Imagem: Satyr and
Nymph, 1900, de Arthur Fisher
DEPOIMENTO
DE ISIS
Depois de todo
esse querer, eu estava ali, largada, entregue e submissa aos seus caprichos...
O cansaço havia chegado, mas o sorriso nos lábios
era a prova de que havíamos chegado ao ápice do prazer. Seus olhos me fitavam
tão profundamente, buscando em minha alma a certeza de que eu havia entendido o
significado daquele momento: a entrega de vida e morte de sua essência em
minhas mãos. Havíamos feito um pacto e diante das súplicas desesperadas que
marejavam em seu olhar, deixei que o cheiro de amor que exalava pelo quarto me
trouxesse à lembrança os nossos delírios. Ainda podia sentir em minhas
entranhas a sua invasão priápica e eu me acendia como um candeeiro apenas com
seu hálito quente em minha pele, roçando os meus sentidos, provocando a minha
libido...
Eu me perdia novamente em seus caminhos, me
encontrando em seus beijos e carícias que me enlouqueciam cada vez mais.
Eu estava ali... alienada ao seu querer, ao seu
mandonismo, às suas ousadas libações, sentindo-me liberta de mim mesma, porém
presa aos seus sentidos mais ousados, aos seus atrevidos carinhos, aos seus
desejos desvairados... E eu, adorando ser uma ninfa totalmente desfalecida, sem
forças, acorrentada a todo tipo de loucura a que me expunha, enquanto o paraíso
se desmanchava por sobre a cama, clamando por todos os deuses para que me
pudesse acudir, diante daquele orgasmo ensandecido e múltiplo de nossos sexos,
como se nossa alma fosse arrojar todo a via láctea ali, naquele momento,
naquele lugar, daquela forma...
O peito arfante demonstrava exaustão... mas ao
fitarmo-nos, sequer tínhamos noção de cansaço... ah!... os corpos eram nossos
escravos e nos pedíamos, nos ordenávamos, nos impelíamos a mais um ato de
insanidade erótica, de desespero de nós mesmos, tudo em nome dessa paixão que
corrói nossa carne, que abrasa os sentidos, que inflama o nosso coração em nome
desse amor, desse querer que nos alucina...
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