quinta-feira, abril 09, 2009

VERS&PROSA PARA MENINA AZUL



Imagem: foto/arte de Derinha Rocha.

SHALESPEREANA

IV

(A GUERRA DO AMOR)

Luiz Alberto Machado

Toda sexta-feira, meio dia em ponto, dá-se o confronto e eu estou nu front de nossa guerra armada.

Nua abastada na soberba do seu trono não sabe do pandemônio que vou armar por buruçú com manobras de Sun Tzu num Guevara ressuscitado, pelejando revoltado a revolução libertadora.

Ave canora tão linda e indiferente vai saber no de repente com quantos paus se faz canoa.

E não à toa no meu solfejo zapatista, meu propósito reformista no seu corpo que é Chiapas.

Numa bravata sem acordo de Genebra nem de quebra o de Bogotá, muito menos haverá quem que nos detenha nessa dança tão portenha.

E que venha o combinado de Lacandona, pois assim, minha madona, saquearei seu fausto na peleja porque toda riqueza traz um encoberto crime, tudo impune, tudo se exime na maior das sem-gracezas.

E com firmeza vou impor minhas vontades devassando a sua propriedade, o seu reino e barricadas, seus motins, suas brigadas, até deixá-la indefesa.

E assim seja, com meus mísseis, os meus beijos; e o meu desejo é a munição de peso que agirá sobre tudo o que é defeso, tudo além do bem e do mal.

Vou sublevar sua cabeça paraguaia quando suas mãos uruguaias acenderem o meu braseiro.

Sou brasileiro com rajadas de jeitinho, bombardeio com carinho e ternura incendiária pra na reforma agrária me apossar da sua mina, toda alma feminina, seu encanto e seu poder.

Nada a esconder, não haverá um só esconderijo que o meu membro todo rijo não venha reconhecer.

E por vencer com valor e com denodo, aceitarei ser seu todo poderoso, ser seu rei e seu oxossi, tomando a minha posse sobre tudo do vencido.

E pro seu castigo vai festejar minha vitória que por ser tão meritória, se renda aos caprichos meus e dê graças a deus no prazer da minha glória.

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