à luz da lua nova,
co'os manitós falando em uma cova,
compôs esta triaga
de plantas cabalísticas colhidas,
por sua próprias mãos às escondidas.
Esse velho pajé de pica mole,
com uma gota desse feitiço,
sentiu de novo renascer os brios
de seu velho chouriço!
E ao som das inúbias,
ao som do boré,
na taba ou na brenha,
deitado ou de pé,
no macho ou na fêmea
de noite ou de dia,
fodendo se via
o velho pajé!
Se acaso ecoando
na mata sombria,
medonho se ouvia
o som do boré
dizendo: "Guerreiros,
ó vinde ligeiros,
que à guerra vos chama
feroz aimoré",
- assim respondia
o velho pajé,
brandindo o caralho,
batendo co'o pé:
- Mas neste trabalho,
dizei, minha gente,
quem é mais valente,
mais forte quem é?
Quem vibra o marzapo
com mais valentia?
Quem conas enfia
com tanta destreza?
Quem fura cabaços
com gentileza?"
E ao som das inúbias,
ao som do boré,
na taba ou na brenha,
deitado ou de pé,
no macho ou na fêmea,
fodia o pajé.
Se a inúbia soando
por vales e outeiros,
à deusa sagrada
chamava os guerreiros,
de noite ou de dia,
ninguém jamais via
o velho pajé,
que sempre fodia
na taba na brenha,
no macho ou na fêmea,
deitando ou de pé,
e o duro marzapo,
que sempre fodia,
qual rijo tacape
a nada cedia!
Vassouras terrível
dos cus indianos,
por anos e anos,
fodendo passou,
levando de rojo
donzelas e putas,
no seio das grutas
fodendo acabou!
E com sua morte
milhares de gretas
fazendo punhetas
saudosas deixou...
Feliz caralho meu, exulta, exulta!
Tu que aos conos fizeste guerra viva,
e nas guerras de amor criaste calos,
eleva a fronte altiva;
em triunfo sacode hoje os badalos;
alimpa esse bolor, lava essa cara,
que a Deusa dos amores,
já pródiga em favores
hoje novos triunfos te prepara,
graças ao santo elixir
que herdei do pajé bandalho,
vai hoje ficar em pé
o meu cansado caralho!
Sus, caralho! Este elixir
ao combate hoje tem chama
e de novo ardor te inflama
para as campanhas do amor!
Não mais ficará à-toa,
nesta indolência tamanha,
criando teias de aranha,
cobrindo-te de bolor...
Este elixir milagroso,
o maior mimo na terra,
em uma só gota encerra
quinze dias de tesão...
Do macróbio centenário
ao esquecido mazarpo,
que já mole como um trapo,
nas pernas balança em vão,
dá tal força e valentia
que só com uma estocada
põe a porta escancarada
do mais rebelde cabaço,
e pode em cento de fêmeas
foder de fio a pavio,
sem nunca sentir cansaço...
Eu te adoro, água divina,
santo elixir da tesão,
eu te dou meu coração,
eu te entrego a minha porra!
Faze que ela, sempre tesa,
e em tesão sempre crescendo,
sem cessar viva fodendo,
até que fodendo morra!

BERNARDO GUIMARÃES (1825-1884)– Bernardo Joaquim da Silva Guimarães, magistrado, jornalista, professor, romancista e poeta, nasceu em Ouro Preto, MG, em 15 de agosto de 1825, falecendo, na mesma Cidade, em 10 de março de 1884, sendo filho de Joaquim da Silva Guimarães e Constança Beatriz de Oliveira. Tendo sido indicado como o patrono da Cadeira n. 5 da Academia Brasileira de Letras, por escolha de Raimundo Correia, em 1896, portanto, doze anos após a sua morte. Tem-se como certa a sua participação, em 1842, na revolução liberal. Bernardo Guimarães, Álvares de Azevedo e Aureliano Lessa, fundaram (em 1845), com outros estudantes, a “Sociedade Epicuréia”, a que se atribuíram “coisas fantásticas”, que ganharam fama no meio paulistano. A capital paulista, na época, tinha uma população em torno de 15 mil pessoas. Com uma visão conservadora, os paulistas se escandalizavam com o comportamento dos estudantes, membros da mencionada sociedade secreta, em que os mesmos, alunos da Academia, chamavam-se uns aos outros pelos nomes de personagens do Lord Byron e tinham, como objetivo principal, colocar em prática as "extravagantes fantasias" do poeta inglês. Essa atitude era vista pelos conservadores como algo devasso, atentando contra a moral predominante na época. Já em 1847, aos 24 anos, matriculou-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo. Nessa época, tornou-se amigo inseparável de Álvares de Azevedo e Aureliano Lessa. Antes da morte precoce de Álvares de Azevedo (1831-1852), os três amigos planejavam publicar um livro de versos, intitulado "AsTrês Liras". Esse sonho nunca foi realizado. Bacharelou-se, em 2ª. época, no começo de 1852. Nesse ano publicou Cantos da Solidão, obra de poesia. Na carreira jurídica exerceu o cargo de juiz municipal e de órfãos de Catalão, em Goiás, por duas vezes, em 1852-54 e 1861-64. Depois de passar 6 anos em Goiás, o escritor muda-se para o Rio de Janeiro e, entre 58 e 60, trabalha como jornalista e crítico literário no jornal Atualidade. Retornando a Goiás em 1861, novamente como juiz municipal de Catalão. Sendo um magistrado rigoroso, mas humano, tomou uma atitude que releva a sua personalidade: decretou a absolvição, libertando todas as pessoas presas da cidade, em virtude das péssimas instalações dos presídios em que ficavam recolhidos os presos. Esta ousadia lhe rendeu um processo promovido pelo presidente da província, sendo, ao final, absolvido da acusação que lhe foi dirigida. Fixou-se, a partir de 1866, em Ouro Preto, onde foi nomeado professor de retórica e poética no Liceu Mineiro. No entanto, a partir de 1869, Bernardo Guimarães já começava a se destacar como escritor de prosa de ficção, com a publicação de seu primeiro romance, O ermitão de Muquém. Três anos depois, publica duas de suas principais obras: O seminarista e O garimpeiro. Em 1873, foi nomeado professor de latim e francês em Queluz, atual Lafayette, MG. Também esta cadeira foi extinta. Mas foi com a primeira edição de A Escrava Isaura, em 1875, em meio à campanha abolicionista, que o escritor ganhou fama e popularidade em diversas partes do mundo, pois essa obra teve ampla aceitação em mais de 30 paises, seja em forma de livros, seja como novela. Dedicando-se inteiramente à literatura, escreveu ainda quatro romances e mais duas coletâneas de versos. A visita de Dom Pedro II a Minas Gerais, em 1881, deu motivo a que o Imperador prestasse expressiva homenagem a Bernardo Guimarães, a quem admirava. Aos 58 anos, precisamente em 10 de março de 1884, Bernardo Guimarães morreu em Ouro Preto, deixando inacabadas as obras: A história de Minas Gerais, encomendada pelo imperador D. Pedro II, em 1881, e o romance O bandido do Rio das Mortes.Na rede, a sua obra está reunida no sitio Vida e Obra de Bernardo Guimarães e no blog do sítio de Bernardo Guimaães. Veja mais Literatura Brasileira.

FONTES BIBOIOGRÁFICAS:
AMORA, Antonio Soares. O romantismo: a literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1976.
BANDEIRA, Manuel. Noções de história das literaturas. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1940.
BOSI, Alfredo, História Concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix, 1970.
BRASIL, Assis. Dicionário pratico de literatura brasileira. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1979.
______. Vocabulário técnico de literatura. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1979.
CANDIDO, Antonio. Iniciação à Literatura Brasileira. São Paulo: FFLCH/USP, 1999.
______. Formação da literatura brasileira: momentos decisivos Belo Horizonte/São Paulo: Itatiaia/ Edusp, 1975.
______. A educação pela noite e outros ensaios. São Paulo: Ática, 1987.
______. Literatura e sociedade: estudos de teoria e história literária. São Paulo: Neclosal, 1976.
CANDIDO, Antonio: CASTELLO, José Aderaldo. Presença da literatura brasileira, vol. 1. São Paulo, Difel, 1968.
CARPEAUX, Otto Maria. Historia da literatura ocidental. Rio de Janeiro: Alhambra, 1980.
_________. Pequena bibliografia critica da literatura brasileira. Rio de Janeiro: Tecnoprint, 1979.
CARVALHO, Ronald. Pequena história da literatura brasileira. Rio de Janeiro: F. Briguet, 1955.
COUTINHO, Afrânio. Introdução à literatura no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1978.
D’ONOFRIO, Salvatore. Literatura Ocidental: autores e obras fundamentais. São Paulo: Ática, 1990.
FERREIRA, Pinto. Historia da literatura brasileira. Caruaru: Fadica, 1981.
GUIMARÃES, Bernardo. Poesia erótica e satírica. Rio de Janeiro: Imago, 1992.
HOLANDA, Sergio Buarque (Org). Antologia dos poetas brasileiros da fase colonial. São Paulo: Perspectiva, 1979.
LIMA, Alceu Amoroso. Introdução à literatura brasileira. Rio de Janeiro:Agir, 1956.
LITRENTO, Oliveiros. Apresentação da literatura brasileira. Rio de Janeiro: Forense-Universitária/INL, 1978.
MARTINS, Wlson. A literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1967.
MOISÉS, Massaud, A Literatura Brasileira Através dos Textos. São Paulo: Cultrix, 2000.
______. História da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1994.
NICOLA, José de. Literatura Brasileira das origens aos Nossos Dias. São Paulo: Scipione,1994.
ROMERO, Silvio. Historia da literatura brasileira. Rio de Janeiro: José Olympioo/INL, 1980.
SODRÉ, Nelson Werneck. Historia da literatura brasileira. Rio de Janeiro: Civilização Brasiléia, 1976.



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segunda-feira, junho 01, 2009

SARINHA FREITAS



Imagem: Sem título de Tiago Xavier.

OS VERSOS SABOROSOS RECOLHIDOS DA SARINHA FREITAS

MULHER

Sou a mulher que desejas
Aquela que te faz sonhar
Sou a menina dos teus olhos
A que faz teu coração disparar
Sou o desejo escondido
Que faz a tua loucura aflorar
Sou a ansiedade dos teus dias
A tua febre noturna
Sou a que procuras no céu
E me encontras na terra
Sou apenas uma mulher
Igual a outra qualquer
Menos do que imaginas
E mais do que supões

MONTE DE VÊNUS

No monte de Vênus
Carícias de fogo
Explodem em larvas de prazer
Escorrem entre as pernas...
Violento tremor
Meus seios são duas luas
De um só planeta:
O amor
Minha boca
Saliva teu gosto
Sinto o cheiro
Do homem amado
Terno e vigoroso
Meus olhos, cerrados
Procuram o peito arfante
O afago carinhoso nos cabelos
Silenciosamente,
A paz.

A TUA NUDEZ

A tua nudez
É desejo
Que aviva
A minha realidade dividida
De querer ser possuída
A tua nudez
É minha avidez
Meu delírio
Entrega doída
Descabida traição!
Meu corpo
Nu e sequioso
Dos carinhos teus
Sou eu desnuda
E translouca
Em roucos gemidos
Sublimados
De tanto prazer

CANDELABRO DA MINHA CAMINHADA

Não vou usar o rico traje
Rendado e bordado
Como se fosse noite de gala
Tampouco usar minhas jóias
Que reluzem como estrela do oriente
Não passarei um batom sequer!
Nem calçarei meus sapatinhos dourados
Quero andar nua
Despida de trajes, quer de rainha ou mendiga,
Tanto faz. Tudo é troça roca
Trapos de samambucaia!
Quero estar livre e limpa
Com minha alma reluzente.
Brilhará meu corpo nu
Candelabro da minha caminhada.

AMOR E PAZ

Nuvens de pensamentos
se formam pelo
quente vapor do desejo.
Mãos em movimento
rosa dos ventos
nos meus seios
Pernas em movimento
rosa de pétalas vermelhas
desabrocha
orvalhada pelo amor .
Serenada a noite pelos carinhos
encobertos pela lua
adormecem abraçados
à espera do doce amanhecer.

SENTIDOS

Meu corpo são sentidos
Que se afloram quando te vê
Salivo prazer...

Gosto das tuas mãos quentes e libertinas no meu corpo, da tua língua que tenta aplacar o fogo do meu sexo, da tua boca ávida sorvendo o meu mel sugando-me até as entranhas; das tuas palavras indecentes que me deixam em brasa; do nosso despudor nas brincadeiras e fantasias , do incender do sexo e do odor deste incensar; desta entrega sem reservas e desta sede ao pote da vida celebrando o amor; desta dança puro instinto que me leva ao ápice do prazer.

DANÇA PÚRPURA

Você chega
Faz da minha boca
A entrada
Do meu corpo
Morada.
Corpos
Ávidos
Sedentos
Procuram-se.
Desejo
Paixão
Amor
Ternura.
.Misturam-se.
A natureza dança
Sob sons
De gemidos
E sussurros
Purpúreos.
Flutuo
Entre espaços

SARINHA FREITAS – A bela e apaixonante poeta e escritora Sarinha Freitas edita, entre outros blogs, o Sentimentos-Sam e Desnuda, reunindo seus escritos e divulgando textos e poemas de muitos outros escritores. São espaços encantadores e imperdíveis. Confira.



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sexta-feira, maio 29, 2009

VERS&PROSA PARA A MENINA AZUL



Imagem: Derinha Rocha

O SABOR DA PRINCESA QUE SE FAZ SERVA NA MANHÃ

Luiz Alberto Machado


A manhã esquentou no dia do aniversário dela. Vejo, logo, cobiço.

Lá fora o sol estonteante incendeia o mundo enquanto ela imune e esguia me provocava relâmpagos de temporal. Era. Ela faceira e linda ocupada na pia manipulando a comida.

No corredor da cozinha, eu, de esguelha, segurava o copo de cerveja com mirabolantes fantasias no quengo lambendo os beiços para devorá-la naquela sedução. Fiquei inquieto, dali pra sala e voltando a fitá-la sedutora em seus trajes sumários.

Foi quando ela diligentemente focada no preparo em temperar legumes, verduras e carnes, roubei-lhe a vida tascando um beijo sedento na nuca dela arrepiar-se toda.

Ao meu contato ela arqueou e se debruçou sobre a bandeja de pratos, insinuando a bundinha, ajeitando as coxas com um Cupido entre as pernas, uma rendição atraente porque o corpo estava mais palpitoso, os seios insinuantes, o jeito provocante e a vida não era mais a mesma naquela hora.

Estava ela cônscia que era a minha caça. E eu faminto levantando a sua saia que, obedientemente santa, quer ser rasgada.

E ela fêmea selvagem quer que a loucura salte fora, mande ver.

É por isso que remexe para cima, para baixo, de lado, trota, u-lalá!

Espreguiça, estremece, o corpo vibra rosnando à porta da cozinha, os cabelos desalinhados com seu contorcionismo e eu fazendo uma devassa no meio dos seus suspiros exclamativos na promessa do gozo interminável.

Ela mais rendida se faz mais solícita e estendida de bruços sobre a pia, se esfregando manhosa, dengo à flor da pele para que eu alise sua cintura, garanhando seu sexo com meus dedos firmes e ela manhando mais, sussurrando baixinho, gemendo de acordar o mundo.

Era a comida e a fome. A captura.

E ela indomável fazendo uma boquinha ofegante, dificultando um pouco enquanto eu achava a melhor maneira de abatê-la.

E mantinha os olhos fechados, xameguenta, enquanto eu vasculhava seus sótãos e porões, seguindo a pista com meu faro obsceno, farejando suas reentrâncias.

Deixa? Deixa, vai.

Caçada desconcertante, ela em apuros, destronada de seu reino, eu implacável: o jogo que os dois podem jogar, o xeque-mate aprazível.

Mas ela blefa, faz que não quer, enquanto se esparrama no tabuleiro do meu desejo reduzida a nada com seus segredos suicidas.

Via-me obrigado a cercá-la, domá-la, arremessando meu beijo sobre seus olhos, voz, gesto e corpo.

Ela mais depravada pra minha montada numa tigresa que eu não queria apear nem tão cedo porque estava suspensa no meu sexo e mais se ajeitava procurando melhor penetração e virando meu tapete mágico, meu trenó.

E adorava o estupro porque eu enterrava minha clava com bola e tudo pro gol que ela deslizava acolhedora, perversa, condenada e pronta pro meu fuzilamento, com o sexo em brasa, o coração agitado, a boca entreaberta, um sorriso de sol. Uma princesa que virou serva e saiu do faz-de-conta e arreou nua no meu sexo enquanto eu o mocinho, à força, gemendo poemas na sua carne, esfregando minha loucura na sua queixa que mais quer e querendo mais se gaba, tira e bota para que eu recolha sua oferenda divina, a sua oferta dadivosa, batendo o punho malvado, esmurrando a parede, sonsa e aboletada sobre a pia enquanto eu vou retalhando sua carne em postas, a comida fatiada no meu paladar e sem escapar da minha captura que ela mais puxa e preme, e sacoleja numa dança em câmara lenta, o lombo, saliências, o dia de seus anos... meus dedos e ela lambendo, chupando, Cupido entre as penas e os seus seios na minha mão e ela descalça arregalando os olhos como quem quer mais com seus pés suspensos para ser melhor penetrada, devorando o tempo na loucura efêmera e gritando: Sou sua. Sou sua! Sou suaaaa!

Ah, princesa serva. Era aniversário dela. E eu com um buquê de flores nos beijos, com todo carinho do universo nos braços, toda uma guerra de gozos para explodir sua alma.

Foi quando ela deitou os olhos sobre o meu braço, deliciada e desfalecida de amor.





Veja mais:
VERS&PROSA PARA A MENIZA AZUL

quinta-feira, maio 28, 2009

ELIZABETH BARRET BROWNING



Imagem: Nu, do pintor inglês da era Vitoriana, William Etty (1787 - 1849)

OS AMOROSOS POEMAS DE ELIZABETH BARRET BROWNING

AMO-TE (23)

Amo-te quanto em largo, alto e profundo
Minh'alma alcança quando, transportada,
Sente, alongando os olhos deste mundo
Os fins do Ser, a Graça entressonhada.
Amo-te em cada dia, hora e segundo:
A luz do sol, na noite sossegada
E é tão pura a paixão de que me inundo
Quanto o pudor dos que não pedem nada.
Amo-te com o doer das velhas penas;
Com sorrisos, com lágrimas de prece,
E a fé da minha infância, ingênua e forte
Amo-te até nas coisas mais pequenas.
Por toda a vida. E, assim Deus o quisesse
Ainda mais te amarei depois da morte.
(Tradução de Manuel Bandeira).

DE QUANTAS FORMAS EU TE AMO? DEIXA-ME CONTÁ-LAS

De quantas formas eu te amo? Deixa-me contá-las.
Amo-te profunda e largamente, e tão alto quanto
Alcança a minha alma, quando perco de vista
Os propósitos do Ser e os ideais da Graça.
Amo-te tanto quanto as menores necessidades
Do dia-a-dia, seja à luz do sol ou à luz de velas.
Amo-te livremente, como os homens lutam pelo Direito;
Amo-te puramente, como rejeitam o Elogio.
Amo-te com a paixão que tenho pelas
Minhas tristezas mais antigas, e com minha fé infantil.
Amo-te com um amor que pensei ter perdido
Com os santos que perdi …Amo-te com o alento,
Sorrisos e lágrimas de toda a minha vida! …e, se Deus quiser,
Irei amá-lo ainda mais depois que eu morrer.
(Tradução de Thereza Christina Rocque da Motta)

SONETO

As minhas cartas! Tôdas elas frio,
Mudo e morto papel! No entanto agora
Lendo-as, entre as mãos trêmulas o fio
Da vida eis que retorno hora por hora.
Nesta queria ver-me - era estilo -
Como amiga a seu lado... Nesta implora
Vir e as mãos me tomar... Tão simples! Li-o
E chorei. Nesta diz quanto me adora.

Nesta confiou: sou teu, e empalidece
A tinta no papel, tanto o apertara
o meu peito, que todo inda estremece!
Mas uma... Ó meu amor, o que me disse
não digo. Que bem mal me aproveitara,
Se o que então me disseste eu repetisse...
(Trad. de Manuel Bandeira)

SONETO

Parte: não te separas? Que jamais
Sairei de tua sombra. Por distante
Que te vás, em meu peito, a cada instante,
Juntos dois corações batem iguais.
Não ficarei mais só. Nem nunca mais
Dona de mim, a mão, quando a levante,
Deixará de sentir o toque amante
Da tua, - ao que fugi. Parte: Não sais!
Como o vinho, que às uvas donde flui
Deve saber, é quanto faço e quanto
Sonho, que assim também todo te inclui.
A ti, amor! minha outra vida, pois
Quando oro a Deus, teu nome êle ouve
e o pranto Em meus olhos são lágrimas de dois.
(Trad. de Manuel Bandeira)

CATARINA A CAMÕES

I
P'ra a porta onde não surges nem me vês
Há muito tempo que olho já em vão.
A esperança retira o seu talvez;
Aproxima-se a morte, mas tu não.
Amor, vem
Fechar bem
Estes olhos de que dissestes ao vê-los:
O lindo ser dos vossos olhos belos.

II
Quando te ouvi cantar esse bordão
Nos meus de primavera alegres dias;
Todo alheio louvar tendo por vão
Só dava ouvidos ao que tu dizias
– Dentro em mim
Dizendo assim:
"Ditosos olhos de que disse ao vê-los:
O lindo ser dos vossos olhos belos."

III
Mas tudo muda. Nesta tarde fria
O sol bate na porta sem calor.
Se estivesse aí murmuraria
Como dantes tua voz – "amo-te, amor";
A morte chega
E já cega
Os olhos que ontem eram teus desvelo
O lindo ser dos vossos olhos belos.

IV
Sim. Creio que se a vê-los te encontrasses
Agora, ao pé do leito em que me fino,
Ainda que a beleza lhes negasses,
Só pelo amor que neles eu defino
Com verdade
E ansiedade
Repetirias, meu amor, ao vê-los:
O lindo ser dos vossos olhos belos.

V
E se neles pusesse teu olhar
E eles pusessem seu olhar no teu,
Toda a luz que começa a lhes faltar
Voltaria de pronto ao lugar seu.
Com verdade
E ansiedade
Dir-se-ia como tu disseste ao vê-los:
O lindo ser dos vossos olhos belos.

VI
Mas – ai de mim! – tu não me vês senão
Nos pensamentos teus de amante ausente,
E sorrindo talvez, sonhando em vão,
Trás o abanar do leque levemente;
E, sem pensar,
Em teu sonhar
Iras talvez dizendo sempre ao vê-los:
O lindo ser dos vossos olhos belos,

VII
Enquanto o meu espírito se debruça
Do meu pálido corpo sucumbido,
Ansioso de saber que falas usa
Teu amor p'ra meu espírito ferido,
Poeta, vem
Mostrar bem
Que amor trazem aos olhos teus desvelos
– O lindo ser dos vossos olhos belos.

VIII
Ó meu poeta, ó meu profeta, quando
Destes olhos louvaste o lindo ser,
Pensaste acaso, enquanto ias cantando,
Que isso já estava prestes de morrer?
Seus olhares
Deram-te ares
De que breve podias não mais vê-los,
O lindo ser dos vossos olhos belos.

IX
Ninguém responde. Só suave, defronte,
No pátio a fonte canta em solidão,
E como água no mármore da fonte,
Do amor p'ra a morte cai meu coração.
E é da sorte
Que seja a morte
E não o amor, que ganhe os teus desvelos
– O lindo ser dos vossos olhos belos!

X
E tu nunca virás? Quando eu me for
Onde as doçuras estão escondidas,
E onde a tua voz, ó meu amor,
Não me abrirá as pálpebras descidas,
Dize, amo meu,
"O amor, morreu!"
Sob o cipreste chora os teus desvelos
– O lindo ser dos vossos olhos belos.

XI
Quando o angelus toca à oração,
Não passarás ao pé deste convento,
Lembrando-te, a chorar, do cantochão
Que anjos nos traziam do firmamento?
No ardor meu
Eu via o céu
E tu: "O mundo é vil, ó meus desvelos,
Ao lindo ser dos vossos olhos belos?"

XII
Devagar quando, do palácio ao pé,
Cavalgares, como antes, suave e rente,
E ali vires um rosto que não é
O que vias ali antigamente,
Dirás talvez
"Tanta vez
Me esperaste aqui, ó meus desvelos
Ó lindo ser dos vossos olhos belos!"

XIII
Quando as damas da corte, arfando os peitos,
Te disserem, olhando o gesto teu,
"Canta-nos, poeta, aqueles versos feitos
Àquela linda dama que morreu",
Tremerás?
Calar-te-ás?
Ou cantarás, chorando, os teus desvelos
– O lindo ser dos vossos olhos belos?

XIV
"Lindo ser de olhos belos!" Suaves frases
E deliciosas quando eu as repito!
Cem poesias outras que cantasses,
Sempre nesta a melhor terias dito.
Sinto-a calma
Entre a minha alma
E os rumores da terra ? pesadelos:
– O lindo ser dos vossos olhos belos.

XV
Mas reza o padre junto à minha face,
E o coro está de joelhos todo em prece,
E é forçoso que a alma minha passe
Entre cantos de dor, e não como esse.
Miserere
P'los que fere
O mundo, e p'ra Natércia, os teus desvelos
– O lindo ser dos vossos olhos belos.

XVI
Guarda esta fita que te mando
(Tirei-a dos cabelos para ti).
Sentir-te-ás, quando o teu choro arda,
Acompanhado na tua dor por mi;
Pois com pura
Alma imperjura
Sempre do céu te olharão teus desvelos
– O lindo ser dos vossos olhos belos.

XVII
Mas agora, esta terra inda os prendendo,
Desses olhos o brilho é inda alado...
Amor, tu poderás encher, querendo,
Teu futuro de todo o meu passado,
E tornar
A cantar
A outra dama ideal dos teus desvelos:
O lindo ser dos vossos olhos belos.

XVIII
Mas que fazeis, meus olhos, ó perjuros!
Perjuros ao louvor que ele vos deu,
Se esta hora mesmo vos não mostrais puros
De lágrima que acaso vos encheu?
Será forte
Choro ou morte
Se indignos os tornar de teus desvelos
– O lindo ser dos vossos olhos belos.

XIX
Seu futuro encherá meu 'spírito alado
No céu, e abençoá-lo-ei dos céus.
Se ele vier a ser enamorado
De olhos mais belos do que os olhos meus,
O céu os proteja,
Suave lhes seja
E possa ele dizer, sincero, ao vê-los:
(Tradução de Fernando Pessoa).

ELIZABETH BARRET BROWNING - (1806-1861) – a poeta inglesa da época vitoriana, Elizabeth Barrett Browning é autora de uma série de poemas e sonetos romanticos envolvendo a história de amor vivida por ela e o poeta Robert Browning.



Veja mais:
GUIA DE POESIA
NITOLINO & O MEIO AMBIENTE
ARTIGOS DE PESQUISA

segunda-feira, maio 25, 2009

ROGEL SAMUEL



Imagem: Actaea, the Nymph of the Shore , c.1868, do pintor e escultor ingles do Romantismo Victoriano, Lord Frederic Leighton (1830-1896).

DOS 120 POEMAS & OUTROS VERSOS SENSUAIS DE ROGEL SAMUEL

NÃO ME QUEIRAS
que careço
demais para isso
Te quero
Bolero

GERALMENTE
me tens ao céu posto
caindo sobre a nave
do teu seio

EU TE PASSO
e passo
livremente
de cantar

A TUA NUDEZ TEM CURVAS
SUAVES
teus pelos, loura primavera
Não te conheço teu instante simples
mas vejo-te passar pela caçada
Te olho indiscreto e talvez
até me vejas o olhar
Não ouso assustar teus passos
que existe tal como te criei
Amo-te mais que te imagino
pois a felicidade é forma genuína
do que sou
Rei

ORIUNDA ONDA
onde queres
me levar?

O QUE ME ENCANTA É O BRINCO
de tuas conchas
a precisão de teus pelos
aneladas voltas
composto corpo
no salto alto do teclado claro

AS DOBRAS DO VESTIDO SE
ENGOLFARAM
e ouço passar águas profundas
passam passos
A voz procura, acionando em
torno grandes flores de vento
Assim não se sentirá o não
que se aproxima

SER É PAGAR
para amor
Ser é aval
Aliado
Pelo ser
amar amado

POR ISSO UM MINUTO APENAS
para o carinho leviano
teus apressados olhos estudantes
batendo instantes em que te
vejo rápido

MEU AMOR
tua loura magreza não me toca
que afagarei teus pelos
com o beijo primordial
Seguro a mão que tu seguras
daquele que me encontro fonte
fantasma lavado e céu.
Ó meu amor que se mistura
à carnadura do estro
às cores coxas do sensível
Ó meu portátil amor
que se oferece
na aparente umidescência
da paragem suburbana.

DEITARAM-SE NUAS

deitaram-se nuas
no meio da noite
as meninas virgens
deitaram-se nuas
as doces meninas
e ainda eram virgens
e os seus esposos
acenaram logo
com as mãos erguidas
e logo chegaram
no meio da noite
como que perdidos
deitaram-se nuas
todas as meninas
escondendo as graças
e os seus consortes logo as sucederam
e imprimiram o selo
estavam tão nuas
e eram mais puras
que longínqua estrela
e na amena noite
só fugiu o tempo
envolto num lenço
e depois de amor
daquele conúbio
choveram diamantes
o fecundo hino
daquelas meninas
musas citadinas
naquela noite toda
caem as flores finas
deusas fesceninas
e os seus amigos
inventaram lira
e os seus caprichos

NÃO POSSO RETER OS TEUS BRAÇOS

Não posso reter os teus traços
Nem as notas de teu tema
Pois tua música se desvanece
Como as vozes do poema
Da paixão, que mais um traço
Foi do azul de minha pena,
E quando eu te vir já será garço
O repique da tua cena
e o afastado abraço...
(oriunda onda a que cerca de aço
me levarão tuas algemas?)

BALADA PARA TODO AMOR

todo amor é assim, plágio
cópia de cópia de si, no mesmo
sim na sua visibilidade
no seu sexo. Porque todo amor
é aquela alegre repetição
doença de sonho e de tensão
acontecimento que tanto faz
se desfaz. De que não posso
dizer o que quero, ou o que vale
nem mesmo vale a pena
[O amor, seu troco.]
O caro, o espaço, o caroço
o que sobra o que falta e o falho.
Todo amor falece. Não cresce.
Não é o que se espera.
Dele nada sobra. Além do gozo.
Da calma, da cama, do colo
da palavra: só as notas altas
o cantam. As baladas mais.
A exultação mais plena.
Pois todo amor é outra vez
o mesmo amor. É sempre. É pouco.
E só se estabelece quando
impossivelmente fala a falta
do tolo amor, que já é lembrança
excessiva. Que todo amor costura
um tédio. E tem a surpresa da morte.
Somos suas presas em suas levezas.
Corre o fundo tempo por seus lodos
mostra a sua sede à noite morta.
Quem me crê sabe o que digo:
o amor já vem perdido, pois perder-se
é o destino amante. Dele vem logo
o mote o trote o corte a espada
que o amor tem em seus dentes
pois sua loucura é o nada.

ROGEL SAMUEL - Poeta, escritor, webjornalista, colunista de BLOCOS ONLINE, de ENTRE-TEXTOS, doutor em letras, professor aposentado da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Autor de: Crítica da Escrita, 1979; Manual de Teoria Literária, Editora Vozes, 14 edições; Literatura Básica, Editora Vozes, em 3 volumes, 1985; O que é Teolit? Editora Marco Zero, 1986; 120 Poemas, 1991; Novo manual de teoria literária, Editora Vozes, 4ª. Edição, 2007; o romance "O amante das amazonas", Editora Itatiaia 2a edição, 2005. Autor de centenas de artigos em revistas, jornais, vários romances publicados on-line. Veja a entrevista dele no Guia de Poeisa.

Veja mais:
VIII SEMANA DE HISTÓRIA DA UFAL
NITOLINO & O MEIO AMBIENTE
ARTIGOS DE PESQUISA

sexta-feira, maio 22, 2009

VERS&PROSA PARA A MENINA AZUL



Imagem: foto de Derinha Rocha


SHAKESPEREANA

X

(RAPIDINHA)


Luiz Alberto Machado


Toda sexta-feira, meio-dia em ponto, ela chega do trampo toda avexadinha.

Logo desalinha a me soltar corda na vontade que engorda com sua boca cangula.

E me abocanha com gula, me agarra e me beija, começando a peleja no maior pega-pega.

Ela esfola e se esfrega enquanto se despe.

E eu com a peste a romper seus atalhos, me apegando ao seu talho, a maior sopa quente.

Tudo bem rente na sua carne guisada pras minhas dentadas e pro meu repasto.

Eu vou de arrasto arrancando a calcinha, o sutiã e a blusinha, tudo jogado.

E começo o impado enchendo a pança com folia e festança de cabo a rabo.

Não há menoscabo, inteira tigela.

Ela que se escalpela aos grandes bocados.

Eu viro ajegado quando o beijo debréia, eu pulo na boléia da sua caçarola.

Ela cai de gabola e me faz seu cambão, acende a ignição a toda voltagem.

Pego bigu na viagem e engato a primeira, ela enverga a traseira e me deixa tantã.

E vou tal bambambam botando a segunda no rego corcunda do seu cardam.

E arreia no divã toda fagueira, eu sacudo a terceira a lhe dar o que falta.

E mais se engata, balança a rabeira e de forma matreira sacudo na quarta.

Pra ela não basta, acelero pra quinta, ela quer mais a pinta e eu mais atolado.

Bem mais que socado no seu labirinto, ela quer mais meu pinto, quer toda bilôla.

Porque não é tola ela fica sapeca na minha munheca e o mundo pega fogo.

Isso vai só no rodo da maior safadeza.

E com toda esperteza atrepo o seu capô com cheirinho de fulô no fundo do prato.

Como desiderato tomo a dianteira, ela vira farofeira, se lambuza demais.

E não se satisfaz, de ré me atenta, quando se arrebenta, toda disminliguida.

E como é sabida me dá seu roçado que ancho e tão pabo eu mato a pau.

Já me faz seu mingau e seu acostamento, a reta é o firmamento, odisséia sem fim.

Provo o seu bocadim pelo escape aprumando o tacape pelos catabis.

Atravesso o menir quando ela odalisca se vira e se arrisca e chora na rampa.

Eu atiro às pampas sem protocolo e a trago pro meu colo amolegando seu seios.

Eu desço sem freio ladeira abaixo, seu chassi eu encaixo no maior xambrego.

E nesse brinquedo está emboscada, até sentir a varada no bocal da quartinha.

E mais quero mais minha e arregaço o tareco dentro do caneco aos golpes fustigantes.

É mais minha amante, fêmea vezes mil, minha puta servil, linda meretriz.

Não faz o que diz se entregando inteira, maior quenga rameira cheia dos ardis.

E goza o que quis com a carinha mais lisa onde o olhar só reprisa a gente numa conchinha feliz.



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VERS&PROSA PARA A MENINA AZUL
NITOLINO & O MEIO AMBIENTE
VIII SEMANA DE HISTÓRIA DA UFAL
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quinta-feira, maio 21, 2009

LULI COUTINHO



Imagem: Uhhh.... Madame Fru Fru a retournée!!!, do fotógrafo Tuta.

A FEMININA EXPRESSÃO DOS VERSOS DE LULI COUTINHO

SOU TUA! USAS-ME!

Acaricio meu corpo no calor da noite
Imagens formam em minha mente
Como se minhas mãos fossem as tuas
Percebo-as delicadas, lentas, nuas!

A sutileza dos meus pêlos a se assanhar
Faz-me chegar à loucura
Passas-me a língua no rosto
Tomas minha boca, sugas-me.

Deixo-me levar! Sou tua! Usas-me!

Usas, e eu deixo! Gosto que me usas!
Exploro-te, abuso-te para meu prazer.
Conduzo-te ao meu gozo
Num forte e demorado torpor.
Bebes meu corpo, sacias tua sede!
Invade-me as entranhas, tens meus segredos.
E quando confundo teu corpo com o meu
Sinto teu leite e me aqueço em puro deleite.

Gozamos o gozo dos deuses
No amor que faz desfalecer
Aconchego-me ao meu travesseiro
Sinto teu corpo gostoso, teu cheiro.
Doce clímax de ter-lo tido por inteiro.

SENTIDOS DA LINGUA

Saúdo-a em boca entreaberta!
Mostrando-se esperta e lépida,
Sentindo os sabores da espécie.
Degustas o suor da pele tensa
De um corpo em torpor.

Desperta-me o sentido do desejo,
Quando lambes minhas pétalas,
Doce rosa escondida,
Que te anseia sem pudor.

Caminha! Neste corpo de malícias,
Proclamando-o em delícias,
Moldurando-o em volúpias,
Disfarçando a rubra cor.
Penetra-me!
Sinta o gosto do pecado
Sejas lenta e delicada! Neste céu, luzes, estrelas!
Faze delas a orgia,
Desabroche minha flor!

SEDUÇÃO E FETICHE

Chegas de mansinho ao meu mundo
Com toques de mago, roça-me inteira.
Minha pele delicada de um marfim profundo
Cobre-se faceira em tons amendoeira.
O cheiro escandaloso do teu corpo em brasa
Toma-me com gosto em delícias e enfeitiçada
Entrego-me solta aos teus beijos com ardor
Profana e indecente lambuzada de gozo e torpor.

Escrava do império dos prazeres teus,
Que hoje são nossos, vícios insanos!
Trago-os no corpo nu, marcas do prazer
Do glamouroso fetiche e tesão meus.

NOSSOS CORPOS

No pequeno ponto deste corpo
Rompem-se nuvens de emoção, tensão,
Morre-se de prazer ao doce coito
No silêncio do amor, orgasmo solto.

A paz dos anjos se transforma em canto
Lágrimas de gozo alimentam o pranto
A rosa rosada incha-se, florindo o campo,
Meu corpo se delia ao teu navegando manto.

Nos espasmos do sêmen morremos aos poucos
Agasalhos de luz, segmentos perenes mentes,
Pólen florescente revive o corpo lentamente
Línguas ardentes em nossos corpos, puro deleite.

LUXÚRIA

Deitou-me com suavidade de deusa
Teus lábios encontrando os meus
Provamos o doce e mágico licor do mago
Embriagados, entramos na dança do amor.
Dança de sanha, de manha!
Provocas-me devagar
Na ansiedade do prazer maior
Insinuo-me com meu corpo, deixo-o louco!

Uma dança quente! Um jogo de sedução!
Um imenso tesão!

Alucinada, vejo-me às luxúrias do prazer
Teu corpo! Tua boca! Tuas mãos!
Desfaleço! Entrego-me a explosão do gozo
Eternizando-o em meus poros, num só corpo.

QUERO-O MEU

Entrego-me doce!
penetrando em teus poros
o mel do meu corpo...

POR TE AMAR

Desejei te desejar
Voar em teu corpo
Bordar o teu rosto
Teu coração tatuar

Desejei ser a estrela
Brilhar os caminhos
Iluminar teu ninho
Se fosse a eu levar

Desejo teus beijos
Saciar meus desejos
Trançados os braços
Em silencio calar

Um desejo imenso
É lançado no ar!
Voando, voando
Até a ti chegar.

BORDADOS NO CORPO

Bordas meu corpo com teus beijos
Transformando-o em violetas
Sinto-o renascido a cada manhã.

Confundindo-o com o crepúsculo
Nos tons lilases que não tardam
Mesclas de arco-íris minhas mãos.

Enches minha vida de prazer
Quando desejo-te e vens
Se desvendando no querer.

Este suor nos meus poros
Anunciando anjos de emoção
É quando sinto que estás em mim.

Estes momentos a não esquecer
Flores bordadas em meu bem querer,
Eternizo-os, persigo-os, pertences-me!

Ah, sonhos! Não os deixo fenecer!

VIESTE

Trouxe-me amor nas rosas
A rendilha sutil dos beijos
Mostrou-me tua alma clara
Como a branca pétala rara

Trouxe-me rimas de paixão
Asas leves nutrindo ilusão
A brancura alva de um lago
Os encantos febris de mago

Acariciou-me com pétalas
Ousou mansas tuas mãos
Em sonhos tornando razão
Ao vôo mudo dantes vão

Entre versos a mim vieste
Todo amor de mim levaste
Hoje a dor não mais existe
Brilha a noite outrora triste

SEDUZIDA

Seduz, seduz-me e assim seduzida,
Busco o amor em teu corpo de luz
Conduzindo em magia a minha vida
Ao alimento que nutre e me conduz

Meu silêncio invadido em gorjeios
Coração palpita, excita amor aos seios,
Águas cintilam minhas doces fontes
O amor atravessa felizes horizontes

Teu corpo se faz milagroso em mim
Sinto-o fazendo parte do gozo carmim
Percorro caminhos de sons e magias
Na tela que bordas beijos os meus dias

Seduz-me inteira e vivo eterno torpor
Necessário em mim num misto de dor
Minha sina o eleito de luz que fascina
O perfume que exala da pele e alucina.

LULI COUTINHO – A poeta e decoradora paulista, Luli Coutinho, é uma pisciana encantadora, romântica e extrovertida. Participa de diversos grupos e comunidades da rede e publica seus trabalhos no seu site pessoal Luli Coutinho e no Recanto das Letras. Sobre si própria ela diz: “Sem tabus nem racionalizações, confesso o imenso prazer em ser mulher, mãe, avó e incorporar meus versos no que chamo de "Poesia do Cotidiano". Simples ao ponto de ser compreendida por qualquer pessoa tocada à beleza e ao encantamento. Embora tendo incursões aos poemas de amor, gosto de escrever também sobre outros temas. Com características e jeito especial para escrever, hoje na maturidade é que me realizei no mundo dos sonhos e fantasias. Costumo dizer que tenho uma imaginação fértil e assim desnudo minh'alma conjugada à minha criatividade”.



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