segunda-feira, outubro 20, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: Andrea Blackman

A FÚRIA DO ARPÃO

O erotismo, em seu conjunto, é infração à regra das interdições: ele é uma atividade humana. Mas, ainda que ele comece onde acaba o animal, a animalidade não deixa de ser seu fundamento. (...) A interdição está aí para ser violada”. (Georges Bataille, O erotismo).

“(...) O dia inteiro nossos corpos escondidos queimam como opala arde dentro da terra, um facho de beijos que o irritado calor do sol não toca. (...) e dentro dos amantes que se abraçariam, entrelaçamos nossos ramos e raízes, nossas línguas e nosso sangue e interminável e ubíqua estrela de cinco pétalas a noite inteira queimamos para eles a nossa carne mais candente” (Kerry Shawn Keys, Fora do jardim ocidental).

Luiz Alberto Machado

Ei-la nua e linda aléia sedutora com seus moinhos de vento e seu jeito adocicado nos meus olhos lunáticos, investida de poderes e errâncias por todas as escolhas enquanto meu coração sobressaltado vira chocalho na sua nudez.

Seu corpo nu é o meu cadafalso por que Deus faz-se visível na sua expressão depravada tal anjo delicado que se profana para minha salvação no prazer e vira uma putinha vertiginosa para demover todas as minhas derrotas na remissão do prazer e me contempla tal Maria clarividente que salta à vista em pessoa: tudo flutuando na sua leveza e eu sucumbindo à tentação do meu desiderato.

Na sua candura obscena faço-me fúria de arpão para conduzi-la às cãibras do ponto culminante onde toda seiva e energia emborram nossas horas tumultuadas.

Lábio nos lábios, toda partilha do querer na lâmina aguda cortando a carne do sexo como a noite na tarde da alma e meu sexo revolvendo suas entranhas como navalha do desejo rasgando a vida em polegadas adentro enquanto a fogueira do gozo traz labaredas espalhadas na pele até tatuar nosso conluio sangüíneo.

E tudo se faz explosão e na inquietude de sua dança murmura em segredo a troca da morte do cotidiano pela vida de instantes que varrem meus receios na armadilha da noite e escorrega na superfície do meu corpo no facho dos beijos pelas litanias.

E que arrebenta o gozo sob blasfêmias histéricas onde tudo incha e treme à deriva dos nossos delírios loucos.

É a nossa agonia desenfreada que explode pele umedecida no ataque da alquimia carnal como uma raiva pontiaguda rasgando todas as escaladas, vazando o mundo, talhos e trapos, suor e piedade na segunda pele e revira, fustiga, pega fogo e cruamente penetra e desfaz flamantes cicatrizes até abrir a última instância na trilha das nossas acrobacias trêmulas.

E como um maçarico a quarenta graus de febre atiçando nosso holocausto eu vou nesta nossa explosão.

E no restolho me esconjura aturdida enquanto goza obscena fazendo de agora o amanhã e depois e sempre e esse gozo nunca terminará na memória do ranger dos dentes, no paroxismo da paixão.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
POESIA & MÚSICA

domingo, outubro 19, 2008

VERA LINDEN



Imagem: Tamara Alves.

O UNIVERSO AMOROSO DE VERA LINDEN

AMAR-TE

Quero amar-te,
Para nunca mais, deixar-te,
Na angústia da espera.
Com o frescor da primavera.
E por primeiro,
Beijar teu corpo inteiro.
Acolher-te nos meus braços,
No calor de meus abraços.
Em nossa alcova perfumada,
Ser tua amada,mais amada...
E repousar tua cabeça, entre meus seios
Te deliciar por todos meios.
Esperar-te toda nua,
Ser somente tua..
Ouvir bater teu coração
Emocionado de tesão
Vais adormecer cansado,
No meu corpo abraçado.
E vais de novo me querer,
E todas vezes, vais me ter.
Minhas mãos te acariciando,
Minh alma e meu corpo te amando!

INCANDESCENTE

No teu corpo, a descoberta
Traz a minh alma aberta,
Às mais divinas sensações
Todas as transformações.
Metamorfoses loucas,
Vozes roucas.
Gritos abafados,
Gemidos não podem ser calados.
O dia recebe a lua.
A liberdade me deixa nua.
E me ensinas a amar,
Aprendo a te excitar.
Acendo o teu vulcão.
Faço tremer teu coração.
Tua boca me descobre,
Me percorre
Teu calor se espalha em mim,
No teu gozo sem fim.
Nada é pecado ou indecente.
Tudo é amor incandescente.

DE CORPO E ALMA

Vem adoçar o meu corpo,
com teu mel sublime.
Vem me fazer de ancoradouro,
Do teu desejo.Me redime.
Pulsar no meu corpo e no meu sexo.
Dissipar esta espera sem nexo.
Fundir tua paixão,
Toda na minha.
Vou te fazer suar,
Suspirar
No êxtase,
No frêmito,
Na ânsia do gozo eterno.
Múltiplo,
Infinito.
Flutuar,
Alcançar a eternidade,
Num segundo,
No maior prazer do mundo.
De corpo e alma.

A HORA VESPERTINA

Na doce hora vespertina,
Me fazes menina.
Beijo-te inteiro.
Foste o prazer primeiro.
Repousas e, em tua suave respiração,
Está crescente a minha excitação.
Fagulhas alimentadas pelo vento.
Corpo em chamas e atento.
No leito morno, o teu corpo formatado
Este corpo sempre jovem e amado.
Será este meu amor, que conserva
A juventude em ti? E te preserva ?
Teu cheiro e tuas marcas ficam em mim.
Ah! Tão gostoso amar-te assim...
Nesta hora, pelo sol dourada
E, eu inteira, me sentindo amada.

VERA LINDEM – a poeta gaucha Vera Linden começou sua vida literária ao 10 anos de idade quando vencei um concurso na escola, ganhando uma bolsa de estudos para concluir o primário. Depois ganhou alguns prêmios em Vila Veha e São Leopoldo. Já trabalhou como assistente administrativa, desenhista técnica e instrutora do Senai/Noturno até aposentar-se. Agora se dedica a escrever artigos, cartas, contos, cordel, crônica, infantis e poemas.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
POESIA & MÚSICA

segunda-feira, outubro 13, 2008

FRIEDRICH VON LOGAU



Imagem: Jupiter and Danae, 173, do pintor do Rococó italiano Giambattista Tiepolo (1696-1770)

A DIETA DO BARÃO DE VON LOGAU

A BOA DIETA

Carlota dissera ao seu doutor
Que lhe agradava, de manhã, fazer amor,
Embora à noite a coisa fosse mais sadia.
Sendo ela prudente, resolveu
Fazê-lo duas vezes ao dia:
De manhã, por prazer
De noite, por dever.

FRIEDRICH VON LOGAU - Friedrich von Logau (1604-1655) um dos poetas barrocos de língua alemã, autor deste simples poema, proveniente de um epigramatista sintético, certeiro e preciso. Ele dedicou-se principalmente ao epigrama que cultivou em termos de um moralismo que antecipa o racionalismo Frances do século XVIII. Em seus epigramas, ele criticou, sobretudo, o cosmopolitismo dos costumes, a intolerância religiosa e os desregramentos eróticos.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
REVÉLLON & CONFRATERNIZAÇÃO TATARITARITATÁ!!!

sexta-feira, outubro 10, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: Harry Candelario

ENCONTRO DO PÍCO VIGOROSO AO TERRAÇO DA JÓIA

Luiz Alberto Machado

Primeiro tempo: do flerte à dança, o desvario da paixão

Agora o momento conspira favoravelmente e mais persevera quando flagro a divícia de toda a sua compleição convidativa que dá provas inequívocas do requinte da sedução.

Eu mereço, tenho certeza, esse pulcro e luzidio jeito menina sapeca a me enfeitiçar com o semblante misto entre angelical e satânico, com um cumprimento no olhar chamativo num estro a não perder jamais de vista – pálpebras lânguidas de inesperadas ternuras, suspiros ao léu, com o frêmito nos lábios com gosto de primavera vigente, com jeito dócil no pescoço a descoberto, nas alças fulgurantes da blusa a expor toda a atmosfera do decote emanando fulgurante pôr do sol entre os seios de fruta no pomar, com indulto na cintura que vai dar na circunferência da saia colada no corpo Maracanã das minhas emoções – corpo matéria-prima do milagre -, girando, girando a exalar o frescor da vida para meu sobressalto e delírio.

É espetáculo demais de desejos entreabertos para o trapézio do amor, onde os beijos estalam adocicados e insinuam jogadas na pequena área de nossas contumazes deprecações de satisfação; que saltam do seu olhar de ébano a desnudar-me a alma e levá-la folha seca pela ventania forte e nas vazantes etéreas de sua imantação, que me dá conta dos seus lábios rubros e que por tal fresta vem o sopro vital nas minhas narinas e me assalta o toque macio que ao menor contato me eletriza a ponto de invulgar combustão pélvica e que nos abrasa a embolar no meio de campo a confundir de nós a própria vida.

É chegada a hora e pronto já test-drive vou margeando, contornando, walkaround, até cravar as minhas garras nessa delícia geográfica além do querer, aspirando do infinito nas asas da sua graciosidade que dá o braço a torcer, tomada de assalto pela minha agonia faminta e já se faz pronta na rendição dos meus galanteios mais lúbricos.

Segundo tempo: a nudez, o toque e o prazer estufando o gol do amor

Vê-la nua é o sabor do instante na maravilha de estar vivo, onde me faço ourives a deslindar toda alvura carnuda imarcescível de sua extrema condição de amante, carregada com nova leva de carícias para o meu estopim mais arvorado.

O seu corpo é a cidade onde habito com todos os temores e explosões, onde cultivo a crença que professo quando o dia começa a romper, onde semeio o que há de melhor em mim para a completa comunhão do dar e receber.

É o seu corpo o verdadeiro prêmio que cobiço, é a estrada que transito e me perco e me encontro quando me expõe os seios, montanhas do Cáucaso de meus delírios, à minha bocarra insaciável devolvendo a plena vida sugando o sal da terra.

Eu solapo todas as medidas com o exame tátil de nossas inquietações na furiosa tempestade a devassar todos os limites dos domínios e nas dimensões do seu corpo que predispõe a loucura do gozo e vou num ritmo ideal de jogo com todas as firulas e mando de campo, encarando a zaga e na jogada, lance de bandeja, vou buscar a enfiada profunda para alcançar o conteúdo das suas redes mais ao rés-do-chão do paraíso almejado.

Eu corro perigo com o assédio dos seus encantos como se fosse o meu refeitório eivado de luxúria de completa adrenalina quando penetro entre as suas pernas oblíquas e avultamos nossos urros, nos dizimamos um ao outro em nossos apegos mais íntimos, até que nossos corpos caiam estiolados fenecendo de prazer.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
REVÉLLON & CONFRATERNIZAÇÃO TATARITARITATÁ!!!

quarta-feira, outubro 08, 2008

Maria Hilda de J. AlãO



Imagem: Lee Jones.

A POESIA ERÓTICA DE MARIA HILDA DE JESUS ALÃO

TU ME CHAMASTE

Ajoelhei-me na areia nua
De braços abertos para lua,
A trança cobrindo o bico do seio
E tu me chamaste de sereia.

Acariciaste meus cabelos
Retirando a trança do seio,
E com olhos de entendido em arte
Tu me chamaste de Vênus.

Cobriste minha nudez com folhas
De carícias ardorosas
E ao exalar meu perfume
Tu me chamaste de rosa.

Tua boca tinha fome
De outra boca, a minha,
E no encontro das línguas
Tu me chamaste de amada.

O beijo veio quente, úmido
Como a terra em cio primaveril
Que deixa no ar um gostoso calor,
Então eu te chamei de meu amor.

EROTIQUINHA

Eu não encontro palavras
Para expressar o que sinto
Quando abro o cinto
Soltando as travas
Da prisão da tua calça.
O pássaro vôo alça
Entrando de cabeça
No labirinto apertado,
Quente e molhado,
De onde jamais sairia.
Pela liberdade não lutaria
Escravo ele seria,
Eterna e gostosamente,
Do labirinto apertado.

A BUNDA DA MARIQUINHA

Mariquinha, menina sapeca,
Enlouquecia os moleques
Com sua bunda arrebitada
E seu andar de prostituta.

Empinava os peitos,
E a molecada sonhava
Meter a mão no decote
E apalpar cada centímetro

Daqueles lindos peitões
Que lhes arrepiavam a pele
Fazendo enrijecer os pintinhos
Ainda infanto-juvenis.

Foi na festa anual da escola
Que a bunda da Mariquinha
Virou notícia de jornal,
Até foi tema de carnaval.

Porque ao rodopiar pelo salão
Nos braços do Bastião
Voaram pelos ares os enchimentos
Que moldavam artisticamente

Aquele bundão tão desejado.
Foi uma gritaria geral.
Todos riam e corriam
Atrás da Mariquinha,

Envergonhada e sem bunda
Para enfiar a mão no decote
E conferir se os peitões
Eram reais ou de panos.

ORGASMO INFINITO

Do toque da boca num corpo
Nasce o desejo que é a caldeira
Onde o amor vive em ebulição.

E vem o poeta trabalhar a imaginação
Com suas palavras sonoro-eróticas
Inventadas por sua libido vulcânica.

Elas sobem ao espaço quebrando
O silêncio do cosmo que explode
Num grito de orgasmo infinito.

GEMIDO DE PRAZER

Vibram as fibras retesadas
De nervos e carnes.
Cantam as cordas vocais,
Bate o tambor das têmporas
Anunciando teu gemido de prazer.

É som que reboa no meu corpo
Dilatando todos os átomos,
E como vendaval espalha pelo ar,
Diluindo-os em suave perfume
Esse teu gemido de prazer.

Teu gemido lembra a chuva
Caindo na terra seca,
Ávida do líquido vital
Para gerar no seu ventre
As flores e os frutos.

Faz-me cometer sacrilégio
Comparando-o a uma oração.
É lume que faz arder a tocha
Iluminando o universo do quarto
Esse teu gemido de prazer.

Prende minh’alma entre raízes
De sensações que os corpos promovem,
E no momento do início da vida
Passo a entender a morte
Com esse teu gemido de prazer.

O ATO DA POSSE

Acendem-se os círios dos olhos,
Espargem a água benta
De suas bocas nos corpos,
Como animais se lambendo
Para sentirem o sabor
Da matéria fecunda do amor.
Não há saciedade de apetite
Nem limite de fantasia.
São feras dessa selva,
Pássaros voando no céu
Cada vez que sentem
A onda de gozo aflorar
Como jorro de água morna
Vinda das entranhas da terra.
A vida se transforma em poesia,
A alma ganha potentes asas.
Não há mudez para os dois,
Libertam-se as palavras asiladas
Em coro celebram o ritual
Dum corpo dentro de outro.
Nesse momento é só pirotecnia
Num espaço que se torna infinito
Pela grandeza que tem
O ato de se possuírem
O homem e a mulher.

ENTRE PERNAS MUSCULOSAS

Sentada em frente do mastro
Plantado entre pernas musculosas,
A mão nervosa descia e subia
Hasteando a tesuda bandeira
Do homem que gemia e gozava
Na hora em que sol se levantava
Iluminando o seu leito de trevas.
O jorro escorreu pelo mastro,
Branco qual espuma do mar
Formando na mão parada
Um lago de água cremosa
A escorrer por entre os dedos.
Mas o corpo tem seu desejo
De outro para enredá-lo.
Melhor que a mão é a caverna
Com estalactite clitoriana
Para fazer o mastro se perder
Nos labirintos do orgasmo.

ONDE BOTEI O MEU BILAU!

Saciada levanta a cabeça,
Rosto besuntado de pomadas,
Senta na cama a velha travessa,
Depois de horas de garibadas.

Estica o tronco, arqueia as omoplatas,
Risos sarcásticos da boca lhe saem.;
As tetas são duas pelancas que caem,
Como folhas em superfícies chatas.

Na penumbra dorme a gosto,
Depois de homérica carraspana
O malandro, filho de bacana,
Para quem mulher é tira-gosto.

Revirou o corpo nu nos lençóis
Procurando a quente garupa,
Sentiu cinco dedos como anzóis
Vincando seu peito sem culpa.

Despertou, finalmente, o cara-de-pau,
Olhando para quem pensava ser Vênus,
Sentiu um asco que lhe refletiu no ânus
Gritando: - Mãeee, onde botei o meu bilau!

PERFUME DE CIO

Teu corpo é uma parede
Incendiada de desejos,
As mãos são labaredas
Subindo-me pelas pernas.

Espalmam-se no meu peito,
Massacram meu coração
Com tentáculos de afagos
Contornando a silhueta.

Sentem a minha carne
As mãos de carne que são tuas,
E se banham no suor
Do meu prazer que transpira.

Penetras o meu mistério...
Sinto tremer as tuas formas,
Teus olhos revirados parecem
Duas luas em gozo frenético.

Invade-me o teu perfume
De cio que se evapora,
E na placidez dos carinhos
Nossos braços viram asas

Porque somos pássaros gêmeos,
Gerados no mesmo ovo,
E a nossa paixão é um ninho
Onde acasalamos nossos corpos.

MINHA NUDEZ

Voavas sobre a minha nudez
Como pássaro de primeiro vôo,
Descobrindo mistério de selvas
E de águas correntes
Que vão à direção do mar,
Unindo-se em beijo agridoce
Num gemido sacrílego
Da minha garganta pagã,
Abrindo portas de catedrais profanas,
Onde, devoto, genuflexo recebias,
A hóstia sagrada do meu corpo
Em rito de luz iluminando altares
Vindo do meu humano prazer
Que não se apaga, só esmorece,
Voltando a brilhar intensamente
Com o toque sutil dos lábios teus
Nos interruptores dos meus seios...

TUAS MÃOS

Por meu dorso e por meus seios
Tuas mãos morrem de amores,
De tão atrevidas me causam rubores,
E fazem aflorar lúbricos anseios...

Por elas quero ser domada,
E ao teu peito ser acorrentada,
Toda vez que liberte a fera ansiosa,
A volúpia que me faz tão fogosa...

Quero que dominem meu desejo com jeito,
E seu toque aumente-me o pulsar do coração,
E juntas orem ao deus do amor com devoção,
No branco altar do nosso leito...

E no meu corpo, querido amante,
Embevece-me tuas mãos contemplar
Tateando, e tua boca a procurar,
Da flor, o botão para beijar...

FALO DE TI.

Falo de ti a todo mundo.
Falo do brilho do teu olhar
Que vive sempre a faiscar,
Do gosto que sinto ao beijar
A tua boca que sabe a mel.
Falo de ti às ondas do mar,
De quem roubaste o sal
Que dá sabor ao teu suor
Bebido em noites de amor.
Falo de ti às aves que parecem acenar
Quando migram para outro lugar,
E como elas partiste um dia
Em busca do calor de outros braços.
Falo aos céus da tua volta,
Da saudade e dos teus anseios
De ter perdida, entre meus seios,
A mão forte que me ampara,
Que ocupa todo o espaço
Do meu corpo, para feliz,
Repousar no meu regaço.
Falo de ti a todo mundo!

OS AMANTES

Ele

Ora, não vás saindo à francesa.
Odeio as tuas nádegas redondas,
Tens-te como rainha da beleza,
Desejo-te comida por mil anacondas.

Ela

Metido! Orgulhoso dessa tua estatura,
Pareces um tronco desfolhado no inverno
À espera que um lenhador de má catadura
Decepe o teu “orgulho”, mandando-o ao inferno.

Ele

Pára de falar, ó gralha arrogante,
O “orgulho” sempre esteve sob a tua saia
Rígido, e tu de forma extravagante,
Fazias dele pingente no decote tomara-que-caia.

Ela

Isso porque esperava que ele fosse açoite,
Que me vergastasse a pele branca...
Coitado! Mal entrava na caverna à noite
Adormecia, eu digo isso de maneira franca.

Ele

Pudesse eu te algemar pelo pulso,
Ó geleira vinda de terras estranhas,
Levar-te-ia aos confins num impulso
Para o sol derreter tuas entranhas.

Ela

Num mar de inveja nadas e bóias...
Da força do teu despeito eu fico pasma,
Tuas palavras são o silvo de mil de jibóias,
Dessa masculinidade não vejo nem o fantasma.

Ele

A esta tua opinião a outra não adere,
Pergunta-lhe como sou nos lençóis mornos
Da cama onde à noite ela me fere
Com a língua no meu corpo todos os contornos.

Ela

Eu sabia que não eras nenhum monge,
E que sempre dormias no sul e no norte,
Mas o que não advinhas nem de longe
É que corno serás até a morte...

Ele

Nossa discussão já se estendeu demais.
Vem! Quero te dar um abraço gostoso.
As palavras só me excitam mais.
Vem! Sinto o meu “orgulho” nervoso.

Ela

Então, aquece com as mãos meus seios frios,
Aperta-me com a força dos teus braços
Porque no fim do ventre eu sinto calafrios
Só de pensar nos movimentos lassos

Do teu “orgulho” longo e potente,
Explorando a minha concha submissa
Como intruso que entra sorrateiramente
Numa capela proibida para ouvir missa.

Ele

Abre-te para mim como luz na neblina,
Este teu perfume suave me entontece,
Meu “orgulho” espera, da dama, a boca fina,
Para guiá-lo no mar do prazer, pois anoitece.

MARIA HILDA DE JESUS ALÃO – A poeta, professora e escritora sergipana Maria Hilda de Jesus Alão, é formada em Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Santos, formando-se em Letras. Ela participou de vários concursos de Poesias e Antologias, entre elas a Tempo Definido, Palavras Escolhidas e Livre Pensador, da Editora Scortecci; A Árvore da Vida, editada por Arnaldo Giraldo; Antologia 22 - editada pela Câmara Brasileira de Jovens Escritores; Verano Encantado, Penumbra y Amanecer e Solamente Palabras, do Centro de Estudios Poéticos, de Madrid – Espanha, com poemas em idioma espanhol. Livro publicado – Poemas da Maturidade – Editora Scortecci.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA

terça-feira, outubro 07, 2008

A DELICIA DA PAIXÃO



Imagem: Catherine Deneuve como Séverine no filme La Belle De Jour (1967), do cineasta espanhol Luis Buñuel (1900-1983)

MOLENGA

Luiz Alberto Machado

Nada melhor que a sua chegada no mormaço da tarde: carne fresca e trêmula de Luisa Micheletti suspirando desejo dentro do vestido. E eu enamorado pelo decote valho nada mais que menos de R$ 1,99 porque viro a sua criptonita e babo canibal pronto pro repasto delicioso que palpita e seduz entre as suas coxas no saiote que me fazem Goya no seu olhar Natalie Portman quando sou mais que Lobão na cobiça do seu remexido sensual de Vanessa da Mata. É aí que ela se rende, vendida, inheta de manha e cheia de munganga como quem desfila em trajes mínimos pela praia do Janga a me chamar de banguelo na rua, na chuva, na fazenda, ah! Cobiçada prenda que faz ao vivo o que sabe e eu a ela, dois bicudos, dou meu recado e topa tudo autografando a foto e eu D2 carburando na sua fogueira, pronto para incendiar o mundo e o universo. É aí que vou Gustave Courbet enquanto ela Catherine Deneuve nua Séverine no devaneio do meu coração Luis Buñuel me provocando pra que eu seja o motorboy mandando ver na lambreta, levando na maior toda a máquina indomável que nua, linda, implacável vai se insinuando e vou pastorando com jeito e jinga até não resistir sem qualquer empecilho. É quando ela mexe os cílios, desenfreada, finda emo com toda aura domada pela minha certeira ferveção que espragata os tomates, descasca banana, chupa laranja - minha língua vira solo de guitarra Kisser Sepultura reverberando nas entranhas como o meu mergulho na Ponta Verde do seu corpo. Ela ronrona, resmunga, fala feito hap e eu repente como o sol na pele lavando a alma e a jega na sua graça e sanha, porque sou vilão sem papas na língua nem escrúpulo nem nada, sou Nelinho mandando o canudo nela goleira vazada com prazer bola na caçapa, gol, sou goleada, sou passe certo na jogada, ela de voleio e eu gozando na jangada com minha tocha viva e ela sádica porque sou campeão e ganho a taça e o premio Nobel, porque tudo se arregaça, tudo é ignóbil e tudo me dá e tudo dou pra ela, sem piedade nem noção, porque tudo finda dela nua e dada numa gravura tatuada no meu coração.

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segunda-feira, outubro 06, 2008

ROBERT HERRICK



Imagem: Venus, Vulcan and Mars, c.1550f, do pinto do Maneirismo italiano Jacopo Tintoretto (ca. 1518-1594)

OS POEMAS MALICIOSOS E OBSCENOS DE ROBERTO HERRICK

POEMA

Uma doce desordem nos vestidos
Ateia a chama dos sentidos:
A cambraia que cai por sobre os braços
Como se por acaso:
Um laço em desalinho, aqui e ali,
A sujeitar o púrpuro espartilho:
Um punho que se revela, negligente,
Fitas que saem confusamente:
Uma onda que monta (há quem não note?)
Da tempestade do saiote:
Um cordão de sapato em cujo laço
Vejo um civ Il desembaraço:
Movem-me mais do que se a Arte
E por demais precisa em toda parte.

ÀS VIRGENS, PRA QUE APROVEITEM O TEMPO

Peguem seus botões de rosa enquanto podem
O velho tempo ainda está voando
E essa mesma flor que hoje sorri
Amanhã estará morrendo.

O glorioso farol do paraíso, o sol
Quanto mais alto fica
Mais cedo sua corrida tem fim
E mais próximo fica do objetivo.

Aquela idade é melhor, a que é a primeira
Onde juventude e sangue são mais quentes,
Mas, ao serem gastos, o pior, e piores
Tempos sucedem o anterior.

Então não sejam recatadas, mas usem seu tempo;
E, enquanto podem, vão se casar:
Porque, ao perderem apenas uma vez a flor da juventude
Pra sempre ficarão esperando.

A SERPENTE DE SEDA

Júlia, a sorrir, lançou um laço
De seda e prata em minha face.
A seda azul subitamente
Passou, como se uma serpente:
A rapidez me surpreendeu;
Mas se dez medo, não mordeu.
Quando em sedas passeia minha Julia,
Penso: quão docemente flui
A liquefação de suas vestes.
Mas quando lanço minha vista
À vibração que ao seu andar se livra
Sinto cintilações celestes.

A VINHA

Sonhei que esta mortal parte minha
Se metamorfoseara numa vinha
A qual, dando volta sobre volta,
Cativara minha Lúcia graciosa.
Assim, suas pernas e quadris
Co´as minhas gavinhas surpreendi;
Seu ventre, nádegas, cintura,
Rodeei com minhas brandas nervuras;
Em torno da cabeça, eu serpente,
Grandes racimos (ocultos entre
As folhas) prendi às suas têmporas.
Do jovem Baco era Lucia imagem,
Dele preso em sua folhagem.
No colo meus cachos a envolviam,
De seus braços e mãos restringiam
Os gestos (e ali um só, dessarte,
Prisioneiro fizeram tais partes).
Mas quando com folhas fui tapar
As partes que as donzelas do olhar
Alheio guardam, tanto prazer
Eu tive que acordei para ver,
(Ai de mim!) ver esta carne minha
Feita mais um tronco que uma vinha.

ROBERT HERRICK – o poeta inglês Robert Herrick (1591-1674) é autor da peça lírica Héspérides, de 1648, refletindo as graciosas, inspiradas, maliciosas e obscenas poesias de poeta pagão

FONTE:
PAES, José Paulo. Poesia erótica. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.
POUND, Ezra. ABC da literatura. São Paulo; Cultrix, 1977.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA
PALESTRAS
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sexta-feira, outubro 03, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: Estella, de Tuta.

O PÁSSARO VERMELHO NA PORTA DO CINÁBRIO

Luiz Alberto Machado

Na rosa do teu corpo o meu pássaro vermelho rouba os aromas essenciais da vida e toma o fogo do teu coração inquieto e ofegante não ignorando o aliciamento enredado em teus ardis mais obscenos.

Na tua fenda dourada eu vou voluntário enfrentando todos os relâmpagos e tempestades de tuas acrobacias mais perversas e vou potente no enleio de te contrair para que eu possa ter a maior expansão de domínio sobre a entrega dos teus tesouros mais submersos.

No terraço da tua jóia eu empino a sanha e me enfio autônomo cravando dentes, empunhando o sexo e incendiando a alma pela tua assimetria de doce naufrágio assaz vigoroso.

No teu lótus dourado eu vou avançando com minhas arremetidas diligentes pelas ondulações dos mil encantos de sua alquimia sem reservas e despudorada.

No teu vaso receptáculo eu vou surtindo efeito para que sejas o meu carrinho-de-mão de Aretino, malhando na tua maneirice dissoluta, fundindo na tua meiguice depravada e fodendo as tuas inquietações demasiadas de vida.

Nessa avalanche de prazer nossas guelras ficarão expostas à nossa própria lama para que minha serpente possa hibernar tranqüila no esconderijo da íntima união que vem dos segredos da câmara de Jade.

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quinta-feira, outubro 02, 2008

GINOFAGIA




Imagem: Anthony Guerra / Arte: Derinha Rocha.

FEBRE

Luiz Alberto Machado

Em tua carne febril de manhãs amorosas a libertação do poema pelo canto que ensaio presente em meu querer despudorado que se multiplica e nos multiplicamos na minha canção visitante civil e indômita na tua agasalhadora sedução que me faz canção no teu ouvido e a minha volúpia danada não cabe entre teus seios de setembro ensolarado porque a primavera é viva demais no meu inquieto sexo que quer lambuzar com meus poemas atiçadores a tua pele corpo e alma azul inventando a vida para provar de todo o pomar que é a tua inteira carne como a noite e renascida como o dia até tê-la desalinhada e crua, ai meu deus do céu, com teu césio 137 na velocidade 5 dançando nua no meu créu.

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terça-feira, setembro 30, 2008

LARA CARDOSO



Imagem: The Sacred and the Profane Love, detail, 1515, do pintor da Alta Renascença italiana, Tiziano (ca.1488-1576).

OS SENTIMENTOS AMOROSOS DE LARA CARDOSO

ORGASMO

Os teus lábios em meus lábios
pressionando o gozo meu
nas pétalas que se abrem
estes lábios, tão sábios
contemplam-me com o apogeu
Depois do entusiasmo,
nos teus braços, o descanso,
tão pequeno, que morre entre os laços
de um novo abraço
e minha rosa se abre a um novo orgasmo...

FOGO

Moreno, que colocou
o olhar em meu decote,
com seu jeito de fricote
meu corpo arrepiou...
A boca sensual
com aquele sorriso de mel,
meu cio acordou...
carregou-me ao céu
para um mundo irreal;
Arrebatou todas as crenças,
fez um terrível mal
virou a maior das doenças,
um amor sem igual;
Moreno, desfaça esse jogo
apareça e devolva a minha paz
isso não se faz
Não me deixe morrer nesse fogo....

INFIDELIDADE

Quero fazer de conta que é sonho,
de que o vazio não é minha única companhia
e, ainda tenho em mim, o seu cheiro
mas, em vão...
o silencio de minhas palavras se perdem,
nesta escuridão, que mata
e eu sem a sua presença,
sou inteira desejo;
A cama, agora vazia,
traz somente lembranças de um dia
e, ao meu lado, apenas o travesseiro
para quem conto
a vontade de seu beijo,
que o tempo não resgata...
Para salvação imediata
não há nenhuma outra probabilidade,
a não ser este fogo aventureiro,
que me joga nos braços da infidelidade
e, faço amor com a saudade...

SENHOR

Quisera ser a santa
que os teus olhos avistam...
ser a senhora do teu destino,
a que encanta
aos tantos, que transitam
com um jeito felino....
Quanto queria te ouvir
a gritar meu nome pelas calçadas
ser única entre tantas
todo o teu espaço invadir
deixar as pessoas encantadas...
quisera ser essa santa!
Ao invés de ti
eu mesma beijar-te inteiro...
isto já me faria contente
ter-te bem aqui
e, eu sentir o teu cheiro,
do jeito mais ardente.
Nada posso, infelizmente...
tão longe quanto a lua
de meu senhor amante,
mundo incoerente
eu aqui, toda tua
e tu, aí, tão distante....

GOZO SOLITÁRIO

Saudade do quente da tua cama...
minha boca ainda te chama,
o peito clama,
e a pele assanha...
Eriça o bico do peito...
faz de fogo o meu leito,
acho que não tem jeito,
és o meu par perfeito...
Sucumbo ao arrepio...
navego neste desvario,
ao meu tesão alforrio,
e só para ti confidencio...

INACABADO

olhos nos olhos sem nenhum tema...
simplesmente, você e eu
procurando o que se perdeu
como a inspiração de um poema;
Fui delineando o seu coração
como faria um pintor
que, com um pedaço de carvão,
desenha as nuances do amor
Como jamais acontecia
você deu nova versão
e o que pensei ser paixão
soou em nova melodia
O que parecia ser rivalidade
acabou em beijo e abraço,
acertamos o compasso
porque tudo era apenas saudade

NUA E CRUA

Para um apetite voraz
eis-me aqui
esperando deste lado
que um belo rapaz
ouse em ser meu amado
E com gestos doces e firmes
possua primeiramente
a minha razão
faça-me cega de paixão
envolva-me apaixonadamente
E que à cada dia
este amor reafirme,
entremeando-nos de tesão
acalorando nosso clima
e quebrando em mim esta monogamia...
Fico aqui esperando
que esta solidão se dilua
meu coração conclama
a minha alma implora
venha para minha cama,
agora
e eu...nua e crua...
só nesta noite
Vou exorcizar estes fantasmas,
acender velas
e matar os possíveis moribundos
pois, aqui nesta casa,
só pode existir
um amor que não morre jamais
Vou recolher as flores mortas
trocar por outras, tão belas
quanto este seu sentimento,
que atrevidamente tiro dos cantos
para fazer-me companhia...
E neste momento
para meu espanto,
saio deste meu torpor
e corro para nossa cama
sorrateira,
pois, é ali que vou amar
a noite inteira...
Só escrevi...
Nunca juraste amor eterno
mas, fizeste de poucos momentos,
tantas horas felizes
que deixei guardados na memória
Tantos dias se passaram,
nossos caminhos se afastaram
e, lembro ainda, de quando foste embora
levando um pouco de minha história...
Como o curso do rio
que segue a sua trajetória
fizeste a viagem de ida
e só a saudade ficou...


LARA CARDOSO – A poeta, escritora e psicóloga paulista radicada na capital sul matogrossense, Lara Cardoso tem seus trabalhos literários publicados em diversos sites, blogs e portais da rede. Na Usina de Letras ela reúne parte do seu trabalho.

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segunda-feira, setembro 29, 2008

MATHURIN RÉGNIER



Imagem: Woman with Parrot, 1866Oil on canvas, 129.5 x 195.6 cm, do pintor do Realismo francês Gustave Courbet (1819-1877)

UM EPIGRAMA DE MATHURIN RÉGNIER

EPIGRAMA

A língua ontem me atraiçoou.
Conversando com Antonieta,
Disse eu "Que foda!", e ela, faceta,
Fez cara de quem não gostou.
Muito embora comprometido,
Vi, pelo rubor do seu rosto,
Que o que eu disse dava-lhe gosto,
Mas noutro lugar, não no ouvido.

MATHURIN RÉGNIER – o poeta satirico frances Mathurin Régnier (1573-1613) é autor de inúmeras coleções de desregrado e satíricos poemas e epigramas, tendo, sua obra, várias classes poéticas a partir das regulares satiras em alexandrino, ou com vários metros vigorosos e peças leves com considerável licença de linguagem com formato ocasional, sem pormenores, mas de forma licenciosa, pitoresca e violenta. Para José Paulo Paes, ele levou uma vida de libertinagem. Enquanto poeta, opôs-se ao classicismo de Malherbe e retomou a lição de Villon e Rabelais para, com veia satírica, pintar os vícios da sociedade francesa de sua época.

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sexta-feira, setembro 26, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: Wounded Amazon, 1904, do pintor e escultor do Simbolismo/Expressionismo alemão Franz von Stuck (1863-1928)

O TALO CORAL NA FENDA DOURADA
(ou viajando ao centro do teu corpo)


Luiz Alberto Machado

Em nós fez-se ontem para o que haverá
E eu guardei o meu sorriso no teu corpo e nele renasço em sol no mormaço das cores de tua nudez maior que a manhã.

Porque eu viciei todos os rios que vão dar no Sneffels do teu cio estonteante,
Porque eu mergulhei nos quatro mil e quinhentos graus centígrados de tua compleição sedutora, demolindo tuas fronteiras, deliciando o teu magma, saciando tua fenda dourada onde a minha língua faz festa com o fascínio que te ilumina a carne, ouro da minha cobiça, mel no meu paladar, alvo da minha flecha certeira.

E mesmo que tudo se faça na perda, o desfeito em ti se refaz porque já vai longe o beijo roubado embaixo dos desejos quando moqueada pela minha gula insaciável.

E mesmo que ainda amanheça, permanecerei insone porque buscarei teus olhos em todas as esquinas do tempo, porque buscarei tuas mãos nos confins dos espaços, porque buscarei tua exuberância desabotoada no manto acolhedor da pele descoberta, até que te sinta presa extravasada pelo embarque do meu relho deslizante no assoalho íntimo de tuas inquietudes abrasadas.

E quando te acercares da minha possessão medonha, eu sugarei teu veneno de serva Afrodite, me fartarei de todos teus humores e abocanharei tua reclusa para fruir incessantemente toda satisfação universal.

E quando tudo explodir de nossa completude, eu te serei arrimo a juntar os cacos do que sobrar reanimando a vida.

E ainda que eu possa apenas me valer do dia e da noite, reinventarei tudo em ti para que seja acesso do meu próprio ser.

E ainda que não nos baste esta vida e tantos desvarios outros, reencarnarei tantas e quantas vezes em tua pose escancarada e nua para que se possa renascer todas as entregas atemporais e mútuas.

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quinta-feira, setembro 25, 2008

MARIETA CRISTINA DOBAL CAMPIGLIA



Imagem: Cloudis.

DOIS RELATOS DE MARIETA CRISTINA DOBAL CAMPIGLIA

ALGO DELE

As mãos invadiam-na com a intimidade de bichos vivos,percorrendo suas entranhas quentes e assustadas.Parecia que iriam se perder por dentro, arrancando alguma coisa sua (ou quem sabe, virando-a prazerosamente do avesso).
De alguma forma esquisita, a água fazia parte do desejo enorme, e de repente teve vontade de possuir o mar, as chuvas, os rios... mas sentiu-se seca e com vontade de afundar. Não havia luz nem escuro, nem penumbra: era como ficar fora do mundo, em algum lugar como um trapézio, suspensa.
Havia subido (algum lugar alto do qual contemplava o ventre, porque nele concentrava-se o prazer). Num instante de mistério, o corpo todo chegou lá encima, e adormecendo todos os músculos(até os olhos,a língua,as asas que parecia ter)despencou como de um penhasco em sono profundo.
Um som de ridículas campaínhas tirou-a do pico da montanha (e quase caiu no precipício): era hora de levantar.
"É difícil amar assim", pensou. Pelo menos tinha dele o pensamento, a sensação da presença. Somado ao solitário prazer de pensar seu beijo, estava a vontade de ser invadida- que parecia não deixá-la em paz. Mas sempre, depois de se atirar no penhasco; havia algo dele que a acompanharia pelo resto do dia. Havia?

JULIANA QUASE CHEGANDO LÁ

Seus músculos doíam e resistiam a entregar-se: não conseguia pensar em transar com ninguém, nem mesmo em olhar para algum homem que pudesse seduzi-la. A dor que ficara da ida do Arnaldo era tão forte que não ousaria sair desse estado (até quando? Como seria? Quanto tempo lhe custaria?). As perguntas não verbalizadas também lhe incomodavam, principalmente à noite. Mesmo curtindo sexo como acreditava ser seu caso, nada parecia ter o poder de tirá-la dessa coisa sem graça. Vivia a sensação da famosa parede lisa, tão lisa que por mais que arranhemos não nos permite fincar as unhas. Lisa, a vida estava lisa como uma parede de azulejos...
Naquela noite era a festa da Solange. “Tenho que ir”, pensou Juliana. “Tenho...”
Vestiu-se sem vontade, jogou na roupa uns poucos pingos de perfume sem muito cuidado e desligou a televisão que embora ligada, falava sozinha. “Nenhum clima para festa”, pensou.
Ao chegar não havia vaga para estacionar perto do prédio da amiga. Dava para escutar música dos andares superiores do prédio, e na rua muito barulho de carros. Gente nas calçadas, vendedores ambulantes, cachorros (já vira dois) e ela, que deixara seu carro bastante longe da entrada do prédio. Andava com os músculos que pediam para ficar deitada, mas desta vez ela os convencera de que não era possível dormir cedo. Dormitar, virar na cama, tentar qualquer coisa para chamar o sono: desta vez teria que fingir gostar de estar na festa de sua melhor amiga. O presente- o livro que comprara para Solange- acabava de perceber que ficara no carro. “Droga”, pensou “tenho que voltar”. E lá foi. Ao chegar perto do carro, de salto e incomodada porque a rua era íngreme e teve que subi-la; assustou-se ao chegar bem próximo do carro. Um homem de jaqueta de couro surgiu do outro lado do carro, onde estava abaixado, com uma arma que apontou próximo a ela: “aí, princesa, entra no carro”, mandou. As mãos e pernas de Juliana tremiam sem controle. “Entra, caralho!”, repetiu o homem. Ela obedeceu, e o homem –que já abrira a porta traseira, entrou junto com ela. “Vai, dá a partida”, “vou ter que procurar a chave na bolsa”, disse “me dá a bolsa aqui”, e arrancando a bolsa de sua mão, virou-a no banco de trás, sempre mantendo a arma junto ao corpo de Juliana, com o braço esquerdo esticado entre os bancos da frente- fazendo tudo para não chamar a atenção, mesmo contando com que ninguém olharia para dentro do carro, pois os vidros eram escuros... “Vai, dá a partida”, “...e não olha muito pra mim, vamos dar um passeio...”
Rodaram por mais ou menos quinze minutos, afastando-se do centro da cidade. Juliana começou a sentir náuseas, e tentou dizer- mas o homem, que agora acendia um cigarro, interrompeu dizendo que calasse a boca.
Chegaram numa rua escura, perto de uma estação de trens antiga e abandonada. A noite estava ficando fria, e Juliana não conseguia parar de tremer. “Tá vendo aquele galpão aí na frente?”, perguntou o homem. “Sim”, respondeu. “Desce do carro e vamos para lá”.
Os dois desceram. Não havia uma pessoa sequer por perto, e as lâmpadas dos postes estavam quebradas. Terceiro cachorro que via, e que não lhes deu a mínima; passou na calçada da frente.
Entraram no galpão por uma porta lateral que o homem abriu com facilidade.
O cheiro de gasolina era forte, ou era talvez querosene- algo parecido...O lugar tinha uns seis ou sete metros de cumprimento, as paredes pareciam sujas e no chão, contra a parede à esquerda, um colchão de casal com uns cobertores sobre ele. O homem acendeu uma lâmpada de luz bem fraca perto da porta que iluminou o local, que ficou na penumbra. Havia uma garrafa de vinho num banquinho de madeira no canto oposto e algo que parecia ser um embrulho.
“Você vai tirar a sua roupa, e deitar no colchão. Certo?”- disse à Juliana, empurrando-a e puxando outro banco que estava próximo à entrada.
“Não, você não vai me obrigar a isso”, disse Juliana, com a voz Trêmula (“será que tenho coragem de morrer só pra não "dar pro cara?”, pensou com ela mesma) e o homem repetiu : “gracinha, não me faça fazer o que não quero. Você vai tirar a roupa e fazer o que mando”...
As sensações de Juliana eram avalanches de impulsos contraditórios. Algo a excitara de repente, e ao mesmo tempo estava morrendo de medo. Sentia-se molhada entre as pernas, e não sabia diferenciar o que era...Parecia haver menstruado, mas sabia que não. Não se permitia a idéia absurda de estar excitada com aquilo...
O homem sentou-se no banco, à frente do colchão, e repetiu que tirasse a roupa. Ele, agora sem o cachecol que cobria seu rosto, mandou-a deitar.
Juliana, sem nada a fazer, obedeceu. Toda atrapalhada retirou a roupa, e antes de tirar o sutiã e a calcinha, olhou para o homem (e não pôde deixar de perceber -e admirar consigo mesma- os belos traços que agora ele não escondia... Tinha olhos escuros e um rosto que parecia desenhado, cabelos pretos, lisos e algo compridos, caindo sobre a testa.
Ao admirar o homem, sentiu-se entregue ao que viesse, e pela primeira vez em tantos meses, a parede não mais era de azulejos, e não estava lisa : ela conseguia sentir que a arranhava...Seus músculos agradeciam continuar existindo.
O homem retirou a calça, desabotoou a camisa, e disse, pegando firme nos braços de Juliana : “então, vamos lá: fala pra mim que você não quer dar, e eu te deixo ir...fala...”
Juliana sentia o coração bater com tamanha força, que parecia sair pela boca, e só conseguiu dizer “não” com a cabeça...
“Não o quê, vagabunda? Vai dizer que não quer dar ou que não quer ir embora?”
“Hein?”- perguntou o homem, sacudindo-a ...
Ela não conseguia falar, e apenas encolheu os ombros como se estivesse indiferente.
“Tá bom, vou considerar que tá a fim”, disse o homem, deitando-a no colchão com certa inesperada delicadeza.
Foi beijando o corpo de Juliana por inteiro, deslizando as mãos como nunca ninguém o fizera, enfiando a língua em todos os buracos possíveis... Juliana, gemendo de prazer pensou em como iria se olhar no espelho depois, como iria enfrentar a vergonha do acontecido, mas nessa hora pouco importava, porque nunca sentira tanto prazer. As mãos do homem a percorriam com incrível destreza, até que sentiu-se tremendo dos pés à cabeça, e percebeu a língua quente penetrando-a, fazendo suas pernas se abrirem cada vez mais, até que subitamente escutou um barulho estranho que a assustou. Era a campainha da porta de entrada acordando – a . Hoje era sábado, e a dona Matilde chegara para a faxina... E na verdade, o aniversário de Solange já acontecera semana passada...

MARIETA CRISTINA DOBAL CAMPIGLIA – A uruguaia radicada em São Paulo, Marieta Cristina Dobral Campiglia é profissional da área de saúde, com graduação em Enfermagem e Mestrado pela Unifesp, em Saúde Mental. Ela coordena o curso de graduação em universidade particular paulista. Também é autora de poemas, contos, crônicas, artigos, dentre outras expressões literárias.

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terça-feira, setembro 23, 2008

DELÍCIAS DA PAIXÃO



Imagem: Reclining Nude, 1897, do pintor e printmaker do Pos-Impressionismo francês Henri de Toulouse-Lautrec (1864-1901)

BARREIRAS: UMA LOA PREVENDO O FIM

Luiz Alberto Machado

De manhã ela diz que me quer. Cândida exaltada enfeitiça meus sentidos e vira tudo de ponta à cabeça, até que tudo enlouqueça em mim, ao nosso redor.
Nessa hora ela é a andeja dos meus labirintos. É quando fica altiva, lábios escarlates, corpo exultante, desejo engolindo tudo. Aí completamente transida, monta na minha virilidade, apronta, faz comícios, rola no frevo, perece nas águas do meu corpo e ao sobejar eriçada aos grandes goles. Sua gula é maior e reverbera com suas mãos pegando fogo, sua língua em brasa, seu corpo queimando louca e incendiando minha alma destroçada. Aí judia gostoso, faz o que bem quer: tem minha vida, minha nuca e meu calcanhar. Dá-me tudo e nela erijo a minha gólgota. Somos um no gozo e na vida.

Quando é de noite ela diz que me quer, mas não. Ela devasta tudo ao derredor, faz limpeza geral e cai no buraco negro de esquecer e de lembrar. Indecisa, sorri e disfarça sua angustia. Quase chora, contida. Fica cheia de não me toques. Parece que nada aconteceu. Dá de ombros e mergulha na sua misantropia. Pede socorro, implora estendida sobre nossas rachaduras. Mas não consegue se libertar de mim que estou grudado nas suas entranhas. É quando ela toca meu bambu e percebe minha sina uakti e revira meus sonhos, sacoleja meus ventos, arrevira minhas marés e vira tudo de cabeça pra baixo. E mias tenta e reinventa no empinado da venta, faz de mim o que quer e depois da gozada, arreia esparramada: jaz feliz da vida. Ainda bem, mas não. Me olha pidona, eu sei, ela quer mais. Mas fica absorta, coberta de dúvidas cavando seqüelas, magoando feridas no peito até rasgar o meu íntimo aniquilado, esmagando meu futuro e pisando meus andrajos. Ela não me quer mais, apenas provoca a vida com sua nudez que pensei fosse só minha.

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segunda-feira, setembro 22, 2008

FRANÇOIS DE MALHERBE



Imagem: Fanciulla nuda, 1933, do pinto intaliano Francesco Trombadori (1886-1961)

O PICANTE SONETO BARROCO DE FRANÇOIS DE MALHERBE

SONETO

Quinze anos eu passara, os primeiros da vida,
Sem ter sabido nunca o que era esse furor
Em que a dança do cu deixa na alma um torpor
Após a ânsia viril na cona ser remida.

Não que a morte tão doce e tão apetecida
Não me impelisse um forte, juvenil ardor,
Mas o membro que eu tinha, embora lutador,
Não chegava a deixar a Dama bem servida.

Trabalho desde então com pertinácia rara
Por compensar a perda e o tempo que não pára,
Pois o sol no Poente ameaça os meus dias.

Oh Deus, venho rogar-te, meu zelo ajudai:
Para tão doce agir, meus anos alongai
Ou devolvei-me o tempo em que inda eu não fodia!

FRANÇOIS DE MALHERBE – o poeta, teórico e critico barroco francês, François de Malherbe (1555 - 1628), deixou peças de circunstância, odes, estâncias, canções e sonetos que representam um dos exemplos mais significativos da literatura maneirista e barroca. Ele ridicularizou os poetas franceses do séc. XVI, atacando sem piedade sua frivolidade e suas construções elaboradas, preconizando a forma estrita e contida e acentuando o predomínio da técnica sobre a inspiração.É considerado o introdutor do rigor na poesia francesa, exercendo influência sobre os grandes clássicos do século XVII.

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sexta-feira, setembro 19, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: Druuna, de Paolo Serpieri.

A NATA DO PRAZER

Luiz Alberto Machado

Quando enfim flagrei sua presença, jamais poderia imaginar que perderia por completo a noção de tudo.

Estava completamente extasiado com a grandiosa beleza que emanava da fogueira ardente de seu corpo, de seus olhos de mar revolto, de sua boca sedutora, do seu jeito mais que divino e maravilhoso, ali, à mão-tenente.

Nossa, como irradiava onímoda, pojante, escorreita, máxima potranca ao meu dispor de ginete bem-aventurado.

Graças à vida, eis que ela, édule de antemão, sorria a mais linda feição fagueira.

E tudo isso me levava por um redemoinho agitado que eu abdicava de qualquer salvação.

Tomei pé ao possuí-la abrasada e colada ao meu corpo para que eu pudesse exalar a odora maravilha de sua manifestação, enquanto beijava seus olhos de céu, suas faces de maçã, sua boca de sedução.

Nessa hora, o mundo e o tempo se perderam de mim e de nós.

Eu só sentia a saudade morrer de velha e o desejo emergir indomavelmente.

De tão extasiado, não pude conter a exagerada ereção que se insinuava no meu membro dilatado e saliente ao contato de suas coxas.

Eu ardia de prazer e seu corpo me eletrocutava na mais das fantásticas sensações ruidosas.

Beijos estalavam incólumes.

E de tão alvoroçado sequer percebi que encurralado pelo seu domínio, era conduzido por um percurso jamais saboreado.

Eu só sabia de estar ao seu lado.

Nem de longe percebi que transcorríamos longo trajeto até chegarmos onde definitivamente nos fazíamos só para o amor.

Eu estava febril, juro, loucamente febril e só ansiava amar com todo afinco de minha loucura apaixonada.

Estávamos, finalmente, a sós num quarto de hotel.

Ali, a penumbra permitia que pudéssemos nos fitar efígie dada, nos vasculhar, nos acercar de nós, tomar de nós a ciência de tudo que somos e que podíamos nos fartar na mais libertina das vontades.

O escuro não escondia de todo a sua beleza.

E eu devaneava agarrado como quem se entrega definitivamente a tudo aquilo que mais e sempre desejava.

Senti o seu domínio ao arrancar-me a camisa, a demover as vestes, a me jogar com brusquidão na cama e a se deitar por cima de mim como quem está disposta a me sufocar com a maior avalanche de prazer.

Tudo muito desordenado, muito intuitivo.

Queríamos e queríamos tudo.

Até que aos poucos desnudados com displicência, é que pude deparar sua nudez santa e cristalina.

Jamais poderia prever o tamanho cósmico de sua entrega.

Eu verdadeiramente estava entregue, me batizando com o seu suor delicioso, me crismando com o seu desejo demoníaco e incontrolável, me salvando com a sua sacralização pecaminosa.

Não havia como nem desejaria jamais me desvencilhar de tal circunstância.

Eu caía de cabeça no seu feitiço solaçoso.

Daí o ritual.

Senti-lhe os mamilos duros dos seios roçarem meu tronco numa dança sensual de arrepiar-me a alma.

Depois seus ductos expressivos saíram passeando pelo meu ventre, onde tomei uma dose generosa de vida.

Seguiu alada pelas minhas coxas de pêlos eriçados, pelas minhas pernas trêmulas e pelos meus pés esquentados pela louca roçada.

Senti o toque de sua mão exímia no meu calcanhar, meus dedos, solado, tornozelo.

Foi fundo na magia quando pude perceber seus lábios tocarem minhas pernas, sua língua viajando pelo meu joelho, contornando minhas coxas, alisando-me o ventre num ziguezague pra lá de extasiante.

Cheguei ao zênite quando sua mão tocou leve o meu macho cajado iluminado e o fez mais voraz e rijo com a carícia táctil de sua condução, enlevando-me iniciado na sua maestria.

Atravessei sua mística cerimônia, quando fez esfregar minha dura turturina mais que tomada de tesão, pelo seu rosto, por seus lábios, por sua pele sedosa.

Embeveci quando fez uns carinhos cervicais, espremendo majestosamente meu louco membro desajuizado no pescoço, lado a lado, até deixá-lo em riste ao queixo e beijá-lo com um beijo terno e mágico.

Como sucumbi a esses beijos.

Fui ao Nirvana e pude contemplar a maior beleza da vida quando chegou a lamber meu dardo túmido com o veludo de sua língua abissal.

Agitei-me com sua libação como se chupasse bíbula o real manjar dos deuses.

Ah! E como a vida me pareceu ringente e eu mergulhando na catarse oriforme do gozo pleno.

Aí, soltei as amarras, capitoso, deixei-me levar pela sua abalizada sucção e ejaculei o meu elixir para cajila de nossa esfomeada carência.

Ah, quanta maravilha sedenta onde sou sua caça em particular temporada.

Levou-me aos extremos até a última gota da minha satisfação plena.

Não satisfeita, ainda, saiu-me lambendo como cadela no cio, até alcançar-me os lábios e nos beijarmos até a ressurreição dos nossos mais infinitos prazeres.

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FREVO BRINCARTE
HORARIO ELEITORAL PUTO DA VIDA

quinta-feira, setembro 18, 2008

ROSEMARI BOCCARDO



Imagem: Aphrodite, c.100 B.C., Unknown Sculptors

OS VERSOS SENSUAIS DE ROSEMARI BOCCARDO

QUERO SENTIR VOCÊ

Quero sentir suas mãos acariciando meu corpo
Quero sentir sua respiração acelerada
Quero sentir seu calor
Quero sentir você

Quero você descobrindo meus segredos
Quero você sorrindo de desejo
Quero você beijando minha nuca
Quero sentir você

Quero o calor do seu corpo no meu
Quero seu corpo no meu
Quero sua boca na minha
Quero sentir você

Quero o seu prazer no meu prazer
Quero meu prazer no seu prazer
Quero ser sua
Quero sentir você

BEIJE-ME

Vem para mim amor
Faça-me feliz em seus braços
Deixe-me sentir seu calor
Beije-me

Deixe-me sentir seus braços
Suas mãos no meu corpo
Sua boca na minha
Beije-me

Faça-me carinhos
Deixe-me louca de desejo
Satisfaça minha vontade
Beije-me

Deite-se ao meu lado
Abrace-me forte
Sinta meu coração bater
Beije-me

Beije-me hoje
Amanhã
Sempre
Beije-me

SAUDADES DE SEUS BEIJOS

Saudades de seus beijos
De seus carinhos
De suas mãos percorrendo meu corpo

Saudades de seu olhar cheio de desejo
De seus gemidos e suspiros
Das minhas mãos percorrendo seu corpo

Saudades do seu calor
Do seu gozo
Do meu gozo

Saudades de sentir você em mim
De me faz sua
De ser meu

Saudades

BANHO DE ESPUMAS

Brincamos de crianças grandes
Quando entramos na banheira cheia de espuma
E nos sentimos sensuais, crianças
E com uma vontade louca de nos amarmos

A água cheia de espuma e perfumada
Nos embriaga, nos transforma
De crianças a seres adultos
Com um desejo insano um pelo outro

Escorregamos de um lado para outro
Até que ofegantes nos encontramos
Nos agarramos
Nos acariciamos

Fazemos um amor louco e escorregadio
Cheio de perfume e espuma
Que cobre nosso corpo
Mas descobre nosso desejo

E quando conseguimos nos unir
Ah! Como é bom sentir a água participando
Do nosso amor
Nos dando a sensação e sermos um só
Com a espuma e nossos corpos unidos

Num grande e sensual gozo
Nos damos o prazer que há muito desejávamos
Estarmos juntos numa banheira
Fazendo amor
Com muita espuma e um perfume
De odores misturados
Do nosso corpo, do nosso gozo
Da alma saciada e o corpo cansado

TE QUERO COM ARDOR

Sentir seu corpo no meu
Sentir seu calor
Sentir seus beijos
Sentir você

Te quero com ardor
Com amor
Com desejo
Com paixão

Vem meu amor
Acalmar meu desejo
Aliviar meu ardor
Me amar com paixão

Deixa-me sentir você em mim
Deixarei que me sintas em você
E no final nossos suores misturados
Nos dando a noção de nossa paixão

AIHHHH! QUE SAUDADES DE VOCÊ

Aihhh! Que saudades de você
Como você me faz falta
Seu olhar no meu
Suas mãos nas minhas
Sua boca na minha

Aihhhh! Que saudades de você
Me beijando
Me amando
Me fazendo sua

Aihhhh! Que saudades de você
Me dando prazer
Sem pudor
E eu me deixando
Entregue sem favor

Aihhhhh! Que saudades de você
Do seu corpo me penetrando
Das suas palavras sussurradas
Do seu desejo
Do meu desejo

Aihhhh! Que saudades de você
Do seu prazer no meu corpo
Do meu prazer no teu corpo
Do carinho
Das mãos
Do suor
Aihhhh! Que saudades de você!!!

SINTO SUA BOCA

Sinto sua boca tomando a minha
Me possuindo sem pudor
Um beijo indecoroso, cheio de desejo
Um beijo cheio de paixão, como eu me recordava

Fizemos loucuras, sem pensar nas conseqüências
Foi um momento especial, onde me deixei levar
Pela paixão e desejo do momento

Não importava onde estávamos
E se alguém nos observava
Queria apenas sentir você
Queria que me sentisse

Quero sentir seu beijo tomando minha boca
Tomando meu corpo
Me fazendo arder de desejo e paixão
Quero você, nem que seja para não te-lo

SEM PERGUNTAS

Um calor toma meu corpo
Uma urgência do seu
Uma busca desenfreada pelo prazer
Uma busca por você

Seus lábios tomando o meus
Suas mãos procurando meu corpo
Dedilhando como se fosse um instrumento musical
E da minha alma saem gemidos, como música

Quero ter você em mim, mais uma vez
Quero ter você no prazer do prazer
Quero ter você no desejo puro
Quero ter você no meu corpo agora

Urge que venha rápido
Me tome em seus braços
E me faça sua
Sem perguntas
Sem explicações

Apenas me ame mais uma vez

MOMENTOS INESQUECÍVEIS

Vestida de odalisca e você de sultão
Dancei a dança do ventre para seu deleite
Me esmerei, com ondulações e olhares
Te seduzi!!!

Fui a primeira mulher a te seduzir
Fostes o primeiro homem a me beijar
Fui a primeira mulher que você gostou
Fostes o único homem que amei

E quando nossas fantasias caíram
Quando nossos corpos se tocaram
Quando o suor inundou nossos corpos
Quando nossas bocas se uniram

O mundo parou, nada mais existia
A não ser a sua respiração e a minha
A sua fala tremida e meus gemidos de amor
Seu corpo, meu corpo, nossos corpos

Enquanto durou, o mundo parou
E continuou parado por muito tempo
O tempo em que ficamos abraçados
Sentindo nossos corpos satisfeitos

Depois colocamos nossas fantasias
E voltamos ao mundo real
Que gira sem parar, levando para longe
Momentos inesquecíveis

ME DÁ

Quero sentir seu corpo no meu
Quero devanear enquanto você me abraça
Quero ser sua mais uma vez

Vem meu amor, vem ao meu encontro
Vem fazer amor comigo,
Vem me beijar e acariciar e me chamar de meu amor

Estou a sua espera, agora, hoje, ontem, sempre
Quero suas mãos no meu corpo
Quero suas pernas envolvidas nas minhas
Sem saber onde um começa e o outro termina

Quero sua boca na minha,
Sua língua buscando ávida a minha
Buscando me corpo e meu prazer

Quero minha boca na sua
Minha língua ávida buscando a sua
Buscando em seu corpo o seu prazer

Me dá seu prazer, que te darei o meu
Me dá um pouco de você, que me darei toda
Me dá você, mesmo que seja a última vez

QUERO SENTIR VOCÊ

Quero sentir você
Quero sentir suas mãos acariciando meu corpo
Quero sentir sua respiração acelerada
Quero sentir seu calor
Quero sentir você
Quero você descobrindo meus segredos
Quero você sorrindo de desejo
Quero você beijando minha nuca
Quero sentir você
Quero o calor do seu corpo no meu
Quero seu corpo no meu
Quero sua boca na minha
Quero sentir você
Quero o seu prazer no meu prazer
Quero meu prazer no seu prazer
Quero ser sua
Quero sentir você.

AMOR MEU

Amor meu venha preencher meu coração
Venha me fazer sua
Venha dividir seu amor comigo
Venha me fazer companhia
Diga-me que não estou só

Quero sentir seu corpo junto ao meu
Suas mãos me acariciando
Fazendo meu coração descompassar
Sentir seu calor
Sentir seu amor

Amor meu, não me deixe
Não faça com o meu sentimento
Apenas uma reação de alimento do seu ego
Me queira como sou

Não faça perguntas que não posso responder
Apenas me ame, como eu te amo
Me queira como eu te quero
Seja meu como sou tua

Venha meu amor para meus braços
Pois o cansaço toma conta de mim
A espera me deixa angustiada
E você distante

Vem amor meu
Vem ser meu
Vem comigo
Vem me amar
Vem

SINTO

Sinto meu amor por vezes se esvair
Como se não houve quem ou que amar
Mas lembro-me que estou viva
E isso já é um motivo para amar
Amo as pessoas, a natureza, o meu trabalho
Amo quando posso escrever
Amo quando encontro você
E até quando não te encontro.....
Amo a luz do sol, a água do mar,
O brilho das estrelas e a luz do luar
Amo as palavras que escrevo
Pois elas traduzem o que sinto
Amo viver e aprender
Amo você e quem mais vier
Amo a mim, pois somente assim
Poderei verdadeiramente te amar

SONHOS, DESEJOS E VONTADES...

Tão suscetíveis são nossos sentimentos
Tão impressionáveis pelas sensações
Que nossa vontade, muitas vezes mistura-se
Com nossos sonhos e desejos.

Como separar estas três palavras, ou melhor
Como diferencia-las?
Sonhos, quimera, podemos te-los com os olhos cerrados ou abertos
Desejos, quereres, tudo o que possamos ousar pensar
Vontades, necessidades, todas que necessitemos para viver

O amor faz parte de todas elas
Normalmente, é através dele que nos damos conta delas
Porém, quando sonhamos, desejamos e temos vontade,
Nem sempre estes se realizarão no momento que urge
Mas no momento que em estamos aptos a saborea-los

Pois o amor faz parte de nossa vida, assim como o ar que respiramos
Para algumas pessoas mais, para outras menos, mas ninguém vive sem amor
Podemos, algumas vezes, tentar sublima-lo, mas quando menos esperamos
As comportas se abrem, e ele é extravasado de uma forma avassaladora
Sem pedir permissão, ou saber se pode ou não existir

Por isso, somos sonhos, desejos e vontades
Que muitas vezes deixamos de lado, porém
Eles jamais nos deixam, sempre lembrando
Sempre aparecendo, sempre se tornando presente
Em nossas vidas, exatamente como um presente.

ROSEMARI BOCCARDO – a poeta e administradora paulista Rosemari Boccardo, é formada em Administração de Empresas, com pós-graduação em Gestão Estratégica de Pessoas para Negócios. Tem seus poemas publicados nos livros Caminhos do Amor - antologia - Oficina do Livro Editora – 2007 e Nós, Mulheres - volume 6 - antologia - Oficina do Livro Editora – 2007. Escreve para o sítio www.gostodeler.com.br

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FREVO BRINCARTE

quarta-feira, setembro 17, 2008

GINOFAGIA




Imagem: Harry Candelario / Arte Derinha Rocha

AMBIÇÃO

Luiz Alberto Machado

O relógio. O beijo e seu contágio: o desejo. Revejo ontens, prevejo manhãs, dias. Toda orgia, teréns, Teerãs. Corpos expostos. Somos nós sem rostos, sem pudor. Valendo o amor dos inominados, endemoninhados nos ventres alados, insaciáveis. E que se entregam amáveis, felizes com seus atos condenáveis feito meretrizes com seus machos, no meio de trizes e esculachos mútuos, sem tudo a ver, revolutos, provocando circuitos por puro prazer de transgredir os limites, como reais pedintes em ação, com toda transgressão sexual, toda felação no plural, toda danação, toda ambição canibal tecendo o querer pra ser muito mais que barato de estupefato animal de estimação com um pássaro na mão e ela voando à vela, eu viajando nela qual furacão que devasta sua compleição para nos satisfazer na paixão.

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DICIONÁRIO TATARITARITATÁ
PRÊMIO NASCENTE DE POESIA

terça-feira, setembro 16, 2008

DELICIAS DA PAIXÃO



Imagem: Anthony Guerra

BIZIGA

Luiz Alberto Machado

Insatisfeita ela sempre está. Pudera, não há nada mais que o amor no seu mundo. E parece querer sempre mais do que posso lhe dar. Insaciável, uma fonte inesgotável, sempre recheada e explodindo de prazer.
É claro que não me farto de estar o tempo inteiro enfiado nos seus colossais guardados, sempre tirando proveito e me esgueirando sempre mais que meu próprio privilégio, sempre mais que meu merecimento.
Confesso, ela é sempre demais. Além da conta. E mais quer, mais exige, mais pede, mais chega com manha, aumentando o dengo, se derretendo carinhosamente para cada vez mais me aprisionar nas suas garras amorosas. Não há como resistir, mesmo quando ela se mostra irritada com a minha inadimplente presença, embora eu sempre esteja à disposição de satisfazê-la, fogo queimando, explosões siderais. Mas, tem sempre um porém: ela quer mais e eu tome, sua danada! Tome, tome! E lascando tudo, quebrando todos os limites, batendo todos os recordes. Quer mais? Besteira perguntar e tome mais! Isso é um poço sem fundo? Inesgotável, reitero. Por isso sempre insatisfeita e resmungona vai ficando. E quanto mais contrariada, mais nua. A cada insatisfação mais cai uma alça da blusa, mais seus passos largos sobem um centímetro a mais na saia acima das coxas, mais o decote vai inflamando minha gula, mais o seu olhar vai ficando aceso de luxuria, mais a sua boca se torna sedenta, mais seus seios incham prazerosos, mais seu ventre se avoluma na minha predileção, tudo mais e muito mais até que eu me enfio e a submeto a todos os meus caprichos que só conduzem ao prazer mútuo e a salvação de nós dois.

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DELÍCIAS DA PAIXÃO
PALESTRAS
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segunda-feira, setembro 15, 2008

ANGELA FARIA DE PAULA LIMA



Imagem do pintor suíço Félix Vallotton (1864-1925)

OS SENTIMENTOS SENSUAIS DE ANGELA FARIA DE PAULA LIMA

DANÇA

Sutis
Persistentes
São os toques
Que me afagam...
Lento
Escorrendo no tempo
Escorrendo na alma
É o mel
Que ofereces...
Puro instinto
Atilado
Esgueira-se
Nos meandros
dos meus segredos....
E qual serpente
No paraíso
Ofereces-me o fruto!
Fico estática
Pulsante
Observando a tua dança...
Elegante
Viril
Sensual
Cheia de graça
Mas deixo-te a pensar
Se sorverei da taça...
Gosto de ver-te assim
Em delicada valsa
Meneios de cetim
Um homem de verdade
Que sabe o labirinto
Da alma adormecida...
Acordas-me suave
E traz-me para a Vida!
Fazes o jogo correto
Toureiro
Olé!.....

LOUCO AMOR

Quero ser tua, tua tão somente
Quero sentir-me nua, o corpo e o coração
Quero sondar tu alma, todos teus segredos
Quero sentir-te pleno, em plena comunhão...
Quero poder sorver teus sumos em delírio
Quero sentir tua pele em êxtase e loucura
Quero sentir do amor esse martírio
E profanar o templo da doçura...
Em troca desse afeto quase louco
Que viverei contigo em explosão
Amar-te-ei em versos, comovida
E enlaçarei teu corpo com paixão!...

QUERERES

Quero-te
Não à distância
(Ausência não sacia!)
Quero-te
Não só sabendo amar-me
(Pois não alivia!)
Quero-te
Não apenas na mente
(Saudade persistente!)
Quero-te
Não em sonho somente
(Angústia penitente!)
Quero-te
Aqui
Agora
Sempre!
Quero-te
No abraço
No enlace
Rubor na face
Pulso acelerado
Sumos
Aromas
Sentidos assumidos
Paixão sem fim
Quero-te
Eternamente
Semente
Brotando
Em mim!...

TRILHAS

Existem trilhas
Caminhos sinuosos
Largas estradas
Sendas ,rios,montes
Que se entregam
Doces,amorosos
Para que sejam singrados
Ao procurar a Fonte
Existem rendas
Transparências finas
Para que o cavaleiro audaz
Desvende e tome
Com o cuidado que se tem tão grande
Com o desejo que se faz tão forte!

À SUA ESPERA

Tomei um banho gostoso!
Senti como se fosse você a me afagar...
Me arrumei e até passei perfume
Não prá você sentir ciúme,
Mas para que se lembre do odor da minha pele,
Quando macia e nua,
E que ainda permanece sendo sua!

PERFUMES SENSUAIS

Ainda guardo
Junto à minha,
A toalha em que te enxugastes
Após aquele orgasmo louco
Que vivemos na manhã de domingo!
Com teu olhar guloso,
Sondastes meu desejo
E me fizestes mulher plena!
Amor tão denso,
Que teu perfume ainda paira no ar
Suspenso!
E teu odor de macho
Permanece em minhas entranhas...
Teu calor de amante
Ainda fica em minha mente...
Lembranças que resgato
Ao enxugar-me com lascívia
Na toalha que ainda guarda
Os respingos do teu gozo.
E me perfumo com teu cheiro todo o dia
Enquanto aguardo a tua volta
Em agonia!....

BATALHA NAVAL (regras do jogo)

Sentados os dois, frente à câmera virtual
Olhos inquisidores tentam
Desvendar os segredos
Que do outro lado escondem
Mistérios sedutores...
Joga-se no “escuro”
O que poderá ser apenas um “xis”
No mar de chances...
Ou calafrio na alma
Ou insipidez estanque...
Mais um petardo lançado!
E cada vez mais próximo do alvo desejado
Os lança-chamas enviados
De alma para alma
No oceano de ilusões
Começam a acertar em cheio
Destruindo defesas
Tornando frágeis, armas poderosas...
E uma a uma,
Derrubam-se as resistências
Diminuem reticências
E o mesmo olhar de desafio
Transforma-se em poderoso imã...
E atrai a minha frota
Que, desviando-se da rota
Une-se à sua artilharia
Desejando
-Nem que seja por um dia-
Transformar esse jogo
Começado de forma casual
Em parceria real
Encontro sensual
E rendição total!

SOB O LUAR E A BRUMA

Na noite alta, comovido sonho.
Nós dois,na bruma, em noite fria e densa
Só o luar testemunhando os passos
Da dança lenta, nessa noite imensa...
Qual miragens ,sorvemos a calidez dos corpos
Que se entrelaçam ,em silenciosa dança
Que leva ao infinito dos desejos
Que nos remete ao mundo dos sentidos...
Que bom sentir, na palidez da lua
O encanto mudo do sutil momento
Em que em segredo e tão solene calma
Desnudamos o corpo, o coração e a alma!....

NO TECER DOS SONHOS

Existe sim, na nossa poesia
Esse sentido de voar bem longe
Mas dentro desse mesmo paradoxo
Tornamo-nos mais próximos , mais unos
Nos convidamos,sim para esse encontro
Nos entregamos ao ávido delírio
Cavalgamo-nos, sim, as cristas eriçadas
Êxtases puros, espargindo o fogo
As carnes quentes, úmidas, cheirosas
Passagem garantida ao paraíso...
Qual cavaleiro audaz faz-me instrumento
Qual amazona voraz, tenho-te inteiro....
E assim, depois dessa aventura louca
Eis-nos de volta à escuna iluminada.
Então a nau rampante singra os ares
Parte ligeira rumo ao infinito
Enquanto o corpo arde de desejo!....

PAIXÃO INCONTIDA

Paixão incontida
Explode no peito
Arrasa e detona
Sentido suspeito
De amor sem defeito
De espanto e encanto...
E toda amargura
Na alma se cura
Se a mão que segura
Te arde em desejo
Te acende e tortura
Te sufoca e chama
Ao encaixe perfeito
De corpos e almas
Que gemem de gozo
Que suam mistérios
Destilam ternuras
Que eclodem em cumes
De grandes prazeres
Trocando fluídos
De corpos e mentes
Condensando a vida
Lançando sementes
No espaço infinito
Que fica pequeno
Na hora aguda
Do ápice pleno!....

ENTREGA TOTAL

Se meu corpo nu se entrega ao teu, ardente,
É porque precisa do teu calor. Urgente,
Com ternura e loucura. E tão completamente,
Que nem mais sabe se é flor ou só semente!...

SOBRE A PAIXÃO

O que mata a paixão são as esperas
Longas ausências, a falta de emoção.
Pois a paixão é o fascínio das quimeras
Precisa do pulsar do coração...
Do pulso acelerado da certeza
De que o amado venha .O corpo em brasa...
Desprezando o medo e a incerteza
O risco quer correr. E não se atrasa!
Paixão é o lado bom do amor ardente!
Quando a censura cala e consente
Que seja encontro total e que perdure...
Depois de saciada a ânsia do desejo
Com todo despudor e sem um pejo,
Saber que é “infinito enquanto dure”!


ANGELA FARIA DE PAULA LIMA – a escritora mineira Ângela Faria de Paula Lima é oriunda dos Gonçalves Dias do Maranhão. É formada em História, com cursos de PNL. Foi presidente da Academia de Letras de Lavras. É autora do livro “Viva in Verso” (Editora t.mais.oito, 2008), obra na qual apresenta uma série de poemas, nascidos a partir do que ela chama de uma catarse dos momentos que sucederam a uma separação matrimonial de 34 anos. Também escreve textos de amor, humor, religiosos, ensaior, entre outros.

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