segunda-feira, dezembro 22, 2008

FELIZ ANO NOVO




Gentamiga,
Agora entro de férias até o dia 12 de janeiro!

Beijabrações & Feliz Ano Novo!!!

Luiz Alberto Machado

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sábado, dezembro 20, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: Naked Lights V, de Nuno Belo.

POR VOCÊ

M´amour, m´amour o que é que eu amo e onde estás?” (Ezra Pound)

“...por você vou roubar os anéis de Saturno” (Rita Lee)

Luiz Alberto Machado

Por você tenho estado a levitar incólume pelas nuvens mágicas do amor, a cantar o Exagerado de Cazuza para orbitar contumaz toda flor de sua emanação.

Por você tenho dedicado todo infrene teor do meu verso lascivo, toda meta da minha perseguição da felicidade, todo meu corpo, minha alma, idéias e pensamentos e já não consigo distinguir o que é meu de seu nessa correspondência para lá de imantada pelos nossos mais aderentes desejos.

Por você sigo perseverante a desafiar de deus, do mundo e de tudo, a fazer da minha crença apenas a sua deificação.

Por você vou rompendo barreiras porque recito de cor um a um dos cinco mil versos d´Os Cantos de Pound enquanto aliso a corcova de suas ancas miríficas onde perco todos os pontos cardeais afiançando a valia de todos os seus atributos.

Por você subestimo convenções porque quero passear de mãos dadas e trocando beijos apaixonados no meio do espetáculo da aurora boreal até a austral e vê-la seguir com o meu monograma tatuado no seio como o distintivo do nosso amor.

Por você vasculho o universo de sua compleição, faço surf no tsunami de suas carnes, viro goleador no Maracanã do seu ventre, percorro a nado todo Amazonas de suas águas profundas, faço happy hour na lua dos seus seios, enfrento a fera do seu desejo exaltado e recolho de sua mais absoluta e íntima graciosidade todos os acepipes exatos da minha esfomeada vontade de você.

Por você todo limite usurpado no fogo insano do prazer a ponto de não haver extintor de incêndio capaz de apagar a feroz volúpia de possuí-la a mais das suas dimensões angulares.

Por você toda exata e possessa como uma naja de capuz estufado, premida pela necessidade excitante de ver-me enveredar por seu olho pidão, por seus lábios bons de beijar, pelos seios de todos os sabores, pelas pernas carnudas, nádegas voluptuosas até o ventre ávido com nuto pro concúbito.

Por você terei o muito de todo tudo, porque na paixão, o que for demais além da infinitude, para o querer, ainda é muito pouco.

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segunda-feira, dezembro 15, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: Em sonhos fui sereia, de aoluar

AMAR VOCÊ

Luiz Alberto Machado

Amar você é minha festa porque é a maior maravilha do universo o seu amor.

Por isso você é a minha religião, meu credo, minha devoção; a sintonia do meu dial, meu porto de abrigo na chegada, o meu pouso, o meu combustível para viver.

Amar você é o meu prêmio porque você é a camisa 10 da minha predileção, craque de fazer embaixadinhas de mim, firulas, banhos de cuia, toques de arrodeio, marcando de letra e a me deixar extasiado com seu gol de placa na minha paixão.

Você é a pole position na minha preferência, sempre largando na frente, batendo recorde em todas as voltas e recebendo a bandeirada da minha mais exaltada satisfação.

Você é a obra-prima da natureza representada na mulher de Copacabana com seus olhos de mar, seu feitio sedutor, seu riso cativante, sua grandiosa generosidade.

Amar você é a minha vida.

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terça-feira, dezembro 09, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: Fran Nua, de Amanda Com

EU TE AMO

Luiz Alberto Machado

Quanto mais os dias renascem em manhãs ensolaradas ou frias, mais eu te amo como quem busca na tua fonte a água de todas as sedes

E quanto mais as horas se consomem por si só na voracidade do tempo, mais ratifico a minha confissão de dívidas com o teu amor, sem o menor arrependimento ou culpa, como se cumprisse à risca a nossa mútua promessa de escoteiro, o nosso anímico pacto de sangue

E quanto mais os dias passam loucamente uns nos outros na maior confusão da vida, mais eu te amo como súdito fiel que guarda a recompensa e a devoção pela lua-de-mel das nossas mil e uma noites

E quanto mais os meses viram cinzas na página virada que já será jamais, mais persigo megalômano ao ninho do nosso repasto mútuo, miss minha, como um marupiara encantado tal qual Aquiles venerando Pentesiléia e que jamais deixará morrer a vibrante incandescência da musa

E quanto mais os anos revolvam nossas vidas anunciando que o futuro jamais chegará, mais eu te amo e chegarei sempre ávido e pronto a decorar de cor e salteado o teu mapa para massagear com apalpadelas acariciantes e manusear febril de desejo e paixão o teu corpo de deusa, minha Vênus de Milo estonteante

E quanto mais de ti me vieres com nuto afirmativo, mais te amarei derrubando as muralhas dos nossos limites, cultivando a liberdade da nossa entrega, e mais me escravizarei ao teu encanto, e mais me fascinarei pela posse do teu afeto, e mais me extasiarei com o toque do teu afago e mais te agarrarei a efígie, o busto, a epiderme, a aura, o gesto, o jeito, a alma, a pérola de tuas sensações mais desacorrentadas de ti, o perfume mais inebriante de tua expressão

E quanto mais te achegares ansiando por descobrir meus mistérios mais ignotos, quanto mais faminta e encantadora, quanto mais vívida e sedutora, quanto mais possessiva e acasaladora, mais te amarei e mais e mais estarás me cativando ao paraíso de teu domínio que me promete a felicidade além dos céus e a paixão além dos confins de tudo.

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segunda-feira, dezembro 08, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: Eine Tanzerin, 2003, de Jan Saudek.

JURAMENTO

Eu juro te querer enquanto o ouro do turno da tarde cair no beiral (...) meu lado, luz acesa de pescador bom de mar, quer me ver sonhar? Traz a tua vida mais pra perto de mim...” (Djavan, Beiral).

Prometo te querer até o amor cair doente, doente...”
(Chico Buarque & Cristóvão Bastos, Todo sentimento)

Luiz Alberto Machado

Quando a tarde faz vida no mormaço do seu corpo, eu juro por todas as delícias de céu e terra mergulhar nos ventos agitados de sua prodigiosa nudez sacudindo minha lucidez nas raias da loucura e é quando sou de mim mais que real.

Eu juro por sermos feitos pelo amor e para o amor onde tomo por testemunho o meu corpo e o meu sangue no seu corpo e sangue, que não haverá perjúrio porque juro dizer a verdade, somente a verdade, nada mais que a verdade porque a verdade é a sua alma nua exposta para a minha iniciação. E prometo pelo fogo do prazer no calor do seu sexo que se empanzina com o meu, linda, nua, caprichada de beleza acendendo a luz de todas as noites na beira do amor, pelando de febre, que cantarei aos berros a canção viva com versos queimando a pele, a cumprir que nos seja dado gozar feliz da vida para ir até longe de onde não se volta mais.

E juro com os olhos vendados de paixão por seu corpo que carrega o tempo de muitas sedes no seu minadouro, como a maior e mais completa maravilha do mundo, enquanto a terra gira entre suas pernas e sexo febris com a gula das minhas mãos côncavas agarrando enlaçado na idade dos sonhos que giram sem parar na corda bamba que me devolve multiplicadas vezes a vida que me faz mais vivo que nunca!

E juro pela doçura dos seus lábios de orquídeas molhadas com o cheiro do riso destamanho com o amor queimando a face, relâmpago nos seios na promessa de que em mim tudo de seu sobreviva, a tesão apaixonada se fortaleça e o que for do amor se concretize em nós. E juro por seu olhar de titânio com toda atração do meio dia de místicos fulgores dos que dão tudo à vida debaixo da chuva do edredom onde a tempestade demorada inflama o paiol de todos os gozos desgovernados até o derradeiro pousar da voz de zis luxúrias do seu doce-de-leite coração.

Por isso e só por isso eu canto inteiro com toda paixão a nossa eucaristia.

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domingo, dezembro 07, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: Estella, de Tuta.

PARTILHA



PARTILHA

“(...) E por entre as coxas da noiva envolvente, a mulher com seus seios e o pássaro de crista celestial, foi ele enfim derrubado ardendo no leito nupcial do amor, no torvelinho do centro desejado, nas dobras do paraíso, no botão rodopiante do universo”. (Dylan Thomas, Conto de inverno).

“(...) Debaixo de ti e de mim, tu e eu, sinceramente, teu cadeado afogando-se de chaves, eu, subindo e suando e criando o infinito entre tuas coxas”. (César Vallejo, Doçura por doçura).

Luiz Alberto Machado

Saibam todos quantos virem esta canção entoada que eu amo esta mulher nua e linda como a terra que me faz abrigo e me reparte toda a felicidade universal de sua beleza ruidosa no meu coração.

Saibam. E que este poema exaltado seja o testemunho do quanto vivo e me sou dado à propícia magia da boca fresca de uma mulher com o seu riso refulgente espalhando o prazer perpétuo, onde fecho os olhos para imergir no beijo e seja lá o que deus quiser.

Por isso eu canto toda canção para ela nua e linda, porque eu conheço todas as astúcias de quem cavalga na minha carne onde o seu nome é o sexo úmido a pulsar exsudando gozo aos grandes goles.

Por isso eu declamo aos quatro ventos todos os versos viscerais do meu poema imperfeito, porque conheço a fundura do paladar de quem se debruça oferecendo a maçã com um verso na mão estendida e uma poesia na carne de todos os molhos para que eu faça festa impudente e reine com açoites para ocultar-me no porão de sua alma.

Por isso vou vociferando com meu coração barulhento todas as rezas da maior adoração de quem na lonjura conhece o abraço do jeito irrigado que tece a luz do sol e vou decidido a transpor além das margens e colunas do seu jeito crepuscular à maneira de quem soterra quente rajada do que sou por todos os lados até levar-me tapete mágico por todos os seus dons ao alcance do meu canto.

Por isso sou terno eternamente grato porque conheço o perfume de quem me espera nua em cada esquina, porque conheço o aguaceiro que nos lava o íntimo envolto em névoas oníricas até sermos alagados de suspiros na luz rubra do archote que empunhamos em nome da paixão.

Por isso sou reiteradamente grato porque conheço o namoro do olhar que não repara de nada e reata amorante as distâncias por todos os ângulos de espera e se arrasta até pôr-se de pé pedinte e acossada que eu seja infindável na minha poesia rústica até a fronteira que nos divide quando somos na total comunhão.

Por isso me faço cantor para envolver os braços de cisne jurado de amar que não medem um palmo sequer, nem se demora um triz e prevalece na altura estelar adivinhando a vigília de quem é capaz de empreender a mais inescrutável loucura na voz que trespassa tudo a me dizer que amar é costume gostoso que dá na gente e faz da vida a festança de partilhar do amor.

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sábado, dezembro 06, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: Capa revista com modelo no estadio futebol do Cor, de Daniel Segundos.

CONFISSÃO

Luiz Alberto Machado

Hoje amanheci repleto de sol pleno dos dias claros e das noites tórridas matando a sede milenar dos meus desejos desenfreados pela musa que me cativa confessando um grande amor, ah! eu nunca fui feliz!

Para quem sempre se dera por voraz Varnhagem, abrindo a porta atônita da procura, flagrando os olhos do mar de Copacabana, beijando o rosto dos lábios do sorvete de morango, abraçando o corpo da felicidade amarela, ah! nunca tivera mesmo a oportunidade de ser feliz

Aí que me banhei no chafariz de todos os seus líquidos,
que debulhei os carinhos mais ternos e amorantes,
que esqueci das ruínas da minha vida no colo da verdadeira pedrália de Schaffer,
que exorcizei minhas maldições nas sinuosidades do mais saboroso retângulo de Cruls,
que dilapidei todas as querências do mais delicioso quadrilátero de Goiás,
que despenquei extasiado em queda livre na arquitetura de aeronave enfeitiçadora das latitudes 10 e 15 graus sul da tua tropical climática,
até alcançar o pico do Roncador na serra do Sobradinho do teu planalto central,
ah! logo eu que nunca pude ser feliz!

E me confessei amante incorrigível sob o lençol macio que encobria a nossa nudez,
que saculejei profano como um candango indômito sob o edredon de nossas vertigens mais desvairadas,
que me danei a beijar o riso lindo e safadinho de tua satisfação apoiada no travesseiro da sorte apaixonada
e que retribuí desaguando-me por toda a tua sedução incorporada na minha alma pedinte,
deixando-me as marcas do teu sotaque carioca no cerrado imenso de tua esplendorosa magnitude,
a me fazer migrante retido a cultivar teu solo fértil
e pronto para ser servido,
ah! como eu nunca fui feliz!

E desse amor me vem a mais absoluta constatação de que não poderei jamais te deixar
porque não mais haverá de mim nada mais que teu magnífico esplendor
e a verdadeira sorte de ser,
pela primeira vez,
verdadeira e estrondosamente feliz.

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sexta-feira, dezembro 05, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: flies to me, de Daniel Oliveira

CIRANDA

Luiz Alberto Machado

Sim, foi você singela e nua quem veio do fundo dos oceanos para redimir meu abandono, veraneando a minha vida enquanto eu estava na beira da praia ouvindo as pancadas das águas do mar.

Foi exatamente com a sua súbita aparição que meus devaneios revividos puderam entoar o enleio pelos estribilhos de cirandeira, sua mão na minha mão, de braços dados e na cadência da zabumba, tarol, saxofone, gingando descalços nas areias do mar.

Foi quando pude ter a noção de que seria encurralado por seu domínio e por seu feitiço solaçoso, me iniciando em seus mistérios no tamanho cósmico da nossa entrega na beira do mar.

Foi, portanto, a minha oportunidade de ser feliz.

Foi e meu coração cresceu de amor e exagerou na dose dos versos mais audaciosos, até saber-me cantor dos quereres que nos anima a alma.

E cantei o amor porque essa ciranda quem me deu foi Lia que mora na ilha de Itamaracá.

Sim, é o fogo do seu corpo que revitaliza o meu, é a candura da sua alma que restabelece a minha, é a grandeza do seu amor que me faz ser seu.

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quinta-feira, dezembro 04, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: Curvas, de Mircea Marinescu.

PAINEL DAS FÊMEAS

Luiz Alberto Machado

A mulher jaz do meu lado
E de mãos dadas
Somos finalmente felizes
Felizes além da vida
A vida pelo amor

A nossa consangüinidade sob a auréola da paixão
A pérola dela que mastiga meus pensamentos
E me atrevo chegar ao seu trono
Súdito sem cetro do seu querer
Inculto fiel da imagem dela

A quem seria dado à permissão de lhe desposar
Que plebeu afortunado alcançaria sua majestade
E renunciando um reinado
Seria apenas seu amante
Um rei destronado
Entronizado apenas pelo amor

A mulher jaz do meu lado
É quase de manhã
E a nossa distância cislunar
No que pese ser feliz

Ainda sinto seu cheiro quente
Seu repouso incólume
Depois da entrega dos corpos
Sem condenação inquisitorial
Sem gravidez rejeitada
Sem a perseguição de sicários

Dorme sem saber Heloísa
Sem a despedida de Tzvetaeva
Pelos vitrais dos sonhos
No prisma de turmalina
A deusa mulher que jaz do meu lado

Seu corpo modelado
Sua ferida santa e viva
Seu jeito grácil
O milagre da prodigalidade
Seu rosto belo
Feliz semblante de Thereza
A viúva bela
Mais bela sem par
Seu nome endereçado
O seu condão
O seu sexo desejado
Sua graça e seu feitio

A mulher jaz do meu lado
E insulto primeiro afeto
O seio embaixo da blusa
As mãos ungidas pelo prazer
A boca dos desejos que não se dizem
O corpo de tão puro recheio

- os maus pensamentos de Moliére repousam na minha cabeça

Minhas mãos resvalam e apalpo e enlevo
Pelo evasé de sua saia bandô
As coxas grossas
Roliças
A anca macia
A vulva
Fulvas redondas
Remexe o quadril a minha intemperança
A minha concupiscência

Hei de vê-la ferver no molde exato
A dar o que me falta
Coisa feita de coisas que não se dizem

Seu olhar lânguido na avareza do querer
Endemoninhando minha sede

Bebo na sua boca a água que me sacia
E me incendeia
Testemunho, portanto, seu poder de seduzir minha alma

Deusa Maceió
Invado sua maldita reclusa
Reclusa que detona o viço
E me engalfinho em seu esconderijo
Por suas peças íntimas
E intumescido e cheio
Me afogo
Bebo o seu rio
Mordo a sua carne
- sou seu canibal!!!

Índia pura
Seu corpo baila no meu Albertville
Achega-me
Sua chama me domina
A mira
O alvo
Tonta
E dança
Mais dança o meu coração
A dança do ventre de Sheyla Matos
Quando pudesse estimar o meu extermínio

E ela vem tão indomável quanto santa
A se despir
- um pênalti na pequena área do meu coração

E ela vem bulindo
Dinamitando meus sonhos
A se dissolver em mim
Com meu dedo na boca
E despejo a minha vida
E engole o meu sêmen
No centro do feitiço

Viúva alada
Dorso febril
E a febre e a cintura
Roço-lhe o esfíncter até Grafemberg
Na sua nudez Carolina Ferraz do Pantanal
Na penumbra ardente do seu ser

O seu gemido me extasia no movimento sensual
De Margret, de Durga, de Rachel
Das três uma de cabelos lisos em seu tamanho menor
Da geografia colada no vestido curto
No Delicate Sounds of Thunder

Faz valer a minha fantasia e desmaia
Oh! coreografia do prazer
Bundinha vai-e-vem

Viúva bela
Minha tenda de Maria Brown
Me enlaça e diz que sou a camisa dez do seu coração!!!
Me espera que eu contarei das aventuras
Ao me reabilitarem entre os vivos
E reinarei sobre sua volúpia
E derramarei meu esperma
E saltarei fundo na paixão

Vou dormir nos seus olhos
Com toda a minha agonia de ilha encantada
E cantarei a linda canção de amor de J. Alfred Pruckfork
E será lindo acordar com você do lado

A mulher jaz ao meu lado
Depois de um xeque mate no xadrez de Midleton

Sua meiguice sem pudor
No dever de sermos o protótipo dos deuses

Me acuda
São juras sinceras de um poeta vário e um verso lascivo

Amar não faz mal a ninguém
E ensaio versos pros seus olhos
Faço cantigas pro seu jeito
Rainha minha, rainha nua

Sequer suspeita que eu já morria
Enrubescido e despudorado
Com a cara e a coragem peculiares aos enamorados

Cadê você? Pedi tanto pra São Lunguinho lhe encontrar
Logo jamais deixarei partir

Amando com voragem até saber
O feitiço do cogumelo de Alice
Que me rasga e me cura
E com todo ímpeto eu espero sem medo, viúva
Espero ver-lhe o talhe a alma o ser
Anestesiado na moita
Repousado às suas coxas
Na noite roxa e olhos revirando
No gemido de estar gozando
O prazer extremo
O átimo
O ápice
Da minha jugular aberta
Minha aorta infecta
De ser feliz deste lado
E do seu lado, viúva
Pra mulher que jaz
Agora aqui comigo.

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quarta-feira, dezembro 03, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: 3036, de Luis Azevedo.

SOB O VÉU DA VIÚVA NEGRA

Luiz Alberto Machado

A minha alma no aranzel de nossas juras amorosas

Oh! meu amor

Minha matrona
Que sei mais nada
No visgo da tua teia

O jugo que me recolheu
E atendi todas as suas súplicas nos arredores da paixão

És abelha-raínha reinando sobre a colméia
E eu sou o teu zangão no vôo nupcial
O teu alimento é sugado do meu ventre

Vasculho teu corpo, teus contornos
Minha vestal que viceja,
Minha cortesã e o coito é meu elixir

Gosto de ter esses seios expostos,
essas coxas adúlteras,
esse pescoço e a minha mordida,
essa respiração ofegante à espera de que eu invada a tua vulva
no encontro mais desejado de chegar à citera,
inteiramente submissa,
se esgazeando perante o meu carinho obsceno

E eu deslizo o teu tegumento
Matando a minha sede no teu pote

E o teu rosto, o meu ombro
E teu sorriso de carícia
Beijando os meus olhos e amando e gozando
E teu prazer me amarrará,
Me coagirá nossas núpcias e serás meu credo

Deste-me o fruto do prazer e em retribuição dar-te-ei minha vida

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA

segunda-feira, dezembro 01, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: S/T, de Pedro Gonçalves

UMA VEZ NA GRUTA DO CÉU

Luiz Alberto Machado

Visitei teus aposentos
Tua tenda,
Gueixa minha,
Uma fragrância calmante de delírio no ar

Adentrei fervendo de paixão
E te desnudei
Oh! Não se esquive,
Oh! Não se esquive,
vou te conquistar
e como vou!
Inteiramente
Totalmente

E vou capturar o teu olhar faminto
A tua sede mulher
Quando me debruçar no teu corpo
E devorar tua oferenda: a gruta do céu!

Vou invadir teu território
Acariciando teu rosto
A tua expressão imaculada

Vou invadir teu hangar
E deslizar impune escancarando tuas pernas
E provando de todo sabor do teu fruto exposto à comida para pecaminosas mordidas de amor

E vou fustigar com afago tuas entranhas
O teu desejo sedento
E toda tua exaltação

E vou lamber teu umbigo
Chupar tua América do Sul
Alcançar teu profundo poço
E me afogar enaltecido de ti, minha odalisca tão lasciva

E vou eriçar teu pelo e te montar, égua minha,
No pleno domínio com meu talismã de Sigefredo
O meu poder sobre o teu
O teu sob o meu
Com toda a tua beleza
Tua prodigalidade

Verás o meu dardo empurrando a espada rija
No vai-e-vem do remexido dos quadris
Arrepiando tua alma
Revolvendo tuas entranhas
E te fazendo mulher amada

Vou sorver todo o teu néctar, Hero minha
Entregar-te com toda inquietude para que meu dna possa te fecundar na fúria louca do prazer

E suaremos juntos
E gozaremos mútuos
E desfaleceremos iguais

E saberemos unidos a plenitude e a agonia do amor
Qual Filemom e Baucis
Eu feito Abelardo condenado de heresia pelo amor de Heloísa
Tal qual Endimião morto pelo amor à deusa Selene
Feito Dáfne e seus versos à Cloe

O teu nome ficará para sempre na tarja do meu coração
Preso ao sortilégio do amor
A morar para sempre no Monte Latmo, totalmente minha

E quando eu morrer
me salvarás, Minha Ísis,
Juntarás meus pedaços de Osíris
E eu serei todo teu ressuscitado
Refém eterno de tua delícia

Minha alma a ti se revelou
És meu amor

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domingo, novembro 30, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: S, de Antonio Louro.

CLOSE

Luiz Alberto Machado


Ela é linda no coração dos meus olhos onde em folia abre alas com toda permissão de passagem, invade destemida em sua quietude mansa até desalojar o meu íntimo para se ocupar com o meu próprio despejo.

Não satisfeita rouba a minha identidade e descarta a minha gana desmemoriada a ponto de desfiar o flerte só para a mudez da catarse na minha retina.

Ao se apossar revira tudo de ponta-cabeça na correnteza dos delírios sem opção de prumo, restando a certeza de quase mais nada.

E se faz ultrajante com seus olhos e lábios pedintes envolta no negrume da noite insone da minha solidão.

Invade a minha privacidade a dilapidar posses e devaneios, provocando o ermo em sua evasão de álibi inexorável que me faz espantado patético quando se dá refratária às minhas investidas, como se eu deparasse a intransponível quarta margem de rio a desdizer de sonho, loucura e erro.

Ao menos vem circunspecta mais vingativa desmanchando a cobiça de sua efígie emoldurada na idéia enquanto sou mãos carentes de seu afeto e insisto em tê-la mesmo que seja impressão nas águas apenas refletida no prazer de matar minha sede.

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CRÔNICA DE AMOR POR ELA

sexta-feira, novembro 28, 2008

DERINHA ROCHA



DERINHA ROCHA
Hoje é o aniversário da Derinha Rocha.
Aqui eu não poderia passar em branco. Principalmente porque ela tem sido nos últimos 3 anos uma das parceiras mais presentes nas minhas páginas, além de ser a maravilha em forma de gente do meu coração.
Tenho que manifestar aqui, para ela, a minha gratidão.
Foi ela quem fez todos os clipes das minhas canções e poemas que estão no Youtube, MySpace, Vimeo e Videolog.
Foi ela quem fez todas as fotos da minha Home Page.
Foi ela quem tirou a maioria das fotos dos posts daqui, como os painéis para posts de todos os meus blogues e muito mais: fez um sonho lindo para encantar o meu coração e a minha vida.
Não poderia ser diferente, senão: muito obrigado, Derinha lovalinda. Obrigado por tudo.
Como presente, trago um poeminha:

UMA CANÇÃO PRO MEU AMOR

Luiz Alberto Machado

É quando a tarde é mansa que o meu desejo acende com a gula de querer além da conta toda a sua inexprimível sedução.

É quando vou esfaimado mergulhar no seu riso de sol vasto porque nasci destinado a amá-la completa e indecentemente.

É aí que me atiro mergulhando nos seus olhos de mar que me dão seu sexo fulgurante e desesperado que emerge do seu jeito nu e completamente minha clamando com o remexido de sua dança sensual onde sou suicida de suas montanhas mais que ambicionadas.

É quando me jogo e subo por suas pernas onde semeio minhas lambidas que rebenta na minha obscenidade inescrupulosa de retê-la toda para mim até repousar no seu ventre fuviando ao alcance da minha assanhada posse demoradeira sem regresso.

É quando me extasio na sua reluzente boca que me engole varada de astúcias e bebe do meu sobejo e brinda festiva até ficar lavada por meu sêmen para sufocá-la com a minha euforia.

É quando você se faz meu abrigo porque descobri sua concha que levo comigo e me faz esfaimado hóspede que deprava seus desejos ignorando o futuro, penetrando a sua solidão e mantendo o seu trote delicioso e interminável.

E se me fosse dado o poder de refazer tudo que já fiz, eu queria nunca ter que ir embora. Mesmo que fosse tarde, mesmo que fosse nunca, ou jamais.

E se me fosse dado o poder de sonhar de novo tudo o que sonhei, jamais queria acordar, mesmo que a vida me dissesse para não valer.

E se eu tivesse que vencer um dia o invencível, só queria vencer toda sua querência quando me dá o que é para mim de nunca acabar

Porque eu tenho a sua flor e não quero que ela seja cinza na minha mão.

Porque eu tenho o seu beijo tatuado na minha alma e não quero jamais que a solidão me ensine que tudo um dia basta.

Porque eu tenho a sua dor e sorri para que nascesse o sol sempre na nossa entrega.

Eu recolhi a sua lágrima e a gente rio caudaloso que se esvaia em desejos e desencontros.

Eu vivi o seu sonho e fui com seu desespero onde tudo é o que não tem pra onde ir e ficamos juntos porque eu sempre tive a sua pele na minha alma como se nunca fosse possível arrancá-la, levando a vida que pude ter para viver.

Porque na gente a dor não vai durar pra sempre pelo que foi ou jamais será só porque ontem soubemos nos alimentar do irrefreável prazer.

Porque o azul nos salva dos abismos. E eu enlouqueci me refugiando no seu mangue irremediavelmente delirante a me fazer percorrer por seu sangue os sonhos de cão sem dono que tenho tudo na sua triunfante teia de amor impossível.

Em nós nunca caberá o aceno do adeus porque estou perdido das lembranças a me enfincar incendiado no fogo eterno de seu ser que é meu e é todo de maravilhas.

Aos saltos meu coração implode tudo e rebenta nos seus seios para que eu seja as labaredas acesas ressaltando seus dotes para sempre a me dar todos os versos e a me entregar todos os poemas. E me faz seu amo a recolher toda minha poesia saindo de sua carne e eu como bicho morto de sede e de fome miseravelmente apaixonado.

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quinta-feira, novembro 27, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: Perfect, de Paulo Almeida – Pasma

ÂNSIA DO PRAZER

Luiz Alberto Machado

Quando me projeto sobre a plataforma espalmada do teu corpo provocante com jeito de façanhosa adefagia, de amorável jácea devorante, de exuberante calim tisneira, da nudez ofertada para minha apoteose de ensandecido enamorado delineando a minha sede vulcânica pelo favo que escorre feito sopa da tua fonte minante no desvelo de minha realização ebrifestiva.

Ah é com isso que me faço exorbitante bardo e se agiganta minha tesão de amante excitado e dou provas da minha beligerante vontade de possuir-te sempre inteira até derramar minha vida esborrando meu desejo, esporrando minha loucura e entornando meu gozo para que sintas o benéfico da nossa agonia libidinosa, no teu extremo grito de se sentir dominada, explorada, uivando com o meu estertor penetrante para o teu itifalo adorado, saboreando meu gozo delirante e selando com a entrega o nosso amor.

II

Os teus olhos flagraram a apoteose da minha paixão arrebatada dependente de tuas carícias, viciado de teu corpo, excitado com a promessa do prazer total que toda emanação de ti me satisfaz.

Vieste nua e solícita e acariciaste meu corpo em brasa, envolvido na atração recíproca da entrega mútua.

E te acercaste do meu desejo indomável pronto para devorar-te com meu apetite insaciável de sangue quente e possessão irrefreável.

E suspiraste com minhas ânsias e gemidos suplicantes, dominando a loucura de querer-te sempre mais e inteira, cavalgando majestosa por todos os meus furores iminentes.

E me entregaste a oferenda do gozo máximo para tornar-me escravo da tua delícia, servo de teu sabor, refém da tua explosão mágica de prazer.

E dominaste minha alucinada exacerbação povoando minha vigília e todos os meus devaneios que porventura possa sonhar.

Ah eu te amo como quem se entrega voluntário à combustão do teu inflamável e delicioso amor.

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quarta-feira, novembro 26, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: Eu e Tu, de Marta Ferreira.

PLETORA DOS ANTÍPODAS

Luiz Alberto Machado

A sua nudez se agiganta na minha afeição.

E eu recolho o seu corpo como quem persegue a salvação da vida.

E persigo escalando suas encostas íngremes e latejantes de carne firme, ilha perfumada nua em pêlo, arrepiada com toda a seiva transbordante com cheiro bom de enlouquecer.

E enlouqueço enquanto você se prolonga na alegria do meu coração que se apropria de toda sua esbelta deidade tentadora para deixá-la encurralada nas minhas carícias à queima roupa.

E vou desenfreado pilhando seu corpo que se precipita sobre o poderio do meu falo rijo que lambuza a generosidade do triângulo púbico até a celebração sinuosa da dança pélvica que me arregala os olhos de forma assustadora com seu embalar de felicidade por possuí-la suculenta e depravada.

E na nossa obscena empatia eu vou explorando as minas de ouro escondidas sob a língua sibilante da Britney cheia de imprecações, no regato dos seios que nutre nossa atração recíproca e nossos corpos mútuos, nos pontos de ebulição que acende a clareira de nossa vertigem despudorada, nas nádegas arrebitadas que bamboleia para o meu completo enlouquecimento, na sua guarita onde a minha vontade endurecida mergulha no abismo para que possa hibernar soterrado de prazer.

E na descoberta da delícia, vou investindo com lambidas ferozes cada fatia da deusa do meu panteão, minha suméria Nammu que pariu o céu e a terra no caos enquanto o meu sexo guerreiro golpeia e empurro com estocadas loucas cerrando os dentes, penetrando sua alma como um cavalo selvagem que atravessa o seu gemido gutural apertando meu membro no prazer crescente e inevitável, até transbordar todos os impulsos e peripécias do nosso bom bocado onde o bumerangue vence a parada de todo quilate de sua satisfação tantalizada.

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terça-feira, novembro 25, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: Naked Lights I, de Nuno Belo.

PECADO

Luiz Alberto Machado

Lá vem ela deusa viva nua e linda, atiçando meus pecados mais libidinosos.

Vem completamente nua qual princesa atlântica pecaminosa com seus olhos sedutores de pôr-do-sol.

Vem das altitudes andinas dos desejos luxuriosos com a graça da ninfa tropical resplandecente, pesunhando meus castigos com a aranhola das ridentes manhãs.

Vem. E vem altiva musa nua pronta para o melhor pecado dos mortais.


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segunda-feira, novembro 24, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: Volúptia, de Nuno Bernardo.

MOTO PERPÉTUO

Luiz Alberto Machado

É na cadência de tua ginga possante de refratária deusa que vou sirene alerta a errar afoito na poesia que se derrama da sinuosidade das ondas de mar de tuas ancas revolutas, delírios da vida, porto de amar.
Eu já não sei de nada e perco tudo no encalço do rabo-de-arraia que se alheia flores do campo, aroma perfeito que faz-de-conta no inferno da minha insônia, no meio do moinho desse carrossel que é suíngue da carne como oblação que arde relembrado desejo no Jardim do Éden da minha luxúria.

Ah sesso que me corrompe obcecado e que vou pronto para compor a harmonia de nossa melódica dança obscena, quando se mostra eivada de pecados de terra e céu virando minha cabeça num espetáculo fantástico que se faz afrodisíaco na minha idéia para o meu permanente estado de graça na primeira lua em torno da tua cintura ondulada de toda perversão gostosa de teu balanço formoso.

Ah culatra da serva de Afrodite que manda ver num passe de mágica o verdadeiro simulacro no golpe sutil do teu charme coroando o amor e as nossas delícias na mecânica da sedução demarcando o moto-perpétuo do prazer e sexo encarnado ao meu toque no menor movimento das coxas que cede terreno, desimpedida pro meu paroxismo prestes a derramar em profusão no terreno baldio da tua exacerbação.

Ah, minha Paulina, crédula matrona, sou teu mortal admirador acrimonioso disfarçado do deus Anúbis no nosso sagrado intercurso convoluto na captura desenfreada da convecção que se aventura tocha ardente transpondo limites pelo trajeto do teu insubmisso bordejar remexendo o quadril que estremece de desejo no frêmito do prazer.

Ah pódice de hetaira cheia de graça que triunfa por tantas demandas profusas na matéria-prima do esplendor de toda maravilha do corpo esbelto agitado em convulsão para que eu seja nuvem de chuva na tua terra desejada de alcatra indulgente cumulada dos excessos da corrente tempestuosa e perversa a me afogar na maior tentação de umbral onde o predador faz ajuste de contas para que a serpente hiberne voluntariosa na gostosura do teu esconderijo sacralizado.


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sexta-feira, novembro 21, 2008

SONIA DELSIN



Imagem; nothing to say... de Lili.

OS VERSOS VOLUPTUOSOS DE SONIA DELSIN

GULOSA

Se os olhos contam pra que mentir?
Pra que ocultar o que conta o olhar?
Gulosa de abraços.
De beijos.
De corpos que fazem laços.
Por que ignorar o que o corpo vive a cobrar?
Gulosa de amar.

SOU SUA

Eu não o quero de joelhos
implorando.
Ó não!
Mas o quero a meus pés
me adorando.
Me beijando.
Alisando minhas coxas.
Quero suas mãos nos meus quadris.
Meu corpo lhe chama.
Vem, me ama.
Sou sua, lhe quero.
Eu sei que também me quer.
Sou sua mulher.

GOSTO

Gosto de me sentar no seu colo
quando suas mãos deslizam
pelas minhas costas
e suas carícias me deixam louca.
Gosto de beijo na boca!
Gosto de carinhos ousados
Quando ficamos enroscados.
Somos tão apaixonados!
Não podemos viver separados.
Gosto de sua pele
se eletrizando
ao meu contato.
Gosto de seus olhos
nos meus
a dizer-me tudo.
Gosto de me sentir desejada.
Gosto de seu corpo quente.
Exigente!
Vivo, presente!
Gosto de seu jeito de ser.
Gosto de você se entregando,
me esperando...
aguardando meu maior prazer.

SONHO ERÓTICO

Sonhei com seu olhar sobre mim despindo-me.
Sonhei seus lábios procurando os meus.
Suas mãos nos meus cabelos.
Seus pêlos.
Nossos corpos nus...
o encontro de nossos corpos ávidos de amor.
Sonhei paixão de uma hora. Duas.
Sonhei possuir-te, ser possuída.
Entregar-me à sensualidade.
Entregar-me às luzes todas.
Cortinas azuis.
Abajur.
Frases de amor... procura... encontro.
Sua voz sussurrando meu nome... que delícia!
Só foi um sonho... uma quimera.
Lembrança de outra era.

TREMO

Ao ver-te eu tremo.
Sob teu corpo eu gemo.
De prazer.
Ah, de prazer!
Tu tens uma pele que se casa com a minha.
Eu que vivia tão sozinha.
Tens uma boca.
Uma boca tentadora.
Tens uns olhos que me queimam.
Tremo.
Tremo ao ver-te.
Sei que estaremos juntos.
Que sentirei todo teu corpo colado ao meu.
Sei quão bom será.
Sei que nos veremos de novo.
De novo e de novo.
Sei que me fazes tremer.
E que me matas de prazer.

TEU GOZO

Como é gostoso teu gozo!
A maneira como diz.
Ai, como sou feliz!
Teu gozo é meu gozo.
É minha alegria.
Quero esta festa todo dia.
Esta festa dos desejos.
Esta festa de nossos beijos.

SONIA DELSIN edita os blogs Poemas Gerais e Poemas Variados. Confira.

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CRONICA DE AMOR POR ELA

segunda-feira, novembro 17, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: Falling in love, de Angelica.

CHEGADA

Vieste na hora exata / Com ares de festa e luas de prata / Vieste com encantos, vieste / Com beijos silvestres colhidos pra mim / Vieste com a natureza / Com as mãos camponesas plantadas em mim / (...) Vieste me dando alento / Me olhando por dentro, velando por mim / Vieste de olhos fechados / Num dia marcado sagrado pra mim / Vieste com a cara e a coragem / Com malas, viagens, pra dentro de mim, meu amor” (Ivan Lins/Vitor Martins, Vieste).

Tens no olhar, morena, laços, ai! (...) sou fraco quando te vejo, teus olhos me roubam a vida!” (Cantiga de domínio popular recolhida por Tião Carvalho, Páginas serrano-catarinenses).

Luiz Alberto Machado

Ela vem nua e linda com os olhos que roubam a minha vida.

Nua e linda ela vem e veio como quem havia de alcançar a última esperança perdida.

E eu a tomei tão contida como quem chega de um fiapo de luz e se faz de bem acolhido com a querência de terra revolta no ventre pegando fogo, lábios tremendo de rogo, o sexo de fora e o olhar de desmaio, os desejos todos num balaio com relevos da carne de peitinhos empinados e nenhuma rédea no juízo.

E nua e linda chegou com gosto de saudade.

De lembrança de coisas guardadas e sentidas.

Chegou e ficou resolvida a morar pro resto da vida dentro de mim.

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segunda-feira, novembro 10, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: Nice & Smooth, foto de Hugo Macedo.

CANTIGA (uma canção pro tobogã do amor)

“(...) Mas a noite é nua, e, nua na noite, palpitam teus mundos e os mundos da noite (...) brilha toda a tua lira abdominal. Teus seios exíguos – como na rijeza do tronco robusto dois frutos pequenos – brilham. Ah teus seios! Teus duros mamilos! Teu dorso! Teus flancos! Ah, tuas espáduas! (...) Baixo até o mais fundo de teu ser, lá onde me sorri tua alma, nua, nua, nua”. (Manuel Bandeira, Nu).


Luiz Alberto Machado


Esta canção vem de longe, muito longe lá onde amanhece o leste carregado da missão de Verne e do espetáculo de Wakeman.

Esta canção vem de longe para ser sua mulher que se insinua e que me refugia nua e me mata com essa graça que tem no clarão do riso de formosa princesa, a mais linda entre as lindas, com o fogo do beijo de divina beldade musa de todas as minhas canções.

Esta canção, falo em você pelo tobogã da vala eqüidistante entre Natal e Porto Alegre na atlântica ondulação maravilhosa do prazer: a vértebra que serpenteia como a luz para a noite e o sol para o dia.

Esta canção é toda festa no prólogo inflamado de segunda pra terça quando chego pidão que pede porque carece jogado pela lombada do Oiapoque ao Chuí do seu jeito de engatinhar nua ao meu redor.

Esta canção é só armadilha de terça pra quarta quando meu relho é pontaria exata no lombo de tigela boa da cauda do cometa onde vou desenhar a poesia do eterno coito presente em todas as ânsias, marcante em todas as expectativas.

Esta canção é só captura de quarta pra quinta quando o meu anzol fisga sua carne fresca e vou fundo sem cessar fogo para me lavar com nossa lama, escorrendo pela formosura do seu agoniado colo erguido quebrando tudo no peito com chamegos safados no incomparável remanso da sua inevitável sedução.

Esta canção é só luta corporal de quinta pra sexta quando na sua esfíngica tentação de devoradora devorada, se estraçalha com minha língua no seu fogareiro de divino manjar, jóia da mais alta valia entre as pernas, retrato falado do milagre e da maravilha.

Esta canção é só tempestade voluptuosa de sexta pra sábado do nosso devaneio hípico e eu alazão fogoso devasso comendo no centro incapaz de escapar e à maneira insensata principia e brilha maior reluzência porque é impossível poupar do veneno que inebria e eu sou todo embalado pelo cheiro e sabor do seu sexo.

Esta canção é só recomeço puxando prima e bordão de sábado pra domingo até que chegue nas nuvens capitulando às minhas investidas de segunda pra terça e chegando na quarta se fazendo manha porque quinta se abre em flor que me cabe inteiro na sexta e eu carrego no sábado de novo e peço bis no domingo, e pedimos bis um ao outro no dia seguinte, toda minha e todo seu até presentear todos os dias com os acordes finais pirotécnicos fatais do último movimento sinfônico do nosso dilúvio de prazer.

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domingo, novembro 09, 2008

SOLIDARIEDADE PARA AS MULHERES



Imagem: Linhas de uma alma invadida, foto de Daniel Oliveira.

HOMENS UNIDOS PELO FIM DA VIOLÊNCIA CONTRAS AS MULHERES – Uma campanha para lá de importante. Assinei e convoco você a assinar. Acesse o site Homens pelo fim da violência contra as mulheres.

OBSERVATÓRIO DA MULHER - Criado com o objetivo de contribuir, resgatar e tornar visíveis as lutas das mulheres no Brasil, está no ar o portal web Observatório da Mulher. O portal se propõe a dar suporte e mais visibilidade aos direitos das mulheres, a democratização da comunicação e a veiculação de informações sob o ponto de vista feminino. Além de publicações e artigos que avaliam as políticas públicas sob a ótica de gênero, o portal mantém um espaço de denúncia de programas que fazem mau uso da mulher na mídia. Endereço do portal e outras informações:www.observatoriodamulher.org.br/.

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segunda-feira, novembro 03, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: Doirado, foto de Paulo Vieira.

O ALVO DO PÓDICE

Luiz Alberto Machado

A tua nudez esurina da vida afia as errâncias a rutilar como esmeralda cobiçada ao alcance da mão.

E linda nua vens impune à flor das águas da volúpia, com o torvelinho de todos os encantos, com os olhos de todas as querências, com a boca de todos os desejos, com o rosto enrubescido de todos os ardores da paixão.

E nua linda pose essa mais safada do teu olhar manhoso que recende o aroma exaltado de fêmea no vício desesperada, indômita e jacente a lamber os lábios da cor de romã, despertando a luxúria e motins nos meus beijos sedentos que invadem querelantes por todos os poderes sobre a tua posse.

Nua e linda, propositalmente sedutora ao me virar às costas, oferecendo a nuca com desleixe e te deixando render de bruços ao meu afago carinhoso.

E roço tua pele com a minha língua teimosa de prazer.

E preencho teus recantos com a minha gula faminta de sempre.

E percorro tua assimetria como quem tomado pela loucura que ambiciona todos os teus tesouros.

Vou adiante e nua e linda erradica a minha timidez a levar-me pelas fagulhas douradas da bola de fogo dos teus janeiros, onde eu inundo com esmero de carícias todos os teus desvãos e exploro com braçadas longas de afago todo o contorno de tua corcova azeitada.

Nua e linda, solícita e emborcada, és o alvo para o êmbulo intumescido rondando na garupa e abrasado de pelejar nos requebros ofegantes de tuas montanhas carnudas.

És inteiramente grácil entre gemidos e delícias a me deixar invadir o teu claustro globuloso, a me deliciar no sesso profuso dardejando firme na tua meiguice espalmada.

E escalo os íngremes aclives de tua popa generosa.

E atiço tuas fantasias mais iminentes.

E me esgueiro na furiosa tempestade da tua entrega para que eu possa saborear da vertigem das alturas, explodindo genioso até repousar sossegado no maciço gracioso de tua carne imantada em decúbito ventral.

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domingo, novembro 02, 2008

REGINA RODRIGUES



Imagem: Debbi #1, de Bernardo Coelho

OS VERSOS SEDUTORES DE REGINA RODRIGUES

YONI

Eu tenho uma vagina que te acolhe,
tenho uma vagina que te conforta,
exatamente do seu tamanho...
Adoro quando você faz hummmmm ,
também amo quando você revira os olhos.
Eu tenho uma vagina que nutre,
Que te sustenta , aperta e segura ...
Meu lindo tigre,
Nesta posição posso falar em seu ouvido,
Tô molhada..
Tô feliz..
Eu tenho uma vagina secreta,
Guardada especialmente para você,
Uma yoni, uma concha , um lugar misterioso.
Tome um banho e me espere ,
Estou chegando.

ME DIZ

Diz para mim...
diz para mim, que descobriu que me quer !
Que tem um chocolate em seu bolso ,
pronto para vir para minha boca,
porém antes coloque na sua ....só para eu sentir seu gosto .
Derrete , derrete, mela, mela,
ai que delicia , você é uma delicia.
Meu lindo tigre..
Vou te dar o melhor sexo , e o maior amor...
Será que tem coração para sustentar?
Prepare-se ... estou chegando em sua vida...
De mansinho, devagarzinho ,
só para você não se assustar.
Fica excitado á noite ? Sou eu , te tocando..
Tem acessos de raiva ? Sou eu , dizendo que estou com outro,
só para te provocar ...com raiva você , transa melhor...
Se sente sozinho ? Sou eu te abandonando , para você sentir saudades .
Meu lindo tigre , vem rosnar essa noite pra mim.
Estou no cio.
Diz pra mim ...
diz que descobriu que me quer,
já comprei os chocolates , só falta colocar no lugar certo.
Tem ideia de onde ?

O QUE O AMOR ME FAZ

O amor faz abrir-me toda ,
desabrochar em flor,
balançar o rabo como uma sereia e
querer mais.
Quando percebi , a boca se abriu,
a libido subiu e
fiquei molhada .
Só porque pensei em você ...
Como posso pensar assim ?
Despertar assim?
Ter me apaixonado assim?
O amor é raro meus caros.
Quando contido nele um grande desejo.
Deixe –me abrir sua calça e
usar minha boca para te fazer feliz,
chame de sua menina ,
enquanto ama meu corpo de mulher.
Com a ponta dos dedos , passo em sua boca linda,
Dar-te-ei um beijo eterno algum dia...
Chéri , que saudade...
O amor é raro meus caros.
Quando contido nele um grande desejo.
Beije meu corpo inteiro hoje,
é noite de lua cheia , época que estou mais excitada,
depois sorria para mim,
adoro seu sorriso.
O amor é raro meus caros .
Quando contido nele um grande desejo.
Um sentimento nobre , convém ter capacidade e
poder para sustentar.

SENSAÇÕES

Quero sentir você , aqui.
Quero sentir você mais perto...
mais quente.
penetre , assim devagar ..... agora forte ,
penetre assim , é perfeito.
Agora a língua , põe para fora, um buquet de sensações !
Experiências nunca sentidas , pois nunca tive coragem.
Mas com você tudo é perfeito !
Deixe que eu me vire, para você penetrar.
Penetre por trás e me agarre pela cintura,
assim,
veja como sou perfeita para você..seu animal.
E , você é perfeito para mim...
ops ....desculpe a lingua não resisti...também desculpe o dedo preciso experimentar.
Que boca linda, penetre um pouco mais.
Preciso te sentir..você é perfeito para mim ...já estou sentindo... só um pouco mais.
Não quero que acabe..
ah! acabou ...já estou com saudades.

REGINA RODRIGUES – a poeta, psicoterapeuta, estudiosa em cristais, professora de yoga e meditação e coordenadora de grupos terapêuticos, Regina Rodrigues, atualmente está voltada para cursos e palestras direcionados para conscientização e realização. Iniciada em cura com cristais na Ilha do sol (lago titicaca) Bolívia, formação acadêmica em cristais com a prof. Angélica lysanti (Brasil), discípula do método de Antonio Ducan, Katrina Raphaell(EUA). Especialista em cura energética iniciada por Rowland Anton Barkley, (Brasil) atualmente seguidora do método de cura energética da curadora Catherine.

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sábado, novembro 01, 2008

ROCHESTER



Imagem: The Deliverance of Arsinoe, c.1560, do pintor do Maneirismo italiano Jacopo Tintoretto (ca. 1518-1594).

A CARNALIDADE DOS POEMAS LIGEIROS DE JOHN WILMOT, O CONDE ROCHESTER

QUARTETO

Quando despeço-me do rei a jeito,
A língua em sua boca e a mão no rabo,
Portsmouth que feche a cona de despeito,
E Mazarino que me beije o rabo

Quando o rei da Inglaterra em mim se aninha
E a minha cona com seu pau labuta,
Um peido mando para Nelly, essa putinha;
Dane-se Mazarino, a grande puta!

UMA PUTA

Ela era de tal modo uma puta,
Que antes mesmo de nascer
Virou sua boceta, diminuta,
Para a ambas o pai foder.

Era uma puta precoce e consumada:
Deu no ventre da mãe uma guinada
Tal que juntou cona a cona e, maravilha,
O pai fodeu conjuntas mãe e filha

JOHN WILMOT – O CONDE ROCHESTER (1647-1680), segundo José Paulo Paes, celebrizou-se como um dos mais dissolutos cortesãos de Carlos II e deixou um bom numero de poemas ligeiros, de uma carnalidade sem rebuços. Além disso ele assumiu perante a espiritualidade a missão de divulgar e solidificar a doutrina espírita, revelando ao mundo material as leis que regem o universo, elucidando e desmistificando, assim, os mistérios da então nascente doutrina.

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sexta-feira, outubro 31, 2008

BETH JOY



Imagem: S/T, foto de Helder Mendes

OS VERSOS FLAMEJANTES DE BETH JOY

TUA...

Tua presença me aquece
Teu olhar me enternece
Teu perfume me entontece
Teu toque me apetece
Teu beijo me estremece
Teu carinho me envaidece
Teu amor me enlouquece
Tua ausência me entristece...
Adoro quando em meus braços
Cansado, você adormece!!

FRUTO DA PAIXÃO

Sou o fruto do seu desejo
Fruto da sua imaginação
Sou o fruto dos seus sonhos
Do seu querer, do seu sentimento...
Fruto que te faz viver
Fruto do seu pecado contido
Fruto doce da sua emoção
Fruto maduro, ao alcance de sua mão...
Sou fruto de suas loucuras
Sou fruto da tentação
Fruto proibido que te atiça
Fruto mágico, uma visão...
Fruto que você saboreia
Cheio de amor e paixão
Sou o fruto que te vicia,
Que te enlouquece... e te sacia!

ENTREGA TOTAL

Vem, meu amor...
Toque-me
Com o mais carinhoso toque...
Olhe-me
Com o mais ousado dos olhares...
Beije-me muito
Beijo demorado, sugado, de tirar o ar...
Sinta-me na ponta dos seus dedos
Explore-me sem pressa
Sou sua...
Vivo cada momento desse ritual
De forma total e plena
Me entrego... deliro...
Quero sentir cada segundo
Do seu, do nosso prazer
Quero sentir nossos orgasmos
Explodirem com um grito
Quero nossos corpos suados
Unidos,
Um só espírito...
Entrelaçados, apaixonados
Quero viver contigo
O mais profundo de todos os êxtases
E então descansarmos
Um no peito do outro...
Saciados e felizes...

NOSSO LOUCO AMOR

Luzes apagadas
Quatro paredes
Silenciosas cúmplices...
Eu e você
Loucos desejos
Longe de tudo
Perto do céu...
A gente se agarra
Se morde, se esfrega
Se beija, se arranha
Os corpos em chamas...
Te gosto assim
Preso a mim!
A cama tão perto!
Mas queremos ali... de pé
Encostados à parede
Como animais no cio!
Te deixo louco
E ainda acho pouco
Peço, imploro,
Fecho os olhos... me entrego
Seus dedos me invadem
Sua língua na minha...
Sua voz é rouca:
"Meu amor... meu tesão"...
Você se ajoelha
Sua boca desliza
E me faz delirar!
Agarro seus cabelos
Mordo sua orelha
Arranho suas costas
Você geme e gosta...
Então me olha
Me pega nos braços
Me joga na cama
E gozamos juntos
Loucos de amor!

MIL FACES DE UMA MULHER

Sou mulher, tenho mil faces
Um enigma, uma mistura
Às vezes doce, bela e charmosa
Às vezes criança pura

Romântica, inteligente,
Carinhosa, linda e leal
Às vezes menina inocente
Às vezes mulher fatal

Frequentemente chata e inquieta
Mas sensível, firme e segura
Apaixonada, doce e dengosa
Sempre cheia de ternura

E pra quem já me conhece
Sabe o quanto sou amiga
Mas, se irritada sou impaciente
E, confesso, bem atrevida!

Sei também descer do salto
E aí... ai de você
Posso armar um bom barraco
Daqueles de estremecer!

Já vi que você percebe
Que sou meiga e maliciosa
E, embora isso te irrite,
Sou esperta e poderosa!

Eu sei que você não quer
Dar o seu braço a torcer
Mas diga logo a verdade:
Tem medo de me perder!

Você diz que sou malvada
Debochada e até ruim
Mas... fala sério, querido:
Não pode viver sem mim!

SINTONIA...

Sinto-te tão intensamente
Que é como se aqui estivesses...
Fecho os olhos e sinto-me arrepiar
Tamanha tua proximidade...
Suavemente, sinto o calor de tuas mãos
Pelo meu corpo, devagar, a passear...
Excitada, sinto teu cheiro, teu hálito, teu gosto
Encantada, recebo teu beijo quente
Louca, te sinto a me abraçar
E assim, meio tonta,
Abandono-me, entregue a ti
E... sozinha...
Nessa total sintonia
Alcanço o êxtase
Imaginando nós dois...

PROIBIDO

Sei que não posso te pertencer
Ou sequer sonhar em te querer
Mas... será pecado pensar em você?
Não minto, sou bem sincera:
Você, meu doce pecado
Me tira o sono, me desespera
Ter-te ao menos uma vez
Te abraçar, beijar seus lábios
Ah, que delícia... quem me dera!
Sonhos loucos, irreais
Fantasias proibidas
Delírios pra lá de sensuais...
Não... não tente me convencer!
Entre a realidade do não poder
Prefiro o desejo de te querer
Tocá-lo, senti-lo vibrar
E assim, junto comigo,
Sentir o êxtase chegar...
Sei muito bem que é impossível
Admito que é pecado
Proibido, censurado
Mas... o que fazer
Se o proibido é mais gostoso?
Excitante e tentador?
Não há como negar!
Estou perdida, sem salvação...
Enfrentando a tudo e a todos
Desafio as convenções
Pra poder te ver um pouco
Forço mil situações...
Sua boca me excita
Seu corpo me enlouquece
Meu coração ao te ver
Pobrezinho, como padece!
Diante da lei dos homens
Sei que não é permitido
E não adianta nem tentar
Pois posso me machucar
Mas vivo me perguntando:
Por que não posso sonhar...?

NOSSO MOMENTO

Quando me olhas assim desse jeito
Todo o meu corpo sinto estremecer
Coração a saltar do peito
E o desejo, então, me vencer

Nesse instante só existimos nós dois
Essa paixão, essa coisa louca
Todo o resto fica pra depois
Eu te adoro! – diz, com a voz rouca

Quando teus lábios tocam os meus
Sinto o doce sabor do mel
Retribuindo os carinhos teus
A sensação é de que estou no céu...

O que mais quero nessa hora
É me entregar a essa emoção
Que me envolve, me devora
Me faz voar sem sair do chão...

Quando pelo meu corpo passeia
Com tua língua macia e quente
Provoca, enlouquece e incendeia
Meus sentidos, corpo e mente...

Com beijos e abraços saciamos
Nossa fome, nosso tesão
Loucamente nos amamos
Com muito amor e paixão

E assim, entre carícias ardentes
Como animais no cio, brincando de amar
Me entrego inteira aos seus beijos quentes
E alucinadamente, sinto o êxtase chegar!

LOUCAS FANTASIAS

Ontem adormeci
Desejando você
Querendo te ter...
Imaginei situações
Criei fantasias
E nessas fantasias
O resto do mundo não existia
Só eu e você...
Fantasias loucas, ousadas
Sonhadas...
Porque em sonhos tudo é possível...
Até senti seu sabor
Esse doce sabor do pecado
Que me agita
Me excita, me faz tremer...
Essa sensação tão devastadora
Quanto a fúria de mil vulcões!
Amo essas viagens no pensamento
Elas me encantam,
Me fazem chegar perto
Tão perto de você...
Me enchem de euforia
E me fazem desejar
Cada vez mais
Você...

BETH JOY - a jovem escritora carioca, Beth Joy, é autora do livro ainda inédito “A ponte dos sonhos” e reúne seus textos seus textos e versos na sua página do Recanto das Letras, confira.

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POESIA & MÚSICA

quinta-feira, outubro 30, 2008

LIZETE MEINE



Foto: AMANDA COM

A SINTESE IRONICA E SENSUAL DE LIH MEINE

INTELECTUAL

Carinha com oculos
Dama safada
Lady vadia
Me arrepia!

MULHER BONITA

Mulher bonita
Um vai
Outro fica!

AMIGO

Tenho um amigo que foi outro dia no motel.
Entre umas e outras brincadeiras dela, amarrando-o na cama, vedando os olhos dele, deixou-o sem a cueca, escondendo em sua bolsa.
Ele procurou e não achou a cueca.
Relutou mas vestiu as calças e foram embora, sem a cueca.
Ela, sacana, deixou a cueca de baixo do banco do carro dele.
Dias depois, com suas clientes mulheres acharam a cueca no carro e entregaram na mão dele!
Imaginem? Quase houve um assassinato!

PERNAS NUAS

Gera tesão em mim
De forma unica
De vestidinho
Tuas pernas nuas!

TESÃO

Um dia me disseste de um corpo digno de ser lambido e ser penetrado com muito tesão! Porque não aproveitaste?

LIH MEINE – a escritora gaucha Lih Meine é formada em História e Direito, residindo atualmente em Foz do Iguaçu, no Paraná.

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segunda-feira, outubro 27, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: Amantes, de João Werner.

PERSEGUIÇÃO

Luiz Alberto Machado

Ah quando ela chega andeja afável, linda corada e amável, despida inefável como uma visão celeste com toda formosura agreste de sua apetitosa carnadura que eu persigo insone e vexado, sempre levado ao seu encalço pela febril paixão estrondosa e armado de meu falo rijo para invadir sua reclusa abissal, a sua fenda, a sua colossal borboleta mágica ventral, a relva úmida do seu sexo imantado.

E persigo noitedia indômito e sagaz até espreitar a fera acuada contumaz, até capturar sua sanha selvagem de presa irrequieta, arreada e domada, de bruços, inquieta, as mãos ao rebuço entre os cicios de deleites e festas.

Dominada, faz a viagem do pavio aceso entre as pernas e mais aperta o desejo até ser acometida pelos tremores de todos os prazeres adiados que me levam passageiro viajante pela imensidão sideral do éden na satisfação carnal.

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sábado, outubro 25, 2008

LA FONTAINE



Imagem: Venus and Vulcan, 1610, do pintor do Maneirismo flamengo Bartholomeus Spranger (1546-1611)

A FABULOSA POÉTICA DE LA FONTAINE

EPIGRAMA

Amar, foder: uma união
De prazeres que não separo.
A volúpia e os prazeres são
O que a alma possui de mais raro.
Caralho, cona e corações
Juntam-se em doces efusões
Que os crentes censuram, os loucos.
Reflete nisso, oh minha amada:
Amar sem foder é bem pouco,
Foder sem amar não é nada.

POEMA

É o jogo mais divertido desse mundo afora,
Um jogo que renova freqüentemente a ardência:
O que me agrada é que muita inteligência
Não se necessita e em nada colabora.
Ora, adivinha como este jogo se nomeia.
Você, assim como nós, o joga;
E diverte tanto a bela quanto a feia.
Seja dia, seja noite, é agradável a qualquer hora,
Porque se vê claramente sem candeia.
Ora, adivinha como este jogo se nomeia.
O belo do jogo é que o marido o ignora:
É com o amante que este prazer granjeia.
E a assistência, para os lances definidora,
Se dispensa. Nunca há pelejas.
Ora, adivinha como este jogo se nomeia.

INVOCAÇÃO À VOLÚPIA

Sem ti, doce Volúpia, o viver e o morrer
Teriam, desde o berço, idêntico valor:
De toda a criação, universal pendor,
Com que força fatal, tu consegues prender!
Tudo, por ti, aqui se passa.
Por tua causa e tua graça,
A duras penas todos vão:
Não há soldado, capitão,
Nem fidalgo, plebeu, nem Ministro de Estado,
Que em ti não tenha o olhar pregado
Das Musas na afeição, se, de serões nascido,
Um agradável som não nos encanta o ouvido,
E se ele não nos traz amena sensação,
Tentamos nós uma canção?
O que, pomposamente, é chamado de glória
E, nos jogos d'Olimpo, exalçava a vitória,
Precisamente, és tu, Volúpia divinal.
E seu preço não tem o prazer sensual?
E então por que os dons de Flora,
O pôr-do-sol, a linda Aurora,
Pomona e seus finos manjares,
Baco, razão dos bons jantares,
Florestas, fontes, pradarias,
Mães de fagueiras fantasias?
Belas artes, por quê? de quem és a nascente,
Por que tanta beldade, amável, atraente,
Se não pra vires, até nós, sempre morar?
Eis o meu parecer, por mais procure alguém
O seu desejo castigar,
Algum prazer inda lhe vem.

Ó Volúpia gentil, que, na Grécia de outrora,
De um pensador foste senhora,
Não me desprezes não: vem à minha morada,
Não ficarás sem fazer nada:
Amo os livros, o amor, música e diversão,
Cidade, campo, enfim; o mundo nada tem
Que não me seja enorme bem,
Mesmo o aflito prazer de um triste coração.
Vem, pois, e desse bem, ó Volúpia querida,
Queres então saber a medida acertada?
Pelo menos preciso uns cem anos de vida,
Pois trinta só é quase nada...

OS DOIS POMBOS
(Epílogo)

O vós que vos amais, quereis então viajar?
Não seja nunca muito longe.
E sede mutuamente um mundo sempre lindo,
Sempre novo, sempre sorrindo.
A sós, tudo supri, nada vos dê cuidado.
Eu amei uma vez: e por isso, jamais,
Por tesouros, paços reais,
Por todo o firmamento e o céu todo estrelado,
Eu trocaria algum lugar
Honrado pelos pés, aceso pelo olhar
Da querida pastora em flor
A quem, ferido pelo Amor,
Servi, preso por meus primeiros juramentos.
Ai! quando voltarão semelhantes momentos?
Tanta amável mulher, cheia de encantamentos,
Ao léu, me deixará, de minha alma inconstante?
Ai! se de novo o peito ousara se inflamar!
E não mais sentirei afeição que me encante?
Já se foi meu tempo de amar?

A VIUVINHA

A perda de um marido inspira muitos ais.
Brada aos céus a viúva e depois se consola,
Pois nas asas do Tempo a tristeza se evola.
De novo o Tempo os gozos traz.
Entre a recente viuvez
E a que tem pouco mais de um mês
A diferença é grande e quase que se pensa
Que não seja a mesma pessoa.
Uma nos faz fugir, a outra é linda presença.
Aquela, um pranto falso ou verdadeiro entoa;
E sempre a mesma nota e conversa sem fim;
Diz que não tem consolação;
Fala, mas não é bem assim,
Como neste conto verão,
Que bem traduz uma verdade.
O esposo de jovem beldade
Partia para o além. A seu lado, a mulher
Lhe gritava: "Me espera, eu não quero viver,
A minha alma, com a tua, está pronta a voar!"
Quem partiu foi ele somente.
A bela tinha um pai, varão experiente,
Que o tempo deixando rolar,
Lhe disse, enfim, pra consolar:
"Minha filha, é demais o teu copioso pranto:
Exige o mono, então, que afogues teu encanto?
Se a vida continua, esquece os falecidos.
Não digo que, mui brevemente,
Melhor partido se apresente,
Transforme em bodas teus gemidos,
Considera, mais tarde, a proposta, porém,
De um jovem, belo esposo e melhor, ó meu bem,
Que o finado. - O meu casamento,
A filha respondeu, há de ser um convento."
A desgraça engolir, deixou-lhe o velho pai.
Desse modo, um mês lá se vai;
E ela gasta o outro mês, cada dia mudando,
No adorno, alguma coisa, os cabelos, o fato:
O luto, enfim, serve de ornato,
Outros enfeites esperando.
Dos amores, o alegre bando
Volta logo ao pombal; a dança, a alacridade,
Terão depois a sua vez:
E noite e dia a viuvez
À fonte vai da Mocidade.
Não teme mais o pai o defunto querido;
Deixando de falar de casamento à bela:
"Mas onde está o jovem marido
Que você prometeu?" diz ela.

JEAN DE LA FONTAINE – O escritor La Fontaine (1621-1695) pertenceu ao grupo de escritores do período clássico da literatura francesa. A sua estréia literária se deu com seus Contes (Contos), publicados em vários volumes. O primeiro deles foi Novelles en vers tirées de Bouccace et de l'Arioste (1665; Novelas em versos extraídos de Boccaccio e Ariosto) e o último teve publicação póstuma. São narrativas sutilmente licenciosas que visam a diversão do leitor. Les Amours de Psyché et de Cupidon (1669; Os amores de Psiquê e Cupido) se destaca pela elegância da prosa e pela análise maliciosa da psicologia feminina. La Fontaine tornou-se internacionalmente conhecido com suas fábulas inspiradas nas tradições clássica e oriental. Escritas em versos e reunidas em 12 livros publicados entre 1668 e 1694, incluem histórias mundialmente conhecidas, como "La Cigale et la fourmi" ("A cigarra e a formiga"), "Le Corbeau et le renard" ("O corvo e a raposa") e "Le Loup et l'agneau" ("O lobo e o cordeiro"). São fábulas que se distinguem sobretudo pelo valor literário e nas quais há elementos de comédia e drama. Em 1684, foi nomeado membro da Academia Francesa, justo reconhecimento a um autor que deu ao classicismo francês uma de suas mais belas expressões literárias.

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sexta-feira, outubro 24, 2008

SILVIA MARA



Imagem: Nu, de Jan Saudek

A CARNAL EXPRESSÃO POÉTICA DE SILVIA MARA

CRIME E CASTIGO

Quando inicia
fala aos meus pés...
se detêm em ouvir os dedos
que murmuram.
Ao calcanhar inconfessável
segredos vulneráveis.
Ensurdece os vizinhos.
(...)
Ocupa-se longamente
e permanece
permanece.
Morde meus lábios
todos os lábios.
Pequenos
médios
grandes...
me descobre
me cobre
me cobre.
Brinca de esconde-esconde
nas coxas emprestadas.
Sua
sua
sua.
Soa poesia pela boca
sua boca pelo corpo
seu corpo pelo meu.
Em par
somos ímpares.
E repete
repete...
Até exaurir os lençóis
manchar as paredes
enguiçar a janela
incendiar o abajur.
E chama
chama...
Faz suar o banheiro.
envergonha a fechadura
queima a comida.
Devora tudo o que sou.
Até que eu suplique
não posso.
Até que implore
chega.
Até que desmaie.
Acordamos
naquele horário
cientes do que fizemos.
Só nós dois sabendo
em que estado
abandonamos os corpos.

SEM TÍTULO

Continua beijando.
Sente o gosto cítrico de tomate que carrego.
Continua beijando.
E fala comigo daí.
Murmura
porque ecoa.
Fala daí.
Escutas o barulho do molhado
perdido entre as coxas onde naufragas.
Beija meus lábios
lembrando o gosto que tem minha comida.
E pensa como é quando estás com fome.
E cospe bem
cospe bem no prato que tu come.

INAPTA

Promovo uma escrita armada.
Aliada atriz incapaz de simular.
Só policio o que intenta a caneta.
Filha que casou com o pai.
Mãe do próprio marido.
Beijo oito focinhos por dia.
Quando em português pareço grego.
Há muito me abandonou o microfone.
Explode todos os dias um amigo.
Adversos encaminham os proclames.
O plantão mora lá em casa.
Abro a porta e encerro.
É madrugada que me acorda pra passear.
Não pretendo nome de rua.
Ando só de boca em boca.
Sempre que furiosa sou lúcida.
Quando sensata pareço louca.

PARADA

Entrou mais alguém.
Além de mim
mais alguém
e mais alguém
e mais
e mais...
até não poder entrar ninguém.

Nunca achei que teria tanto espaço.

DEPOIS DE TI

Minha preocupação é com as horas,
precisamente com os próximos vinte anos.
Estarei lá, bela, quase cinqüentona.
Mas e tu?
Chegarás aos oitenta?
Mais que a fraqueza das unhas, a reposição de hormônio,
a perda natural do meu vigor...
me preocupo com a tua vitalidade.
Continuarei com cabelo comprido pra disfarçar e,
certamente,
até lá,
uma prótese atenuará crises de depressão.
Já não serei tão vistosa...
Mas e tu?
Terás o mesmo ímpeto para levantar da cama?
Serás vigoroso fazendo amor?
Serás impetuoso ao levantar?
Ou já não levantarás mais?
Ou já não mais?

ROMANCE POLICIAL

(...) na voz do delegado.
Começou dar queixa
- sem crime
Decido: sedução
e registro a ocorrência
me faço de vítima
ponho ela no papel da escrivã
uso toda a autoridade
e digo não pára,
conte nua.
Então ela cala
Eu - Falo sem parar.

... e trocamos de posição.

VÊNUS VOYER

Vênus
nos

nus.

AVE!

Abro-as pra que possas alçar vôo.
Afasto devagar.
Pousa doce bico
às voltas desse néctar.
E passa passarinho.
Faz desta fenda
pra sempre teu ninho.

POEMA PARA MIM

Sou singular.
Tudo que digo
primeira pessoa.
Nos outros
só o que me reflete.
Sou indiferente ao diferente.
Minha verdade
é falsa modéstia.
Nasci salão de espelhos
Tudo que faço
pura vaidade!

... de tanto me ver
cego.

DO COMEÇO AO FIM

Quando te conheci
quis casar menina.
Da primeira vez
fiz amor parecendo última.
Éramos
anjos obscenos...
Havia paixão, fúria,
uma vontade de chorar incontrolável.
Agora o que quero é te perder...
pra sempre.

Pra que
toda esta história tenha
algum sentido.


SILVIA MARA – a poeta e jornalista gaucha, Silvia Mara, é graduada em Arte Dramática - Interpretação Teatral e em Artes Visuais pela UFRGS , participou da fundação da Casa do Poeta de Camaquã – CAPOCAM e edita o blog Amarela Poesia.

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segunda-feira, outubro 20, 2008

CRÔNICA DE AMOR POR ELA



Imagem: Andrea Blackman

A FÚRIA DO ARPÃO

O erotismo, em seu conjunto, é infração à regra das interdições: ele é uma atividade humana. Mas, ainda que ele comece onde acaba o animal, a animalidade não deixa de ser seu fundamento. (...) A interdição está aí para ser violada”. (Georges Bataille, O erotismo).

“(...) O dia inteiro nossos corpos escondidos queimam como opala arde dentro da terra, um facho de beijos que o irritado calor do sol não toca. (...) e dentro dos amantes que se abraçariam, entrelaçamos nossos ramos e raízes, nossas línguas e nosso sangue e interminável e ubíqua estrela de cinco pétalas a noite inteira queimamos para eles a nossa carne mais candente” (Kerry Shawn Keys, Fora do jardim ocidental).

Luiz Alberto Machado

Ei-la nua e linda aléia sedutora com seus moinhos de vento e seu jeito adocicado nos meus olhos lunáticos, investida de poderes e errâncias por todas as escolhas enquanto meu coração sobressaltado vira chocalho na sua nudez.

Seu corpo nu é o meu cadafalso por que Deus faz-se visível na sua expressão depravada tal anjo delicado que se profana para minha salvação no prazer e vira uma putinha vertiginosa para demover todas as minhas derrotas na remissão do prazer e me contempla tal Maria clarividente que salta à vista em pessoa: tudo flutuando na sua leveza e eu sucumbindo à tentação do meu desiderato.

Na sua candura obscena faço-me fúria de arpão para conduzi-la às cãibras do ponto culminante onde toda seiva e energia emborram nossas horas tumultuadas.

Lábio nos lábios, toda partilha do querer na lâmina aguda cortando a carne do sexo como a noite na tarde da alma e meu sexo revolvendo suas entranhas como navalha do desejo rasgando a vida em polegadas adentro enquanto a fogueira do gozo traz labaredas espalhadas na pele até tatuar nosso conluio sangüíneo.

E tudo se faz explosão e na inquietude de sua dança murmura em segredo a troca da morte do cotidiano pela vida de instantes que varrem meus receios na armadilha da noite e escorrega na superfície do meu corpo no facho dos beijos pelas litanias.

E que arrebenta o gozo sob blasfêmias histéricas onde tudo incha e treme à deriva dos nossos delírios loucos.

É a nossa agonia desenfreada que explode pele umedecida no ataque da alquimia carnal como uma raiva pontiaguda rasgando todas as escaladas, vazando o mundo, talhos e trapos, suor e piedade na segunda pele e revira, fustiga, pega fogo e cruamente penetra e desfaz flamantes cicatrizes até abrir a última instância na trilha das nossas acrobacias trêmulas.

E como um maçarico a quarenta graus de febre atiçando nosso holocausto eu vou nesta nossa explosão.

E no restolho me esconjura aturdida enquanto goza obscena fazendo de agora o amanhã e depois e sempre e esse gozo nunca terminará na memória do ranger dos dentes, no paroxismo da paixão.

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