sexta-feira, março 20, 2009

VERS&PROSA DE AMOR PARA A MENINA AZUL



Foto/Arte: Derinha Rocha

SHAKESPEAREANA

II
(OUTRA VEZ)


Luiz Alberto Machado


Toda sexta-feira, meio dia em ponto, ela apronta de tudo comigo e pronto!

Ela chega e me olha e toda se desfolha para o bem-me-quer.

Ela se abre mulher e eu sorrio, ela se rela e vira cadela no cio e me abraça e me beija, e se faz de puta e princesa quando me quer e eu sou sua passarela onde o sangue dá na canela pro que der e vier.

Ela ronda, me cheira e me fela, ela usa e lambuza, se descabela e me acusa de só abusar dela.

Ela lambe e abocanha, ela vence e me ganha na melhor de três.

Ela me agarra medonha, ela me bate uma bronha na maior maciez.

Ela chupa e me suga, ela aponta pra fuga e me faz descortês.

Ela agita e me alisa, ela grita e repisa que é a última vez.

E nem bem recomeça, ela me prega uma peça e posa sisudez.

Ela bole, suspira e rebola, ela delira e quase degola a minha rigidez.

E se aninha e engalfinha, ela jura que é minha por mais de um mês.

Ela assunta e se enrosca, ela se faz mesa posta e eu seu freguês.

Ela ajeita e retruca, ela monta mutuca e diz que não fez.

Ela esfrega e renega, ela rega e pula a janela da minha timidez.

Ela atiça e se esfola, ela então faz escola pela insensatez.

Ela aguça e me inflama, ela me queima na chama da sua nudez.

Ela se arrisca de fato, ela fica de quatro na maior viuvez.

Ela torce e retorce, ela morde, rejeita e se ajeita e nem se refez.

Ela goza e remexe, ela arrocha e debocha na maior altivez.

Ela treme e me grita e quer sair muito bem nessa fita com toda malvadez.

E quando eu gozo espalhafato de folia de bombo
Ela sorri que de fato fui salvo pela zoada do gongo.


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