Terça-feira, Dezembro 13, 2011

DEPOIMENTO DE ISIS



Imagem: Satyr and Nymph, 1900, de Arthur Fisher


DEPOIMENTO DE ISIS


Depois de todo esse querer, eu estava ali, largada, entregue e submissa aos seus caprichos...

O cansaço havia chegado, mas o sorriso nos lábios era a prova de que havíamos chegado ao ápice do prazer. Seus olhos me fitavam tão profundamente, buscando em minha alma a certeza de que eu havia entendido o significado daquele momento: a entrega  de vida e morte de sua essência em minhas mãos. Havíamos feito um pacto e diante das súplicas desesperadas que marejavam em seu olhar, deixei que o cheiro de amor que exalava pelo quarto me trouxesse à lembrança os nossos delírios. Ainda podia sentir em minhas entranhas a sua invasão priápica e eu me acendia como um candeeiro apenas com seu hálito quente em minha pele, roçando os meus sentidos, provocando a minha libido...

Eu me perdia novamente em seus caminhos, me encontrando em seus beijos e carícias que me enlouqueciam cada vez mais.

Eu estava ali... alienada ao seu querer, ao seu mandonismo, às suas ousadas libações, sentindo-me liberta de mim mesma, porém presa aos seus sentidos mais ousados, aos seus atrevidos carinhos, aos seus desejos desvairados... E eu, adorando ser uma ninfa totalmente desfalecida, sem forças, acorrentada a todo tipo de loucura a que me expunha, enquanto o paraíso se desmanchava por sobre a cama, clamando por todos os deuses para que me pudesse acudir, diante daquele orgasmo ensandecido e múltiplo de nossos sexos, como se nossa alma fosse arrojar todo a via láctea ali, naquele momento, naquele lugar, daquela forma...

O peito arfante demonstrava exaustão... mas ao fitarmo-nos, sequer tínhamos noção de cansaço... ah!... os corpos eram nossos escravos e nos pedíamos, nos ordenávamos, nos impelíamos a mais um ato de insanidade erótica, de desespero de nós mesmos, tudo em nome dessa paixão que corrói nossa carne, que abrasa os sentidos, que inflama o nosso coração em nome desse amor, desse querer que nos alucina...


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