sexta-feira, abril 24, 2009

VERS&PROSA



Imagem: Derinha Rocha

SHALESPEREANA

VI

(Teimosia)

Luiz Alberto Machado

Toda sexta-feira, meio dia em ponto, eu armo meu conto e me faço vigário.

Eu domino o cenário, quando nua ela aponta e nem se dá conta que sou perdulário.

Mas pelo contrário, timidez faz de conta na farsa já pronta zoar de falsário.

É que refratário, faço que não quero, enquanto desespero sua languidez.

Não vou de uma vez com sede ao seu pote, vou armando meu bote numa chave em nó cego.

Onde bato meu prego, balanço o badalo e aprumo meu falo na sua roseta.

Ela fica canhestra, de costa emborcada tão fogosa encarnada repetindo o prato.

Não vendo barato e remexe a rabeira toda trampolineira, sestrosa cunhã.

Quando geme o cardan, se contorce rameira feito puta fuleira, manhosa demais.

Eu na tuia, ai ai ai, ela enche a tirrina e vira cabotina amocega corrimão.

E nem vacila não ajeitando o garimpo, deixa o prato limpo, lambuzado nos beiços.

Eu viril ofereço toda légua tirana e soluça que abana, maior teretetei.

É que desenguiçei sua engrenagem azeitada, ainda se estira deitada, pronta pra outro teitei.

Eu nem debreiei e finquei de primeira, lavei a derradeira fazendo escarcéu.

Já virei um tetéu e salivo a fubamba pr´ela já perna bamba, refugar toda ardida.

Mas é outra pedida, o tiro de misericórdia, ela ativa a concórdia a dengar domingueira.

Pois toda sexta-feira, ela chega e destampa, quando não chora na rampa, deixa a tanga voar.

E para encurtar o rebuliço medonho, o maior tiro-ponho pra ela esgoelar.

É que não vou me esquivar de provar gostosura, pois toda formosura ela inteira me dá.

VEJA MAIS:
VERS&PROSA PARA A MENINA AZUL
GUIA DE POESIA
A TERRA: UMA PALESTRA SOBRE A CIDADANIA E O MEIO AMBIENTE
CANTARAU