sexta-feira, abril 03, 2009

VERS&PROSA PARA A MENINA AZUL



Imagem: Foto/Arte de Derinha Rocha

SHAKESPEAREANA

III
(NOSSA FESTA)

Luiz Alberto Machado

Toda sexta-feira, meio-dia em ponto, eu bato meu ponto pro que der e vier.

Meio dia em ponto, toda sexta-feira eu chego já pronto e o que é o que é.

E ela vem de viés com toda surpresa, rompendo a represa de querer mais.

É tudo demais e ela só me fascina, jóia excepcional, uma real mina, bailarina de Degas.

Ou nua vestal, dançarina de fuá.

E eu sentimental com toda destreza arrasto essa presa, astuta indefesa do pito voar.

E para empenar tomo a pele e o pulso, a deixo em soluço a gemer de manhar.

A se espernear no corpo rendido, eu domino o seu urânio enriquecido pronto pra explodir e eu só pra acudir num bote certeiro, quando vou de matreiro adornar seus quadris.

E se faz bela atriz ensaiando sem medo a me ter entre os dedos, a me lamber num enredo de São Paulo a Paris.

O que eu sempre quis e me morde abusada, se entope e se engasga entornando o seu mel.

Eu adoço seu fel e vou de gandaia com minha azagaia no seu beleléu.

Já sou réu condenado a morrer um bocado no meio do céu.

Onde ela faz escarcéu, reluta e se esgana, ela goza sacana no maior pitéu.

Ao léu a valer, ela não satisfez.

E vem tudo de novo pra glória de um rei, ela sabe e eu não sei, o que importa é viver e venha tudo outra vez.

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