segunda-feira, janeiro 31, 2011

ROSA PENA



Imagem: Nu frontal com colar de João V. Fino.

OS POEMETOS ACONCHEGANTES DE ROSA PENA

À RIGOR

Dispo meu vestido de paetê
Nua à rigor
Trajo você

ACONCHEGOS

Modelamos nossas massas
Muitos beijos de recheio
Sem meios: Um inteiro

COQUETEL MOLOTOV

Um verso de Vínicius.
Dois dedos de prosa.
Três beijos na boca.

SAX

Devia ter nascido um sax.
Tuas mãos em cada canção
envolvendo meu corpo
e o teu sopro, coisa de louco
emitindo em sustenidoso
som dos meus gemidos.


SABOR DE TI

Quer que eu diga?
Meu melhor batom
tem o tom de tua saliva.

ALTA TESÃO

Acima de 1000 V
preciso de manutenção!
Choque ou reboque.

QUANDO EU MORRER NÃO QUERO CHORO, NEM VELA. QUERO...

Morar no céu da tua boca.
Melhor...no inferno!
Queimar entre tuas coxas.

SANDICE

Invento que sou Sarita Montiel. Tu finges que é o Gardel. Coloco perfume de gardênia ou preferes meu cheiro de fêmea? Boca manchada de batom, uns goles de Bourbon. Arzinho inocente em seios prepotentes. Cenário bem indecente. Meia-luz em um quarto de motel. Se quiseres... Finges que é um bordel. Teus cabelos com gumex melando meu corpete de lastex.

ROSA PENA – A escritora e professora carioca Rosa Pena, trabalhou na Divisão de Multimeios da Educação na Secretaria de Educação e Cultura do Rio de Janeiro, com projetos ligados a cinema, teatro, música e literatura. Tem livros virtuais publicados e quatro livros impressos editados. Entre seus livros publicados estão PreTextos (All Print, 2004), reúne cem crônicas de sua autoria e UI! (Bagatelas, 2007), reunindo cerca de 40 contos e 50 crônicas. Veja mais dela no site Rosa Pena e no blog Eu não vim para explicar.

Veja a Campanha Todo Dia é Dia da Mulher e as manifestações no Fórum do Guia de Poesia.

Confira mais:
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Também comemorando pelas mais de 160 mil exibições e acessos no canal LAM do YouTube ,
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PROJETO CORDEL NA ESCOLA ,
TCC ONLINE CURSO
TODO DIA É DIA DA MULHER,
CRENÇA: PELO DIREITO DE VIVER E DEIXAR VIVER,
CANTARAU: CANÇÕES DE AMOR POR ELA,
MINHAS ENTREVISTAS.

SONINHA PORTO



Imagem: desenho de Sarah Stevam

O ÊXTASE SEM CENSURA DA SONINHA PORTO

SEM CENSURA

Eu sem censura
engulo teus ais
levo-te à loucura
sob à luz dos castiçais
condenados ao lírico
à ausência infinita
ondulamos oníricos,
no arder da chama que agita
hálitos frescos
sabores de menta
em beijos novelescos
sob a luz da lua birrenta
na alvura do quarto
em lençóis suaves
entregues ao desejo farto,
escondidos na alma sem chaves
gestos atrevidos
encaixes perfeitos
completamente esquecidos
a espantar a madrugada sem jeito

DORMI COM VOCÊ

Dormi leve
sentindo teus olhos em mim...
espantados
gulosos
tocando-me suaves
quase deu pra sentir
a ânsia louca
a voz rouca
indecente a tecer
finos acordes do tesão
da paixão
desfrutei...
virei vertedouro
de minha loucura por ti
versos tocaram meu ser
o puro eu...
ah, poeta...
trazes alegorias
às alas da minha existência
tão suavemente!...
terminas por ter o meu corpo
esfogueado tomas meu corpo
lírico amante
enfeitiça meus desejos
exibes o cerne impetuoso
sedento...
fragmentos desvendados
de vivências amorosas
tão encantadoramente...
o sono reteve teus abraços
os sonhos teus beijos
desenhou na alma
o profundo gozo
escreveu no tempo
o nosso lindo amor.

ÊXTASE

Quero sorver você
tirar o teu ar
acariciá-lo
ouvir o teu gemer
paixão incendiada
pelo prazer
a se arrepiar
em êxtase.

LÍNGUAS

serve-se a boca
de delicioso manjar
lanugens de seda
atraídas pelo gosto
trocas loucas
acendem desejos
do sal
do doce
da presa
lambem o fogo
saboreiam o amor
que se inflama

SILÊNCIOS
nestes silêncios
a fome aumenta
este ar de menino
me faz brincar desnuda
solto amarras, desatino
este jeito de bom moço
me arrebata e me estuda
na eloqüência depravada
do tesão em alquimia
sujeito confuso e perplexo
que de nada esquecia
de tão poeta se entrega
inteiro ao meu sexo

GOSTOS

o beijo na boca de poeta,
cheira fome de palavras
de hálito agridoce
e versos desconexos
rescende embriaguez
do vinho barato
e bêbado de imaginários
atira-se ao meu amor

VOCÊ

percorri teu corpo
feito versos
desci ao inferno
subi ao céu
senti na boca
o universo

SEM SAÍDA

fruto proibido
provoca gozo
que sufoco!
ao provar
- no entanto -
deixa um gosto
amargo na boca

AMANTES

Ais à loucura
derretem castiçais
hálitos frescos
menta arteira
luar que excita
flutuam nus
quase loucos
em lençóis macios
sombras soltas
na luz que se agita
a madrugada negra
coroada de lua
chama a brisa
pra espreitar
pelas cortinas.

ESCRAVA

arde tudo em mim
nada que faça
impede o poder da paixão
essa coisa febril
escrava
sem ar
sob o tesão
que me traga
suas garras
são seus olhos
dominada
sou a caça

VIBRAR

Dos frêmitos
apressados
cruza de bichos
e deuses
no desespero dos corpos
deliram trêmulos
frente-a-frente
despem-se rente à alma
vibram
e gemem no calor.

SONNHA PORTO – A escritora, colunista e ativista cultural gaucha Soninha Maria Ferraresi, a Soninha Porto, é formada em Comunicação Social pela PUC-RS e especialista em Relações Públicas. Trabalhou na Casa do Poeta Rio-Grandense (CAPORI), como Assessora da Presidência (2006/2007) e Tesoureira (2007). É Consulesa dos Poetas Del Mundo da cidade de Porto Alegre, Coordenadora da área de Divulgação do Movimento Proyecto Cultural Sur, núcleo Porto Alegre, Membro-correspondente da Academia Cabista de Ciências e Letras de Arraial do Cabo/RJ e da Academia Momento Lítero Cultural de Rondônia. Organizou a primeira coletânea infanto-juvenil, “Poemas à Flor da Idade”, com poetas da sua comunidade para oferecer aos alunos das escolas de Bento Gonçalves, durante a programação do XVI Congresso de Poesia, onde também lançou as antologias da Poemas à Flor da Pele (2008 e 2009), nessa cidade, durante o evento, com adesão de poetas de várias partes do País. Tem um programa de arte e poesia na Rádio Web da Gente, veiculado na internet. Veja mais no site Soninha Porto, nos blogs Soninha Porto e Poemas à flor da pele, na Antologia Momento Litero Cultural e no blog Poetas do Brasil.

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domingo, janeiro 30, 2011

DELÍCIAS DO PASSADO



Imagem: /-\, de Alexandre Grand.

SEXTA POSTURA

Luiz Alberto Machado

Por vontade e gosto ela sempre fez de tudo para me premiar além da conta.

Era ela sempre disposta com sua compleição de Vênus de Menton, ao meu dispor e com toda suculência farta de suas intimidades amealhadas e com o olhar de quem havia de explodir todos os limites da sensatez, realizando seus sonhos mais guardados e preteridos das horas da minha ausência.

Dava-se ao prazer da minha caça imprevisível como quem servia às honras do vencedor e adorava sentir-se desprevenida escrava para as minhas investidas mais teimosas por todas as brechas de sua mais secreta emanação.

Não negava fogo nem vacilava das minhas investidas mais estabanadas, dava-se como travessa pronta para ser devorada na alcova da mais selvagem tirania enlouquecida.



Ilustração: Milton DaCosta.

Sempre grato, eu não arredava o pé de me danar passageiro no seu jeito abrandado, levado por sua mão serviçal aos esconderijos mais profundos de sua carne aveludada em polvorosa, pronta para me agasalhar na revelação da plenitude de toda vitalidade.

Aos beijos muitos, eu me realizava nos seus lábios sedutores como quem roubava de suas entranhas a força viril para vergá-la aos meus caprichos mais dominadores. E ela mais cedia como terrina de todas as iguarias deliciosas para eu me fartar com sofreguidão. E lambia seus seios como quem rouba o leite para me esbaldar. E mordia seu ventre como quem arrancava o sumo vital da sua fortaleza. E me agarrava ao seu tronco como quem capturava a meliante mais ladina e perspicaz. E usava de toda sua graça anatômica como quem padecia esfomeado de sua venturosa exposição. Não largava por nada. E ela a mim se doava como quem à morte se entregava.



Imagem: La Face Cacheé des Fesses, de Caroline Pochon e Allan Rothschild.

Lavada pelos deleites da vagina pingando de tesão, salivou com satisfação de paladar o meu pássaro Bennu adorado por ela e sobejou-me o ventre com seu espírito catarista de quem me banha para a salvação. E gineteira eximia ainda me lambuzou com a sua seiva íntima que escorria pela biqueira de sua ardente sensação de prazer. E eu fazia festa entre as suas coxas e revirava suas pernas e cravava as unhas no seu dorso até que em decúbito ventral emitia um riso de quem quer me presentear o aniversário. E com imprevisível ancada, seduziu-me cunilíngua para lubrificar mais sua azeitada engrenagem até chegarmos ao grau de Epsilon com o orifício do pódice ávido de ser surpreendido pela minha Fênix incendiada. Parti para a embrechada e dei-lhe a enfiada dela estremecer na sexta postura como uma hetaira disposta a se imolar em nome do amor e da paixão. E nos perdemos temulentos para que ela flagelasse com as faces esfregadas na parede enquanto eu enterrava minha espada por sua arrabeirada como quem vencia o Everest e me vangloriava campeão sobre sua submissão de entregue à mão do seu dono.



Imagem: foto de Mirita Nandi

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quinta-feira, janeiro 27, 2011

SONIA NOGUEIRA



Imagem: Vida tão estranha, de Mariah.

O SABOR DA PAIXÃO DE SONIA NOGUEIRA

ABRACE-ME

Abrace-me como os raios de luar
Festejando o momento dos amantes
Aura espalhando em seu pulsar
Melodia sem critério hoje e antes

Envolve-me no abraço madrigal
Aquecendo a frieza, as madrugadas
Nunca falte nesta hora divinal
Emoções dispersas desgarradas

Como a planta enrosca as raízes
Na terra, procurando alimento
Traz para mim o abraço o momento

Qual sol abraça a terra ressequida
Alimento sublimando sopro e vida
Oferto outro abraço em cor matizes

LÁBIOS DE MEL

Nos teus lábios o néctar
Do saldar pela manhã
Vai e deixa adocicada
Com retorno de hortelã
É sorvete em fim de tarde
É bombom que adoça a alma
É um viver que me acalma

O SABOR DA PAIXÃO

Paixão tem sabor de pressa, vida
Como a rapidez de um achado
Fogo que queima que se endivida
Coração pulsando amor ilhado
É como um campo de concentrado
Urge alimento ao corpo na lida
Paixão tem sabor de pressa, vida
Como a rapidez de um achado
Sorve um trago na boca apetecida
A água ferve a lenha vira cinza
No bule nem chá cura a ferida
A boca amarga no final ranzinza
Paixão tem sabor de pressa, vida.

FAZ-ME UM FAVOR

Faz-me um Favor
Quando vieres traga a bagagem
Completa no rótulo da embalagem
Sem excessivos fúteis de desejos
Apenas o amor como fonte ensejos
Na voz a poesia que enaltece
No corpo temperatura que aquece
Na alma somente e somente paz
Vestindo palavra muda e eficaz
Apenas no olhar vida e querência
Sem erotismo, ao natural, vivência
Da emoção flutuando sinceridade
Para que a luz lamba consistente
Toda seiva de amor ali presente
Misto de amor, sonho, serenidade.

AMOR DE PERDIÇÃO

Ah, amor que arrasta furacão
Por penhascos corres sem limites
Nunca no querer estamos quites
Apenas um olhar em furacão
Perdidos em trilhas conflitantes
És na pele o rastro dos amantes
Dormes e respiras, alucinação

SONIA NOGUEIRA – A escritora e educadora Sonia Nogueira é graduada em História e Estudos Sociais, e especialista em Planejamento Educacional. É autora dos livros Datas Comemorativas em Poesia, Eu Poesias Contos e Crônicas e No Reino do Sininho, participando de diversas antologias. Edita os blogs Poesia e Liberdade e Eu Poesia. Visite o site de Sonia Nogueira e o Site de Poesias.

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quarta-feira, janeiro 26, 2011

AÍLA SAMPAIO



Imagem: Pornographias 01 de Rodrigo Melo

O VÔO PROIBIDO DE AILA SAMPAIO

VÔO PROIBIDO

Beijo tua boca como quem sobe ao céu
sob o silêncio das estrelas.

Abraçar-te é vê-las antes do anoitecer,
a qualquer hora rasgar o véu da noite
ou trazer o dia com sua desatinada claridade.

Corpo adentro, tu respondes ao meu chamado,
viajas comigo num grito incontido,
como quem rasga distâncias e, qual um menino,
chegas ao paraíso prometido...

Pouco importa o voo proibido
os vagões fora dos trilhos:

Todos os trens, a partir de agora, nos levarão ao mesmo destino.

CENA

Leves os teus dedos pela minha pele,
entre os pelos, entre os planos desfeitos e refeitos,
arrancando-me gemidos, certezas, dádivas, dúvidas.

Traço linha a linha o horizonte do teu corpo
como em tela pintando barcos,
como em argila esculpindo música;
em tuas calmas águas, em teus sedentos beijos
abrindo subterrâneos acordes
sob o branco dos lençóis.

É assim minha astúcia com as tintas
com que te pinto, com o barro com que te visto:
acordo cores em teu regaço,
desenho fontes onde escorre mágoas.

Depois de feita a arte-final,
por medo ou desilusão, talvez,
esqueço a cena
e te contemplo apenas de longe
como uma tela que não pintei...

VALSA

Nada mais sei quando começas a dedilhar minha pele
como se tocasses uma valsa.

Rodopios incontinentis atravessam o quarto
enquanto furto as cores das tuas palavras
para desenhar o meu castelo.

Nada mais quero senão passear descalça
sobre os lençóis macios que guardam nossos segredos;
ver teu corpo refletido no espelho
a sangue frio me atravessando
como se atravessasse a brava correnteza de um rio.

APASCENTANDO SONHOS

Como ser o teu espaço
e tua possibilidade?

O obstinado rio
a despejar no teu mar?

Quem me dera ser teu porto
no instante em que a vida arda,
não ser apenas o outro,
não ser aquele que tarda.

Pudesse te encontraria
no leito branco de nuvens,
mistérios apalparia
num sonho doce e suave.

Então, tu me indagarias:

– Trouxeste a chave?

– Sim, querida, e a lua...

– Entra, sou toda tua

CANTO DAS SEREIAS

Era quase noite em teus olhos
quando os vi pela primeira vez
e pintei o mundo de verde-esperança.

Era ali, dentro das tuas negras pupilas,
que a vida se redesenhava como um mar
de calmas ondulações.

Tão simples o amor, pensei,
sem imaginar que, pela rimeira vez,
ouvia o canto das sereias
e me perdia em turvas águas
de diabólicas paixões.

VERSOS EM TEU CORPO

Em espirais, minhas mãos
criam metáforas no teu corpo
como se escrevessem versos sem palavras.

Na sintaxe do silêncio, somos texto e subtexto,
desejo substantivo de atravessar o espelho
e chegar ao céu,
onde se podem pronunciar todos os verbos.

O SANGUE DA LIBERDADE

Quero sobretudo essa malícia
de trazer no corpo a marca das fêmeas,
seduzir reduzindo meus excessos
em assimetrias expressos
à flor da pele.

Quando for preciso,
enlouquecerei;
quebrarei as algemas
cedendo aos poucos
à tentação dos loucos
que injetam na veia
o sangue da liberdade que crêem.

Quero deter os alarmes
a tempo de aprender minha história
sem carícias a cicatrizar.
Quero além de tudo esse veneno
que denuncia minha maldade
castidade pra toda sedução,
pra solidão que eu decreto
dia a dia
adiando desejos.

BEIJO

Ele pronuncia meu nome
como quem come uvas vermelhas
e deixa escorrer o sumo pela boca;
assim, como quem toma vinho
de olhos fechados.

Na polpa macia dos seus lábios
o vinho escorre,
mancha o linho da sua roupa.

Eu, com a respiração arquejante,
as pernas trôpegas,
fraquejo, me aproximo
e bebo sua saliva num longo beijo.

MONÓLOGO A DOIS

Meu desejo também era ficar assim para sempre amarfanhada nesses lençóis, enterrada nos teus braços, apertando-me ao teu corpo até atravessá-lo. Mas há um litígio lá fora e um mundo me acusando de louca porque nunca me permiti sê-la e perdi o direito.
Não é o mundo que te acusa, tu não consegues derrubar os muros que tu mesma construíste à tua volta. Fica, eu te peço. Faz por ti a doação desse direito; o preço não é mais alto do que o que pagas na reclusão. Fica até atravessar-me, até colheres a flor que eu já não tinha e me permiti brotá-la só para que pudesses tê-la.
Ainda ontem pela manhã nem tua ausência existia porque não te sabia ser sequer um rosto na multidão mutilada que me perpassa a toda hora. E agora, do nada és meu mundo inteiro, meu ar, meu Deus num altar que nem preparei.
Quando me interpelaste nervosa, vi em teus olhos qualquer coisa antiga que sempre havia sido minha e soube desde lá que chegara o momento de entregar as armas e levantar as mãos rendido como um guerrilheiro abatido pelo desperdício da luta, não pelo inimigo. Fica que é o que queres. Que é o que eu quero: despir-te a roupa que te enluva a pele e tocar-te como um escorpião que para sempre deixará a marca. Fica que te visto depois com os gritos que tens guardados à minha espera; com o meu corpo te visto da lembrança de seres a mulher que soterraste no medo da vida. Abrirei cada fenda cicatrizada e devolverei à luz tua alegria abortada em tantos gozos fingidos. Fica por ti. Concede a ti a doação desse direito.
Não duvide que aprendi no silêncio meu melhor tom de voz. É que eu estava a caminho de ti há tanto tempo que aprendi todas as lições e as guardo de cor. Vim sem saber que estavas a minha espera. Vim de esperar-te tanto sem saber que estavas em ti todo esse tempo como um desejo. Nessa trilha que percorri, foram muitos os enganos e desacreditei que pudesses passar de uma verdade só minha imaginada e vivida na vontade, apenas na vontade avassaladora de encontrar uma justificativa para ter nascido. Agora compreendi tudo. Ficar seria perder todas as incertezas e abortar o que pode para sempre ficar nas minhas entranhas. Recuso-me a ser tua para não correr o risco de um dia perder-te.

AILA MARIA LEITE SAMPAIO – A escritora, poeta e professora cearense Aila Sampaio é graduada em Letras pela Universidade Estadual do Ceará – UECE, com Especialização em Língua Portuguesa.É mestre Letras pela UFC com a dissertação Tradição e Modernidade nos contos fantásticos de Lygia Fagundes Telles, em 1996. É funcionária da Secretaria de Educação do Ceará e integra o quadro de docentes da Universidade de Fortaleza - UNIFOR, ensinando Metodologia da redação no Curso de Direito. É assessora pedagógica do Centro de Ciências Humanas, editora da Revista de Humanidades e leciona nos Cursos de Publicidade e Propaganda e Audiovisual e Novas Mídias as disciplinas: Língua Portuguesa I e II e Estética e Linguagem. É autora dos livros de poesias Desesperadamente Nua (1987) e Amálgama (2001) e do ensaio: Os fantásticos mistérios de Lygia (2009). É membro da Academia Cearense de Língua Portuguesa, cadeira 21. Edita o blog Literaila e tem textos publicados no Jornal de Poesia, no LiteCearense e no LiteBrasil.

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terça-feira, janeiro 25, 2011

EMMA BOVARY



EMMA BOVARY

"O coração de Ema palpitou, quando o seu cavalheiro lhe pegou a mão, pela ponta dos dedos, e colocou-se em linha, esperando o sinal de partida [...] logo, desapareceu a comoção e balouçando-se ao ritmo da orquestra, deslizou para frente com ligeiros movimentos de pescoço. O sorriso assomava-se aos lábios...".

"Entretanto, como a luz das velas o ofuscava ele se voltava para a parede e adormecia, ela escapulia então retendo o fôlego, sorridente, palpitante, nua".

"E voltaram para se beijar ainda, foi então que ela lhe prometeu a achar um pretexto qualquer, a ocasião permanente de se verem em liberdade, ao menos uma vez por semana".

"(...) atraída para o homem pela ilusão da personagem, ela tentou imaginar a sua vida, essa vida retumbante, extraordinária, esplêndida, e que poderia ter sido a sua se a sorte o tivesse querido. Eles ter-se-iam conhecido, ter-se-iam amado! Com ele, por todos os reinos da Europa, ela teria viajado de capital em capital, partilhando-lhe as fadigas e os triunfos, colhendo as flores que lhe arremessavam, bordando-lhe ela própria os seus fatos de cena; depois, todas as noites, no fundo de um camarote, atrás da grade com a sua rede de ouro, teria recolhido, boquiaberta, as expansões dessa alma que cantaria só para ela; da cena, enquanto representava, ele olharia para ela. Mas uma alucinação apoderou-se de Emma; o cantor estava realmente com os olhos postos nela. Sentiu ânsias de correr para os seus braços e refugiar-se na sua força, como na própria encarnação do amor, e de lhe dizer, de lhe gritar: «Arrebata-me, leva-me, partamos! Para ti, para ti todos os meus ardores e todos os meus sonhos".

“[…] Ema trinchava, servia-o, fazendo toda espécie de pieguices, e ria-se com riso sonoro e libertino quando a espuma do champanhe lhe transbordava do copo para os anéis que lhe enfeitavam os dedos. Estavam tão completamente perdidos na posse de si mesmos, que se julgavam já na sua própria casa, onde deveriam viver até a morte, como dois eternos noivos. Diziam “o nosso quarto, o nosso tapete, as nossas poltronas” e Ema chegava mesmo a dizer “os meus chinelos”, uma prenda de Léon, uma fantasia que ela tivera. [...] Quando ela sentava nos joelhos dele, a perna ficava-lhe batendo e o chinelinho se sustinha apenas nos dedos do pezinho nu. Léon saboreava pela primeira vez a inexprimível delicadeza das elegâncias femininas. Nunca encontrara aquela graça de expressões, aquela reserva de vestuário, aquelas atitudes de pomba meio adormecida. Admirava-lhe a exaltação da alma e as rendas do vestido. Além disso, não era ela uma mulher da sociedade, uma mulher casada, uma verdadeira amante, enfim? Pela diversidade de seu caráter, alternativamente mística ou alegre, faladora, taciturna, arrebatada, indolente, despertava-lhe mil desejos, evocando instintos ou reminiscências. Ema era apaixonada de todos os romances, a heroína de todos os dramas, a vaga ela de todos os volumes de versos. Achava-lhe nos ombros a cor de âmbar da odalisca no banho; tinha colete pontiagudo das castelãs feudais; assemelhava-se também à mulher pálida de Barcelona, mas era sobretudo anjo!”

“[…] Ela se prometia continuamente, na próxima viagem, uma felicidade profunda; depois se confessava não sentir nada de extraordinário. Esta decepção voltava para ele – mais inflamada, mais ávida. Despia-se brutalmente, desatava o fino cordão do colete, que lhe sibilava como uma cobra rastejando em volta dos quadris. Ia no bico dos pés nus ver mais uma vez se a porta estava fechada, depois, com um só gesto, deixava cair ao chão toda a roupa; e, pálida, sem falar, séria, cingia-o ao peito, com um prolongado estremecimento...”

MADAME BOVARY – Na tradução de Araújo Nabuco, a obra foi inspirada em um caso de adultério seguido do suicídio da mulher, começando a sair em 1856 na Revue de Paris e foi publicado em livro em 1857. A obra acarretou ao autor um processo por ofensa à moral pública e religiosa. No julgamento perguntaram-lhe quem teria sido o modelo, tal a veracidade da personagem. Sua resposta foi histórica: “Madame Bovary sou eu”. O romance é considerado o mais importante da literatura francesa. Também se tornou o primeiro romance realista da história universal. O livro nos conta a história de Emma, uma jovem simples do interior da França, casada com o Dr. Carlos Bovary. No casamento, ela se queixava de não sair a lugar algum e também de nunca ter ido a um baile. Um dia ela conhece o Sr. Leon Dupuis, escrevente da cidade, que logo no jantar de boas vindas já dava sinais de flerte com ela. Depois, Rudolfo Boulauger, dono de uma grande propriedade denominada de La Fouchantte, que era jovem e ostentava uma riqueza e um patrimônio gigantesco. Após animada conversa, ambos subiram até o primeiro andar da prefeitura, lá passaram a dialogar e nesse cenário se deu o primeiro beijo. Ema enfim trairia Carlos. A história prossegue e muitos acontecimentos ocorrem.

GUSTAVE FLAUBERT – Nascido em Rouen, França, a 12 de dezembro de 1821, faleceu em Croisset, perto de Rouen, a 8 de maio de 1880. Filho de um cirurgião, Flaubert cresceu entre todas as misérias humanas, delas só se afastando ao ingressar no colégio Real, onde foi tomado de entusiasmo e encantamento pela poesia, pelas reconstituições históricas e pelos romances. Aos 15 anos apaixonou-se por Elisa Schlésinger, casada, com um filho e 15 anos mais velha que ele. A paixão acompanhou-o toda a vida, inspirando, anos depois, uma literatura romântica, entremeada de confissões melancólicas. Publicou vários livros, entre eles Salambô, romance histórico sobre a queda de Cartago, seguindo-se de Educação Sentimental, A Tentação de Santo Antonio, A Lenda de São Julião Hospitaleiro, Heródias, Um Coração Simples, entre outros.

FONTE:
FLAUBERT, Gustave. Madame Bovary. São Paulo: Abril Cultural, 1979.



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segunda-feira, janeiro 24, 2011

FABBY LIMA



Imagem: Calcinha Preta de Ana Oliver.

OS SUSSURROS PROIBIDOS DE FABBY LIMA

SIMPLESMENTE FABY LIMA

Alma clara feito à luz do dia,
Raio de desejo meu olhar irradia.
Acentuando os sonhos coloridos,
Despertando o tesão mais atrevido.

A lascívia tatua minha pele clara,
Deixando manchas pelo corpo.
Tenho na boca sem alguma espera,
O elixir servido direto do copo.

Instigando meus instintos carnais,
Bem escondidos... Do meu íntimo.
Isso faz com que queira mais,
Cada sensação é puro realismo.

Revelo no mistério o fetiche,
Na realização toda a revanche.
Quem me ver simples, não acredita,
Amo sonhar... Ser uma borboleta.

O sexo visto como algo profano,
Em mim torna-se soberano.
Para ele tenho outros planos,
Servir a quem tanto amo.

Enquanto isso não acontece,
Vejo que o meu dia perece.
Sou livre... Longe de todo o mal,
Quero ser feliz... É primordial.

Eu acredito, é o que tenho aqui,
Na certeza, tudo poderá mudar.
Meu mundo não irei transformar...
Sou simplesmente, Fabby Lima.

MEU VÍCIO

Quero o teu corpo possuir...
A todo instante!
Porque só nele o meu...
Torna-se mais excitante!
O teu prazer tem aqui.
Não tens como confundir.
Em movimentos ao sabor de mel!

Quero o teu corpo possuir...
Teu corpo é meu vício!
É assim desde o início.
Faz-me louca desde o princípio.
Não tenho como arguir!

Quero o teu corpo possuir...
Tens o poder de me persuadir!
O teu tesão sentir.
O teu líquido engolir!

Não posso me controlar.
Quero o teu corpo tocar!
Nele dispor do teu cio.
Este é o meu vício!

Desejo nesse vício continuar.
Tudo mais deixar rolar!
O teu mastro grosso chupar.
Dele deixar-me inundar!

Desejo nesse devaneio ficar!
Em teu peito me abrigar.
No teu corpo encontrei o meu lugar.
Em teu clímax me extasiar!

Desejo neste vício me perder!
Todos os dias possuir o teu prazer.
Desejo a este vício me entregar.
Só em teu corpo gozar!

VERTENTE EM MINHA BOCA

O teu sexo,

Entre meus lábios

Toma abrigo.

Bebo o teu líquido...

Vertente em minha boca.

O espumante...

Que me embriaga,

Deixando-me louca.

No teu sabor alucinante!

TOTAL

Desejo outra vez,

Sem nenhum revés.

Sentar sobre o teso pau,

Em uma luta constante.

Sendo a deliciosa...

De todas as amantes.

De forma bem graciosa...

Rebolando na invasão anal,

Em nosso gozo pleno e total.

TUA IMAGEM

Quando vejo tua imagem...
Em constante miragem.
Curto tua paisagem.
Encho-me de coragem!

Você faz-me louca.
Deixa-me desvairada.
A vida agitada.
Delírio provoca.

Minha mente distorce.
Deixando-me nesse frenesi.
Meu corpo se contorce.
O prazer desperta.
O coração aperta!

Seu perfume me envolve.
Quando te sinto aqui.
Ardo em teu desejo.
Desperto em teu beijo.
Queimo em teu fogo.
Em êxtase me afogo.

Tenho você de longe.
Seu gostar é meu.
Num platônico lance.
Gostoso como o mel.

Tua visão me contagia.
Meu corpo arrepia.
Não vejo razão.
Nesses joguinhos...
Que teimamos em arriscar!
Sempre na contramão.
Doces carinhos...
Desejando desfrutar.

Estamos perdendo tempo.
Não encontramos divertimento.
Mesmo não estando juntos.
Nos deparamos em apuros!

Quero em teu corpo gozar!
Com minhas mãos te acariciar!
Olho em outros rostos...
Tentando te encontrar.
A outro corpo...
Não quero me entregar!

Só em teu corpo:
Encontro o abrigo.
Que necessito!
Só em teu corpo:
Encontro o prazer.
Que eu preciso!

Vejo em teu olhar...
Que também me quer!
Que também deseja...
Colocar-me sob a mesa!
Comigo viver este prazer.
Comigo carícias conceder!

Meu corpo está em chamas.
Por ele teu corpo reclama.
Se pudesses agora me ver .
Iria logo perceber.
Que estou sozinha a arder!

Em teu desejo.
Com este meu jeito.
De com você me envolver.

Tua visão me contagia.
Meu corpo arrepia.
Tua imagem...
Reaviva a paisagem.

Posso te ver...
Em mil poses.
Posso até ter...

Em meus sentidos:
Os teus êxtases.
Os teus sussurros.
Em meus ouvidos:
Os teus gemidos.
Com o nosso agito:
Ouvir os teus gritos.
Ter seus delírios.
Sentir o teu corpo estremecer!
Sempre junto a mim!
Sempre perto assim!

Do teu clímax provar.
Fazer-te extasiar.
Deixar-te gozar!

Quando vejo tua imagem...
Em constante miragem.
Curto tua paisagem.
Encho-me de coragem!

Tua visão...
Em meu corpo.
Com arrojo!
Trás de volta a reação!

Olho ao meu lado.
Procuro-te...
Apenas o esperado:
tua ausência se faz doce.
Fico nesta impaciência!
Vejo que é precoce.

Sua lembrança.
Vem envolvente.
Inebriar-me.
Tão serena.
Alegremente.
O teu corpo...
Novamente.
Desejo possuir!

A todo instante...
Ter você aqui.
Nesta sensação.
Tão apaixonante!

Ter seus sussurros.
Ter seus gemidos.
Ter seu clímax.
Ter seus êxtases.
Possuir teus gozos.
Mostrar-te...
Como pode ser delicioso!

MAL ACOSTUMADA

Mal acostumada contigo fiquei!
Você percorrendo em meu corpo...
Sua língua... Deixando-me louca.
Delirante, sugando minha boca.
Suavemente sentindo o teu gozo,
Escorrendo gotas de suor,
Em nosso instante de amor!
Com teu sexo dentro de mim...gozei!

Mal acostumada contigo fiquei!
Em teus êxtases delirei...
Aventurei-me pelas tuas linhas.
Tua língua me sugando...sendo tua rainha!
Aqui...sem tua companhia durmo sozinha,
Outro dia, com você farei conchinha.
Sugarei teu sexo com maestria.
Em teu corpo, minha alma inebria.

MANINA SAPECA

Assim sou:
Menina sapeca.
Com água na boca...
Cheia de desejos e vontades.
Feito chama que em brasa arde!
Em turva ansiedade.
Desprendida de qualquer maldade.

Assim sou:
Menina sapeca.
Com água na boca...
Em ânsia de aprendizagem.
Vou fundo! Crio coragem!
Deixo a porta aberta.
Para uma nova descoberta.

Assim sou:
Menina sapeca.
Com água na boca...
Possuo jeito de criança.
Mas meu mundo.
Em uma gangorra balança.
Com heresia me subjugando!

Assim sou:
Menina sapeca.
Com água na boca...
Somente ser feliz!
Sem nenhum interesse.
Essa é a minha prece!
Foi e é o que sempre quis.

Assim sou:
Menina sapeca.
Com água na boca...
Mas quando desejas.
Mulher fatal sei ser!
Fazer o homem
Usufruir o meu prazer
Em uma volúpia selvagem!

Assim sou:
Menina sapeca.
Com água na boca...
Que de um homem.
Muito bem sei cuidar!
Esse mesmo homem.
Então faço se realizar.

Assim sou:
Menina sapeca.
Com água na boca...
Mostra-me uma boa garota.
Que tudo faz e apronta.
Quem ao meu lado ficar.
Não irá se desapontar!

Assim sou:
Menina sapeca.
Com água na boca...
Que te envolve.
Nessa ternura suave.
A vida faz enternecer.
Os sonhos fazem reviver.

FABBY LIMA – Publica seus textos literários no Recanto das Letras e no blog Sussurros Proibidos. Fabby Lima por ela mesma: “Para fugir de minha realidade, criei uma personagem dentro de mim. Querendo... Desejando... Almejando... Ser outra pessoa! Porém, sou um rascunho rabiscado com tantas tintas de várias cores, sendo uma pintura de um quadro abstrato qualquer. Onde por fora tento observar e encontrar alguma crítica plausível para todas as coisas que eu faço e até para aquelas que deixei de fazer. A cada traço tento me recriar... Em cada letra tento me reescrever... E fazer uma leitura e releitura... Mesmo que Imperfeita de mim!”

Confira mais:
Comemorando 5 anos do Tataritaritatá e suas mais de 150 mil visitas ,
Também comemorando pelas mais de 160 mil exibições e acessos no canal LAM do YouTube ,
ARTE CIDADÃ ,
As previsões do Doro para 2011 ,
PROJETO CORDEL NA ESCOLA ,
TCC ONLINE CURSO
TODO DIA É DIA DA MULHER,
CRENÇA: PELO DIREITO DE VIVER E DEIXAR VIVER,
CANTARAU: CANÇÕES DE AMOR POR ELA,
MINHAS ENTREVISTAS.

domingo, janeiro 23, 2011

DELICIAS DO PASSADO




Imagem: foto de Mirita Nandi.

A CUNHADA

Luiz Alberto Machado

Sempre fui bem recebido pelas cunhadas. Uma delas, a Valbânia, foi aquela que mais me chamou a atenção. E tudo começou por nada. Bastou certa tarde, a gente conversando, de forma inadvertida, meu braço roçou seus seios. Um choque. E me arrepiei na hora com aqueles ductos duros, provocantes, pareciam mais insistentemente me chamando praqueles assanhamentos libidinosos que nos levam ao delírio dos prazeres.

Doutra feita, estava eu vasculhando algo e ela roçou seus seios num dos meus braços. Pareceu acidental, mas era provocação demais para que eu pudesse passasse em branco, sem ao menos demonstrar que aquilo buliu com a minha libido. E, depois disso, passei a olhá-la mais fixamente, fuzil na mira, dentes aguçados, preparando os apetrechos da caça.

Uma vez flagrei sua língua lambendo os lábios e me fitando permanentemente. Fiquei sem jeito. Não sei como sua irmã não vira tudo aquilo. Eu só ficava inquieto e sem poder fazer nada, mas com toda gula armada para digerir aquele banquete que me chamava de banguelo.

Certa feita num restaurante, a namorada saiu um instante e ficamos sozinhos. O papo estava acalorado. Foi quando ela disse-me:

- Isso me dá um tesão danado...

- O quê? -, perguntei-lhe.

Não obtive resposta porque a namorada já estava de volta à mesa para continuar o papo anterior. Que coisa! Não dava uma dentro, nada de oportunidades abertas para que eu pudesse colocar meu trem nos trilhos.

Lembro bem que certa noite eu estava dormindo e me acordei com a certeza de que alguém estava me bolinando. Mas não vi ninguém. Olhei dos lados e investiguei o ambiente e nenhuma alma viva além da namorada que dormia sono solto estava ali. Nunca acreditei em fantasmas, mas desconfiava que algo de inusitado ocorrera e a minha excitação estava me atordoando.

Quando fechei os olhos percebi alguém se movimentar no ambiente, não deu pra ver quem era. Mas fiquei comigo: é a cunhada. Levantei-me, fui até o banheiro no corredor e percebi barulho de pisadas pela casa. Parei à porta e fiquei espreitando. Nada. Entrei, levantei a tampa da privada e dei descarga. Corri até a porta e fiquei de mutuca e logo percebi a porta do quarto da cunhada se fechar. Pensei comigo: vou lá? Menino, fica quieto. Não vai arrumar sarna pra se coçar. Fiquei na dúvida: vou ou não vou? E fui. Quando cheguei na porta, coloquei a mão no trinco e não tive coragem de abri-lo. Fiquei alguns segundos ali em pé, esperando qualquer reação do lado de dentro. Deu para ouvir ela se arrumando na cama. Pensei melhor e retornei pro quarto da namorada. Não seria daquela vez.

Certa tarde fui à casa da namorada e todos haviam saído, exceto a Valbânia que se encontrava lá em trajes sumários. Ela abriu-me a porta com um sorriso e me saudou com beijos à face, dando-me a oportunidade de sentir o fragor do seu perfume natural. Mais uma vez senti-lhe os seios robustos roçar os meus. Era tentação demais.

Adentramos conversando quando ela me chamou para mostrar um vídeo. Era um clipe denominado “A cunhadinha”. Não tinha a mínima idéia do que seria exibido, mais logo me deu a sensação de que se tratava de um vídeo pornô. E era. Ela sentou-se do lado e com um dos seus dedos entre os lábios, percebi que o mordiscava enquanto a atriz atuava na felação. Deu pra perceber sua excitação contaminando todos os meus nervos. Fiz de tudo para manter a sensatez e deixei que ela percebesse que eu apenas estava grudado na cena ao que parece mais a excitava.

Enquanto a cena transcorria mais ela ficava com exclamações que me deixavam numa sinuca de bico, sem saber o que fazer.

Quando o vídeo terminou, ela ousou soltar de forma espantada uma surpreendente expressão demorada: - Uau!

Fitei-lhe o rosto afogueado e eu já sem um pingo de juízo estava pronto para abocanhá-la, quando a porta abriu-se e quase todos nos flagravam ali com a boca e tudo na botija dela. Tirou um fino. O fuzuê dos que chegavam era grande e minha cabeça rodopiava com o coração na mão, os pés sem terra, o mundo todo para me condenar. E para me recompor deu trabalho. A namorada chegou aos beijos apaixonados e nem notou que estávamos ali, eu e Valbânia, prontos para virar caça e caçador um do outro. Vertigem braba.

Logo a namorada levou-nos os 3 para o bar que ficava ao lado da residência dela. Eu todo sem jeito, não sabia onde colocar as mãos, cheio de pernas, a cabeça a mil e a volúpia queimando toda minha carne.

Logo a namorada trouxe-me uma cerveja gelada e foi colocar uma música apaixonada na vitrola para mim e zarpou para arrumar as coisas lá pra dentro, deixando-nos a sós novamente. Enquanto ela tomava providências, a irmã flertava comigo.

Valbânia cada vez mais tinhosa e sensual fitava-me com a resistência de quem quer virar a cara pro perigo e me deixar em palpos de aranha. Insistia em ver-me atordoado com aquilo tudo, sacando minha agonia de ser pego pela namorada com licenciosidade pra banda da irmã dela.

Parecia uma tocaia que eu não via como sair ileso. Parecia uma armadilha para consumar a minha infidelidade. Parecia uma arapuca impossível de me desvencilhar. Estava na encruzilhada sem saída.

Foi quando para tornar a situação mais aguda, Valbânia convidou-me para dançar a canção romântica, uma daquelas da gente só ficar mexendo as pernas sem sair do lugar. Era o que ela queria. Colou seu corpo no meu e suas coxas se insinuaram firmes entre as minhas.

Senti seu ventre roçando o meu, quando meu membro ficou buliçoso e mais se avolumava com seus achegamentos safados.

No meio do nosso embalo, ela ainda teve o topete de gritar pra irmã:

- Mulher, teu namorado dança muito bem! Dá vontade da gente perder a cabeça!

Ambas riram. Minha namorada veio, deu-me um beijo na boca e disse pra irmã:

- Esse é o meu gostoso, o macho mais tesudo do universo -, e saiu nem aí pro que estava acontecendo entre eu e sua irmã.

Foi então que Valbânia aproveitou-se e mais se esfregava em mim e ninguém dando conta no recinto.

Corpos colados, ela prendia e soltava a respiração excitada no meu ouvido. Ronronava, manhava e saltava dengos roçando os lábios no meu rosto. E mais apertava o meu corpo contra o seu insinuando passos como que me levando para algum esconderijo. E rodopiava nos meus braços e me fazendo presa de seus arrochos.

Quanto mais suspirava, mais se apertava em mim caçando uma toca para se entregar, enquanto suas mãos bailavam alisamentos no meu pescoço, ombros, peito, quadris, até que uma das suas mãos deslizou por meu corpo até se apoderar do meu membro assanhado já babando rijo de deixar mancha na calça.

- Hummmm!... -, e sentiu nos dedos seus dedos o registro da minha gosma que já melava, até levá-los à boca como que degustando o meu sabor e mais ela impava, sôfrega e alucinada, ora alisando, ora apertando meu pênis já meleguento e pronto para invadir-lhe todas as intimidades.

Num rodopio maior, ela me soltou puxando para pularmos na piscina vazia. Sabia que ela estava caçando canto para nosso incêndio. E ali me beijou farta e despudoradamente remexendo o zíper da minha calça e já trazia entre as mãos o meu caralho louco por todas as suas remexidas. Loucura total. Qualquer um podia chegar à beira da piscina e ver-nos beijando abrasados. Seria o flagra e ela nem aí. Eu assustado com o risco, não conseguia conciliar a sedução e a horagá do imprevisível.

- Essa mulher é louca! -, disse-me para mim mesmo. E parece que ela leu meus pensamentos dizendo:

- Você acha que sou louca, né?

Respondi-lhe com movimento afirmativo de cabeça. Não tinha nem como dizer qualquer palavra, ela me dominava por completo.

Foi quando ela me tomou pela mão, subiu a escadaria da piscina e de forma nem aí pra quem tivesse me arrastou até o quarto que servia de depósito de bebida, abriu e mal trancou a porta, encostou-se na parede, acocorou-se e mandou beijos muitos, lambidas, abocanhadas e chupadas na minha pica com sede e fome de milênios. Confesso que esmoreci e me rendi aos seus apelos felatórios. E se alguém abrisse a porta? E se visse ali aquilo tudo acontecendo? Eu não sabia se mandava ver ou se me precavia da tragédia que seria aquilo tudo acaso fôssemos vistos.

Quando ela percebeu que eu estava para lá de excitado pronto para ejacular, ela levantou-se e me puxou para o canto arranchando-se sobre a mesa, desvencilhando-se das vestes e me trazendo para dentro de suas pernas abertas com a sua vagina quente em fogo e molhada de me deixar lavado de prazer, com um entra-e-sai de amor que me fez locomotiva louca a reverberar grunhidos loucos por seus trilhos imensuráveis, a me fazer navegação rasgando os mares rumo ao centro dos oceanos, a me fazer nave singrando o universo até o íntimo de toda galáxia perdida dentro dela.

Quando já estava por um triz ela me puxou com força, fazendo-me deitar na mesa e ela montou para cavalgar a loucura do seu desejo, gritando alto e sem-vergonha, até alcançar o ápice de seu orgasmo para meu delírio no gozo, até cair trêmula, arreada e sem fuso, totalmente estirada sobre meu corpo, transpirando como louca e com a boca no meu ouvido repetindo em sussurro: gostoso.... gostoso.... gostoso.... gostoso.... E dormiu. Eu até me esquecera de como íamos sair dessa.

Veja mais Delícias do passado (contos pornográficos)

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quarta-feira, janeiro 19, 2011

TODO DIA É DIA DA MULHER



Imagem: Venus of Urbino, 1538, do pintor da Alta Renascença italiana Ticiano (ca.1488-1576).

CRÔNICA DE AMOR POR ELA


Luiz Alberto Machado


Nada merece mais a nossa gratidão que o ventre materno, seja ela simples dona de casa alagoana ou uma resignada do mosteiro de Argenteuil.

Decerto todos nós passamos pelo canal de parturição, nós, vivos ou mortos, já viajamos nove meses na aeronave do ventre, dependentes da ternura materna até termos a consciência do oxigênio e da vida.

Nada seria interessante se não fosse o poder da concepção que elas carregam no ventre, seja ela secretária executiva de Natal ou trabalhadora de Orange.

Nada é mais admirável que a fecundação quando tudo se faz de prazer atravessando a zona pelúcida para gerar filhos da vida, adubados pelo carinho e a ternura da maternidade, seja de uma simples balconista de Terezina ou aquela de Guaratinguetá de Di Cavalcanti.

Admirável é a sua anatomia, o seu design belo de recipiente do amor e do prazer, seja ela gueixa de Kioto, Aprés le l bain de Degas ou vendedoras de frutas da Martinica. Ou mesmo a de Unamuno no banho, ou costureira do mercado de Abi Djan.

Que seja amada como uma simples rendeira de Aracati, ou mestiça do Gabão; ou tuaregue do Níger; ou ticoqueira da cana-de-açúcar.

Que seja amiga mesmo como camponesa nordestina ou do milharal do Haiti. Ou mesmo uma cachorrona sexy, maluca pauleira, fatal miss ou sedutora perversa.

Que seja malandra, dócil ou abestada, ou quitandeiras do Recife, prostitutas de Brasília ou a executante de alaúde de Caravaggio.

Sempre serão belas mesmo que seja uma simples jovem turca, ou esquimó da Groenlândia ou, mesmo, a Garota de Ipanema.

Sempre serão exuberantes mesmo na simplicidade daquela das colinas de Chittagong em Bangladesh ou aquela lavadeira de Portinari. Ou nativa birmanesa ou aquela marabá de Rodolfo Amoedo. Ou mesmo a colhedora de chá do Ceilão ou uma linda índia Kamayurá. Ou, ainda, Le bain au serail de Theodore Chasseriau.

Pode ser uma humilde tecelã de seda em Bali ou operária de qualquer montadora de São Bernardo do Campo. Ou a nômade Fars, ou humilde verdureira da feira de Caruaru.

Pode ser uma dedicada vendedora de cosméticos de Aracaju ou Nu à contre jour de Bonnard. Ou uma Diana de Lee Falk, ou a Danae de Rembrand.

Pode ser uma teimosa da vida ou Fleurs de la prairie de Maillol ou humilde enfermeira de um hospital de João Pessoa.

Pode ser uma adolescente eterna sonhadora ou a estudante de Anita Malfati ou uma nativa das ilhas Trobriand, ou a Vênus Anaduomene de Ingres ou As Artes de Van Gogh.

Que seja musa dos escritores, poetas e compositores ou mesmo uma perdida nas veredas da vida, ou Vairumati de Gaugin, Vênus de Brozino ou a que carda lã no Nepal.

Seja a Bovary de Balzac ou a dedicada submersa entre marido e filhos. Ou a Nu de Modigliani ou uma passageira de Olinda; seja a mãe de Almada Negreiros, ou de Gorki, ou Valentina de Guiido Crepax.

Seja ela Velta, ou Lôra Burra, a Vênus de Urbino de Ticiano ou Léda Atomique de Salvador Dali; ou femme de frisant de Toulouse-Lautrec; ou uma da cadeira de David Lingare.

Mas também que seja ela Safo, louca, aguerrida ou desgarrada. Que seja uma sumidade intelectual ou muçulmana de Oman, mestiça de Cuenca, mulata do Rio de Janeiro ou mesmo estabanada andrógina da noite na paulicéia desvairada.

Seja mesmo o que for: a “Mulher” de Geraldinho Azevedo & Neila Tavares, ou mesmo “Todas elas juntas num só ser” de Lenine & Carlos Rennó, ou tantas outras grandes e anônimas mulheres deste planeta, aqui só gratidão. Obrigado por existirem. Esta a minha homenagem, MULHER

TODO DIA É DIA DA MULHER – Participam da campanha Todo dia é dia da mulher famosas, anônimas, esportistas, professoras, turistas, pesquisadoras, radialistas, profissionais liberais, artistas, empresárias, jornalistas, autônomas, ilustres, ambulantes, intelectuais, mães e jovens, para todas a nossa homenagem.

Com vocês, a mulher:

MAURREN MAGGI

ANA TERRA

AMELINHA

NEILA TAVARES

SILVIANE BELLATO

MARIA ESTHER MACIEL

MARCYA HARCO

KATIA VELO

SUELI COSTA

GERUSA LEAL

CLARA REDIG

SOCORRO CUNHA

JOZI LUCKA

ARRIETE VILELA

SÔNIA MELLO

CLAUDIA TELLES

CARMEN SILVIA PRESOTTO

CYANA LEAHY

LEILA MÍCCOLIS

CRISTIANE GRANDO

JOYCE CAVALCCANTI

REGINA IGEL

IRAH CALDEIRA

MARIZA LOURENÇO

LUCINHA GUERRA

DERINHA ROCHA

DHARA – MARIA ALZIRA BARROS

SÔNIA VAN DIJCK

XÊNIA ANTUNES

ANA LUCIA VASCONCELOS

VIRNA TEIXEIRA

LUCIANA MARTINS

VANIA MOREIRA DINIZ

KARYME HASS

TAMMY LUCIANO

ALÊ CAVAGNA

TATIANA COBBETT

CLAUKY SABA

CLAUDIA COZZELLA

MARIA DAPAZ

ROGERIA HOLTZ

MONIQUE KESSOUS

DI MOSTACATTO

DRICA NOVO

ANDRÉIA KRIS

SILVILI

CATARINA MAUL

GRETA BENITEZ

BEE SCOTT

ROSANA SIMPSON

JU MOTA

ANGELA CARLOS

LU HORTA

ANA LUISA KAMINSKI

VALÉRIA TARELHO

SORAIA SILVA E SOUZA

KATYA CHAMMA

KATIA SAULES

SUZANA MAFRA

VELTA

SALETE MARIA

SYLA SYEG

RUTHE LONDON

IVALDA SILVESTRE DA SILVA

ZENAIDE MORO – DJ ZEN

SILVÂNIA MAIA DUTRA

CLÉLIA MARTINS

JAQUELINE ALVES PINTO

JANAÍNA FERREIRA DA SILVA

SANDRA SILVA

JULIANA PAIVA

SIMONE HAYASHI

ESTÉFANE CRUZ

ERIKA LAENDDER

A MULHER

VERS&PROSA PARA A MENINAZUL

TODO DIA É DIA DA MULHER

TODO DIA É DIA DA MULHER II

CRÔNICA DE AMOR POR ELA




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sexta-feira, janeiro 14, 2011

LARISSA MARQUES



IMAGENS & VERSOS: A ARTE ERÓTICA DE LARISSA MARQUES



ÁGUA

em sua boca
sou fluida
quase falida

em ventre
o gozo
quase parida

em lábios
essência
saliva

FOTOCÓPIA

tatuados
na língua
esporos teus

transcritos
em falo
de outrem



DEDICADA

faço tudo de mansinho
para ver se esse momento
passa bem devagarzinho

TEXTURA

minha pele
arrepiada
sob a sua
mordedura

ME DEIXE SOLTA

já passei do ponto de querer amores eternos, dois dedos de prosa depois do sexo não é nada mal, até presume-se estima. os laços que me prendem desatam-se do ser amado, mesmo que encontre o gozo, prazer maior em seu corpo, não há o que me prenda a ele. nem os batentes de porta ou o sufocar de seu braço. minha essência tem cheiro de láudano e evapora como. me deixe solta! se quer se deitar comigo, não só por uma noite, entenda que os olhos me prendem mais que abraços e quem tem coragem de fechá-los diante de mim, possuirá meu sorriso enquanto eu viver. não choro ao sair, deixe a porta sem tranca para que eu não precise fugir. só deixo para trás o cheiro de meus ais grudados em colcha sua!



-*-

em devaneio esgarça
engasga o verso afoito
do meu beijo
ao coito
da língua
ao ventre
quero-te meu
como o vento
de um sopro
que não posso pegar
mas sinto
arfar em pulmão
e leito
inflar o falo
e o peito.



LARISSA MARQUES – A escritora, editora, artista visual, blogueira e excelente poeta Larissa Marques comanda a Utopia Editora. Ela também edita os blogs Meus Escritos, Pacto Pagu, Tesão de Ouvido,Calamidade Visceral, Lágrimas de Dali, Sob o olhar de Cecília - Insano e Profano, Os caleidoscópios, Manufatura, Tangerina Napalm, a revista eletrônica feminina Falópios e reúne alguns de seus textos no Recanto das Letras. Todos os poemas e imagens aqui reunidas são de autoria de Larissa Marques.

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terça-feira, janeiro 11, 2011

VILMA ORZARI PIVA



Imagem: Mulher Nua, de Niceas Romeo Zanchett

OS FRUTOS DO PARAISO DE VILMA ORZARI PIVA


DEBAIXO DA PENUMBRA

Como se o mundo cantasse na minha carne
O fogo do sol em danças de lavas a queimar,
Sonhei-te aos quatro cantos da minha cama
Em febre ardorosa dos lençóis a me tocar.

Debaixo da penumbra da minha pele
Tua boca ardente no meu seio a sussurrar
Palavras molhadas junto do meu corpo
Abraçado ao teu num rito a me desvendar.

Quenturas dançantes em movimentos
Rasgando meus sete véus em sustenidos,
Requebravam reais desejos na tua clave
Regente do meu ventre num gozo derretido.

De amor e tesão em frenesis ensandecidos
Num só corpo em labaredas de alucinação
Sentindo-te explodir no meu calor incendiário
De odalisca toda nua no teu corpo de paixão.

NOSSO NINHO, NOSSO VINHO

Teus braços de amar em nosso ninho
Prendem meu corpo pelas bordas
Do gozo, na taça desse teu carinho
De avinhado gosto que me transborda.

À tua carne nua, perdida e louca,
Nas tramas das volúpias reatadas,
Pelo à pelo, bebendo em tua boca
A ebriez das nossas peles atadas.

E de tão perto sinto teu respirar,
Quente, aquecendo meus picos,
Estreitando meus seios no arfar

Do nosso sexo, gemente por amar
Noite e dia, entrelaçados, etílicos,
Nessa paixão sem nos desabraçar.


TRAGO-TE

Trago-te nessa fluidez do meu corpo
Invadido dos teus sóis em melodias
Em sintonia desejosa ao despertar
Nessa minha sentença de te amar.

Lado a lado, envolta nos teus braços
Que bem me sabes no que bem te sei
Na minha pele louca em transpiração;
Na volúpia implacável das vontades
E tu, seduzido minha boca de paixão.

Impregnado nos lençóis dos meus pelos,
Teso, na febre dos meus beijos ardis
Desnudando desejos nos teus quadris
Emprestando-me a coragem que senti,
No gozo alucinante das tuas mãos viris.

E te tenho na minha língua confessa
Traçando meus lábios no teu peito
Num deslizar de dedos em fulgores
Trilhando afrodisíacos suores
Nas reentrâncias sedentas
Do meu corpo faminto no colo teu.

FAGULHAS DA PAIXÃO

Teus lábios nos meus é um regalo
De mel desejoso, ardiloso!
É céu de emboscadas para amá-lo
Enleado do meu beijo mais ansioso.

Beijo de fazer amor contigo,
Perdida em tuas mãos sem reversas
Descobrindo-te doce castigo
Nas reentrâncias de ser tua Eva.

No paraíso do teu corpo suado,
Ofegante e louco em prontidão
Ao bote de um cio serpenteado

De fagulhas nos poros da paixão,
Estendendo-me o éden molhado
De carícias na tua língua- sedução.

MEU DENGO

Meu dengo, te tenho no meu capricho
Assanhando reentrâncias sem juízos
A morder minha boca louca de guizos
No cheiro da tua pele sou toda rabicho.

Em ti me espicho ao assalto do teu peito
Sento no teu colo e beijo-te o pescoço.
Tuas mãos nos meus seios em alvoroço
Sobem calafrios acinturados de estreitos.

Nas tuas lambidas que gemem roucas
No banho dos suores na minha anca
Entalhas-me o teu corpo molhado.

Em ondas de desejos que alavanca
Meu trote sem rédeas de potranca,
Morro nas selas do teu amor atiçado.


FRUTOS DO PARAISO

Num sopro divinal, humano e quente,
Homem, parceiro de Deus da criação;
Guardião que deita as suas sementes
A florir as terras férteis do meu chão.

Entre carícias de lençóis em beijos
Liberto teus alívios nos meus seios;
Milagre da vida na trama dos meios;
Amor perfeito entre nós sem pejos.

E sobre o altar sagrado da nossa cama
Teu corpo me seduz e me esparrama
Felicidade fecunda da maçã em chamas.

No júbilo molhado dos nossos improvisos
Ardem as sarças terrenas de avisos:
Homem e Mulher - Frutos do paraíso!

ME BEIJA E ME ABRAÇA - Rondel VIII

Me beija, amor! Me abraça forte!
Quero meu norte de enlouquecer
com teu cheiro no meu cangote,
ver o paraíso em abraços de viver.

Quero a sede da tua boca de beber
tremores em meus lábios de mote:
Me beija amor! Me abraça forte!
Quero meu norte de enlouquecer.

Quero-te e que nada mais importe
Às nossas línguas na taça à sorver
O tempo do amor que à toda sorte
Brinda gostoso esse nosso prazer.
Me beija amor! Me abraça forte!

DANÇO CONTIGO

Danço contigo de olhos fechados
A cada nota, cada palavra da canção,
Ritmada aos bailados da emoção
Num mosaico de sonhos alados.

E conduz-me enlaçada em teus braços
Na cadência dos corpos num só compasso
Acentuas gingas acinturadas ao teu laço
Rodopiando-me desejosa nos teus passos.

E respiro-te próximo da alegria e do prazer
Na música das nossas pernas movendo-nos
Na pista do ir e vir orquestrando-nos
Amantes, sedutores para um só querer.

MAR DE ZEUS

Lua e mar bailam ondas maliciosas
A pecar comigo teu corpo molhado
Nas águas de ondas ardilosas
Somos atraídos ao gozo salgado.

E deixo-te em meu corpo de pecado
Saboreando tua boca nos meus seios
Enrijeces auréolas do amor retesado
Deitas-nos arrebentações em meneios.

E dilatas-me de amor ensandecido
A deslizar teu tórax nos lábios meus
Sinto fibras, veios embevecidos,
Friccionando–me no teu mar de Zeus.

Mergulho na tua pele expandida,
Portentoso de não caber em mim,
Olho-te nas estocadas a me dizerem sim
E gozo encaixada no amor, absolvida.

POSSEIROS DE NÓS

A música regente traz o compasso
Lascivo das melodias da nossa cama
Estreitando-nos sensores de quem ama,
Corpo à corpo, pelo à pelo, passo à passo.

E capturas-me nos enleios da tua voz
Deixando-me louca, impregnada ao colchão
De loucuras dançarinas no quarto da paixão,
Entre quatro paredes, posseiros de nós.

E cadencio meu corpo junto de teus ais
De tessituras azuis e músculos aguçados
Que me apertam em requebros molhados,
Ao ritmo da boca mordiscante de teus sais.

E rodopio nas delícias faiscantes do teu peito
Gingando contigo, envolvente no meu quadril,
Fibras-me ao maciço do prazer em luas de abril
Aconchegada entre tuas pernas, meu doce leito!

AMANHECER EM TEUS ACORDES


O amanhecer das flores orvalhadas, por entre beijos guardados nas reentrâncias dos travesseiros, acorda-me perfumada de ti , e conferes minha pele nas pontas de teus dedos carinhosos, que perceptíveis expandem-se por caminhos umedecidos em tuas noturnas digitais.

Acaricias meu rosto, meus cabelos estendidos na temperatura de teus abraços reluzindo o sol sobre a cama desarrumada.

Ao som dos pássaros canto teu nome no céu da minha boca e vislumbro o amor nas paredes azuis do nosso quarto.

Sinto o néctar de nossas línguas embebidas de licores, despertando meu corpo no transpirar das gotas da tua saliva, e estremeço minhas pernas na harmonia de teus cânticos deixados sobre meu umbigo.

Afasto suavemente o lençol... Encontro sobre meus seios teu beijo tatuado num sorriso. Estendo-te minha mão. Palmo à palmo acaricio teu peito de acordes e envolves-me ao rocio dos desejos. Quero-te!

E invade-me o tremor da tua voz ancorada nos meus ouvidos, palpitando-me felicidades sobre os balcões dos dias que renascem para nos ver felizes!


VILMA ORZARI PIVA – A poeta e educadora paulista especializada na área da deficiência mental, Vilma Orzari Piva, já foi premiada no concurso Mamede Souza - Araras/SP e é integrante da Antologia de Novos Talentos da Literatura Brasileira. Edita o blog Poesias e Prosas, possui clipes no YouTube e também reúne seu trabalho literário no Recanto das Letras.

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Comemorando 5 anos do Tataritaritatá e suas mais de 150 mil visitas ,
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TCC ONLINE CURSO
TODO DIA É DIA DA MULHER,
CRENÇA: PELO DIREITO DE VIVER E DEIXAR VIVER,
CANTARAU: CANÇÕES DE AMOR POR ELA,
MINHAS ENTREVISTAS.

domingo, janeiro 09, 2011

O SEXO NA HISTÓRIA



O SEXO NA HISTÓRIA – O livro “O sexo na História” da historiadora e romancista escocesa Reay Tannahill (1929-2007), aborda questões de sexo e sexualidade no mundo pré-histórico, o homem tornado senhor, o Oriente Próximo, Egito e Europa de 3.000 a.C até 1100 d.C, as primeiras civilizações, a Grécia, Roma, a Igreja Cristã, Ásia até a Idade Média e o mundo árabe, China, Índia, Islã, o mundo em expansão de 1100-1800 d.C., Europa, empreendimentos imperiais, Europa e América de 1500 a 1800, delineando o presente de 1800-1980, o século XIX e o grande debate.

FONTE:
TANNAHILL, Reay. O sexo na História. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1983.

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