sexta-feira, setembro 28, 2007



Imagem: Reclining Nude, 1917, de Amedeo Modigliani (Pintor e Escultor Italiano, 1884-1920 - Expressionismo)

VADE-MÉCUM

Luiz Alberto Machado

- Enquirídio: um preâmbulo.

Uma vez e ela apareceu. Primeiro como a indomável Lilith que saiu irada e nunca mais voltou. Depois, como a servil Eva, que emergiu da minha costela para roubar da maçã o pecado original e causar todos os males humanos.
Uma vez e outra, ela decaída Madalena e ao mesmo tempo a serpente Nachásh. Ou ela uma das nove musas, ou como a sanguinária Anath, em Canaã. Ou como a cantada na Ars Amatória de Ovídio. Ou mesmo como uma das ninfas, ou a paciente Isis no Egito, ou Ishtar, a sagaz deusa do amor na Babilônia. Ela a mãe da terra como Dêmeter, bela e cruel como Semíramis, ou como uma serva de Afrodite.
Nem outra vez se dera, ela já hetaira, exímia cortesã bem-sucedida e influente na Grécia. Ou ela a sabotadora Messalina, a auianime no México, harimtu na Babilônia ou a jovem dos aposentos verdes da China.
Uma outra vez e de outra vez ela, a Esfinge que devora quem não decifra. Ela praticante da arte da Câmara de Dormir ou mesmo dama da corte, ou adúltera descarada.
Vez e outra ela a giyán em Bagdá ou como madona bizantina na mariolatria. Ou mesmo como tríbade, ou eríneas, ou parcas, moiras, harpias, prostituta do templo ou filha do prazer.
Outra de outra vez, ela a virgem descarnada e amedrontada ou uma daquelas vingativas femmes fatales. Ela, como a fuga de Helena de Tróia, como o sacrifício de Ifigênia, como o suicídio de Fedra, como a tragédia de Medeia, desejada Barbarela, ousada Norma Benguel, desencantada Maysa, leve e linda Joyce, filósofa Marilena Chauí, ou Claudia Bomtempo no devaneio da minha loucura noturna, ou Íris Bustamante na miragem da minha ilha deserta, ou mesmo como uma dessas celebridades efêmeras das bundas fugazes do reality show.
Uma vez, outra e mais outra ela a trabalhadora insone com todas as horas de batente extrapolando a vida. Ou mesmo como uma desolada pra titia se espremendo em rezas pro Santo Antonio. Ela, a resignada esposa cristã reclusa e privada de gozar. Ou aquela que se cansou de ser apenas objeto para reprodução. Ela, a concubina maldita com o sexo disponível na mancebia pro amante, destruindo lares e famílias. Ou aquela adolescente privada de afeto seduzida pelo primeiro carinho. Ela que sangra, ri e chora e que no seio aplaca a fome do menino. Nas coxas, segura o prazer do homem. No corpo, carrega o açúcar e o fel do que é. Na alma, a premonição e a compreensão superior. Ela que traz a vida e por ela se deixa levar.
De outra, ela comprada na feira, abominada por misóginos, propriedade paterna, do marido e dos filhos, subjugada, cantada, cuspida, adorada. Ela ninfomaníaca acendendo a vida, ela viúva ardendo na noite. Ela, Mata-Hari, ela Evita Perón. Ela a mais singular pedinte da esquina, ela rainha na Inglaterra.
E de vez outra ela, caça do macho adorada como estatueta de Vênus. Ela que já foi o mar parindo céu e terra, semeando ventres e heroína de todos os encômios. Ela vítima de crimes passionais, tal lâmina que depila como a navalha nos pulsos, o fogo no ventre, a dor de parir, o vir a menstruar. É ela. E digo que é ela a minha vida e o meu amor. É ela. Cuidado. Muito cuidado. Todo cuidado é pouco.
Primeira advertência: se não bate um coração (o amor é via de mão dupla), não use. Por favor, não abuse: é frágil. Não é descartável, nem vem com manual de instrução.
Atente para as exigências, ela encanta pela maravilha que é: mulher com toda pujança divina nas linhas do rosto, todo fausto e glória da beleza na sua herança de deusa que eu venero com a minha língua em riste no seu corpo nu espalmado no meu desejo, como espetáculo da natureza que faço versos com meu sexo na sua alma assaltada, onde tudo é belo, tudo é verdadeiro e me acrescenta e em dobro vive no meu canto: mulher.

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.

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quinta-feira, setembro 27, 2007



Imagem: The Letter, de Fernando Botero (Pintor e Escultor Colombiano, born 1932)

"Nasci nua nua e vivo como nasci (...) E vivo nua nua (...) Foi o amor que me fez o amor que me fez festa o amor que me fez fada (...) Ele me dava prazer me fazia sonhar me fazia dançar era o meu maestro eu o seu corpo de baile Foi o amor que me fez o amor que me fez festa o amor que me fez fada e te ponho de quatro quando tenho ganas teu amor me faz rir teu amor não é verdadeiro Vamos! sob a minha batuta (...) foi o amor que me fez o amor que me desfez... (Jacques Prévert, Foi o amor que me fez).

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quarta-feira, setembro 26, 2007



Imagem: Nude, 1920, de Pierre Bonnard (Pintor Francês, 1867-1947 - Nabis)

"Quero ficar no teu corpo feito tatuagem que é pra te dar coragem pra seguir viagem quando a noite vem. E também pra me perpetuar em tua escrava que você pega, esfrega, nega mas não lava. Quero brincar no teu corpo feito bailarina que logo se alucina salta e te ilumina quando a noite vem. E nos músculos exaustos do teu braço repousar frouxa, murcha, farta, morta de cansaço. Quero pesar feito cruz nas tuas costas que te retalha em postas mas no fundo gostas quando a noite vem. Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva marcada a frio, a ferro e fogo em carne viva. Corações de mãe, arpões, sereias e serpentes que te rabiscam o corpo todo mas não sentes" (Chico Buarque & Ruy Guerra, Tatuagem, Calabar o elogio da traição).

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terça-feira, setembro 25, 2007



Imagem: La toilette de Venus, 1858, de Paul Baudry (Pintor Francês, 1828-1886 - Classicismo Academico)

"(...) a sua boca é como a guerra civil (...) as suas mãos são como a voz do mato fechado os seus dois peitos são como a minha pintura o seu ventre é a história de Véthandro e Xrísandza a história de Tobias a história do asno do lobo e da raposa o seu sexo é um apito agudo em meio à calma do meio-dia as suas ancas são os últimos lampejos de recatada alegria dos rolos compressores (...) as suas espáduas são o martelo dos meus prazeres as suas costas são o olho de vidro do mar o arado dos falsos ideogramas aputa aflitivamente na sua cintura as suas nádegas são cola de peixe as suas pernas são como relâmpagos (...) e por fim é uma mulher meio hipocampo e meio colar talvez seja até meio pinho e meio elevador (Nikos Eggonópoulos, poeta & pintor grego, Eleonora).

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segunda-feira, setembro 24, 2007



Imagem: Abelardo da Hora, escultor, desenhista, gravador e ceramista pernambucano.

"(...)Os samba daquela terra tem custume deferente a muierada é tão quente de dexá os cabra fraco, abestaiô, tá no saco (...) sou doido por um carinho feito por muié bunita quando as nêga facilita só se vê os bruguelinho. As muié daquelas banda pissui as venta vermêia, é quente que nem uvêia quando tá de pasto novo. (...) E pru lado de muié eu fico todo assanhado, sou matuto do roçado e adoro fazê amô. Aqui os cabra dotô só os cuscúis das gata, os cabôco lá das mata prefere o remexedô. Quando eu vejo essas dondóca tremulando as istribeira saculejando as cadêra mostrando os bico de renda me faz lembrá das moenda castigando as pirojotá quem me déra essa cocota do zóio da cô de breu fosse lá na minha grota pra chupá cana mais eu.... (Chico Novaes, poeta alagoano, Cuscúis das gata).

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sexta-feira, setembro 21, 2007



Imagem: Red Nude, 1917, de Amedeo Modigliani (Pintor e Escultor Italiano, 1884-1920 - Expressionismo)

CRÔNICA DE AMOR POR ELA

Luiz Alberto Machado

Nada merece mais a nossa gratidão que o ventre materno, seja ela simples dona de casa alagoana ou uma resignada do mosteiro de Argenteuil.
Decerto todos nós passamos pelo canal de parturição. Nós, vivos ou mortos, já viajamos nove meses na aeronave do ventre, dependentes da ternura materna até termos a consciência do oxigênio e da vida.
Nada seria interessante se não fosse o poder da concepção que elas carregam no ventre, seja ela secretária executiva de Natal ou trabalhadora de Orange.
Nada é mais admirável que a fecundação quando tudo se faz de prazer atravessando a zona pelúcida para gerar filhos da vida, adubados pelo carinho e a ternura da maternidade, seja de uma simples balconista de Terezina ou aquela de Guaratinguetá de Di Cavalcanti.
Admirável é a sua anatomia, o seu design belo de recipiente do amor e do prazer, seja ela gueixa de Kioto, Aprés le l bain de Degas ou vendedoras de frutas da Martinica. Ou mesmo a de Unamuno no banho, ou costureira do mercado de Abi Djan.
Que seja amada como uma simples rendeira de Aracati, ou mestiça do Gabão; ou tuaregue do Níger; ou ticoqueira da cana-de-açúcar.
Que seja amiga mesmo como camponesa nordestina ou do milharal do Haiti. Ou mesmo uma cachorrona sexy, maluca pauleira, fatal miss ou sedutora perversa.
Que seja malandra, dócil ou abestada, ou quitandeiras do Recife, prostitutas de Brasília ou a executante de alaúde de Caravaggio.
Sempre serão belas mesmo que seja uma simples jovem turca, ou esquimó da Groenlândia ou, mesmo, a Garota de Ipanema.
Sempre serão exuberantes mesmo na simplicidade daquela das colinas de Chittagong em Bangladesh ou aquela lavadeira de Portinari. Ou uma nativa birmanesa, ou aquela marabá de Rodolfo Amoedo. Ou mesmo a colhedora de chá do Ceilão ou uma linda índia Kamayurá. Ou, ainda, Le bain au serail de Theodore Chasseriau.
Pode ser uma humilde tecelã de seda em Bali ou operária de qualquer montadora de São Bernardo do Campo. Ou a nômade Fars, ou humilde verdureira da feira de Caruaru.
Pode ser uma dedicada vendedora de cosméticos de Aracaju ou Nu à contre jour de Bonnard. Ou uma Diana de Lee Falk, ou a Danae de Rembrand.
Pode ser uma teimosa da vida ou Fleurs de la prairie de Maillol ou humilde enfermeira de um hospital de João Pessoa.
Pode ser uma adolescente eterna sonhadora ou a estudante de Anita Malfati ou uma nativa das ilhas Trobriand, ou a Vênus Anaduomene de Ingres ou As Artes de Van Gogh.
Que seja musa dos escritores, poetas e compositores ou mesmo uma perdida nas veredas da vida, ou Vairumati de Gaugin, Vênus de Brozino ou a que carda lã no Nepal.
Seja a Bovary de Balzac ou a dedicada submersa entre marido e filhos. Ou a Nu de Modigliani ou uma passageira de Olinda; seja a mãe de Almada Negreiros, ou de Gorki, ou Valentina de Guiido Crepax.
Seja ela Velta, ou Lôra Burra, a Vênus de Urbino de Ticiano ou Léda Atomique de Salvador Dali; ou femme de frisant de Toulouse-Lautrec; ou uma da cadeira de David Lingare.
Mas também que seja ela Safo, louca, aguerrida ou desgarrada. Que seja uma sumidade intelectual ou muçulmana de Oman, mestiça de Cuenca, mulata do Rio de Janeiro ou mesmo estabanada andrógina da noite na paulicéia desvairada.
Seja mesmo o que for: a “Mulher” de Geraldinho Azevedo & Neila Tavares, ou mesmo “Todas elas juntas num só ser” de Lenine & Carlos Rennó, ou tantas outras grandes e anônimas mulheres deste planeta, aqui só gratidão. Obrigado por existirem. Esta a minha homenagem, MULHER.

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.

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quinta-feira, setembro 20, 2007



Imagem: Nude with Arms Raised, 1951, de Balthus (Pintor Francês, 1908-2001 - Dada/Surrealismo)

Amar dentro do peito uma donzela; jurar-lhe pelos céus a fé mais pura; falar-lhe, conseguindo alta ventura, depois da meia-noite na janela: fazê-la vir abaixo, e com cautela sentir abrir a porta, que murmura; entrar pé ante pé, e com ternura apertá-la nos braços casta e bela: beijar-lhe os vergonhosos, lindos olhos, e a boca, com prazer o mais jucundo, apalpar-lhe de leve os dois pimpolhos: vê-la rendida enfim a Amor fecundo; ditoso levantar-lhe os brancos folhos; é este o maior gosto que há no mundo. (Manuel Maria du Bocage (1765-1805), poeta português, Amar dentro do peito).

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quarta-feira, setembro 19, 2007



Imagem: In the Tepidarium, 1881, de Sir Lawrence Alma-Tadema [Pintor Holandês/Inglês, 1836-1912 - Neo-classicismo Victoriano]

"Teu corpo claro e perfeito, - teu corpo de maravilha, quero possuí-lo no leito estreito da redondilha.... teu corpo é tudo o que cheira... rosa... flor de laranjeira... teu corpo, branco e macio, é como um véu de noivado.... teu corpo é pomo doirado... rosal queimado do estio, desfalecido em perfume...teu corpo é a brasa do lume... teu corpo é chama e flameja como à tarde os horizontes.... é puro como nas fontes a água clara que serpeja que em cantigas se derrama.... volúpia da água e da chama... a todo momento o vejo... teu corpo.... a única ilha.... no oceano do meu desejo... teu corpo é tudo o que brilha, teu corpo é tudo o que cheira... rosa, flor de laranjeira...." (Manuel Bandeira, ).
Poemeto erótico

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terça-feira, setembro 18, 2007



Imagem: Venus and Cupid, de Alessandro Allori (Pintor Italiano, 1535-1607 – Maneirismo)

“(...) Quem é que abraça o meu corpo na penumbra do meu leito? Quem é que beija o meu rosto, quem é que morde o meu peito? (...) Um corpo gentilíssimo, perfeito, que se amoldava ao meu e a qualquer jeito no pântano de todas as quimeras! (...) Se desejo o teu corpo é porque tenho dentro de mim a sede a vibração de te beijar!” (Antonio Botto, As canções).

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segunda-feira, setembro 17, 2007

Photo Sharing and Video Hosting at Photobucket

Arte: Derinha Rocha.

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sexta-feira, setembro 14, 2007



Imagem: The Rape of Proserpina, detail, 1621-22 Gian Lorenzo Bernini [Pintor, Escultor e Arquiteto Italiano, 1598-1680 - Barroco]

RAPIDINHA

Luiz Alberto Machado

Toda sexta-feira, meio-dia em ponto, ela chega do trampo toda avexadinha. Logo desalinha a me soltar corda na vontade que engorda com sua boca cangula. E me abocanha com gula, me agarra e me beija, começando a peleja no maior pega-pega. Ela esfola e se esfrega enquanto se despe. E eu com a peste a romper seus atalhos, me apegando ao seu talho, a maior sopa quente. Tudo bem rente na sua carne guisada pras minhas dentadas e pro meu repasto. Eu vou de arrasto arrancando a calcinha, o sutiã e a blusinha, tudo jogado. E começo com impado enchendo a pança com folia e festança de cabo a rabo. Não há menoscabo, inteira tigela. Ela que se escalpela aos grandes bocados. Eu viro ajegado quando o beijo debréia, eu pulo na boléia da sua caçarola. Ela cai de gabola e me faz seu cambão, acende a ignição a toda voltagem. Pego bigu na viagem e engato a primeira, ela enverga a traseira e me deixa tantã. E vou tal bambambam botando a segunda no rego corcunda do seu cardam. E arreia no divã toda fagueira, eu sacudo a terceira a lhe dar o que falta. E mais se engata, balança a rabeira e de forma matreira sacudo na quarta. Pra ela não basta, acelero pra quinta, ela quer mais a pinta e eu mais atolado. Bem mais que socado no seu labirinto, ela quer mais meu pinto, quer toda bilôla. Porque não é tola ela fica sapeca na minha munheca e o mundo pega fogo. Isso vai só no rodo da maior safadeza. E com toda esperteza atrepo o seu capô com cheirinho de fulô no fundo do prato. Como desiderato tomo a dianteira, ela vira farofeira, se lambuza demais. E não se satisfaz, de ré me atenta, quando se arrebenta, toda disminliguida. E como é sabida me dá seu roçado que ancho e tão pabo eu mato a pau. Já me faz seu mingau e seu acostamento, a reta é o firmamento, odisséia sem fim. Provo o seu bocadim pelo escape aprumando o tacape pelos catabis. Atravesso o menir quando ela odalisca se vira e se arrisca e chora na rampa. Eu atiro às pampas sem protocolo e a trago pro meu colo amolegando seu seios. Eu desço sem freio ladeira abaixo, seu chassi eu encaixo no maior xambrego. E nesse brinquedo está emboscada, até sentir a varada no bocal da quartinha. E mais quero mais minha e arregaço o tareco dentro do caneco aos golpes fustigantes. É mais minha amante, fêmea vezes mil, minha puta servil, linda meretriz. Não faz o que diz se entregando inteira, maior quenga rameira cheia dos ardis. E goza o que quis com a carinha mais lisa onde o olhar só reprisa a gente numa conchinha feliz.

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.

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quinta-feira, setembro 13, 2007



Imagem: Reclining Nude , de Giovanni Boldini [Pintor Italiano, 1842-1931 - Classicismo Academico]


"Vem, dama, vem que eu desafio a paz; até que eu lute, em luta o corpo jaz. Como o inimigo diante do inimigo, canso-me de esperar se nunca brigo. Solta esse cinto sideral que vela, céu cintilante, uma área ainda mais bela. Desata esse corpete constelado, feito para deter o olhar ousado. Entrega-te ao torpor que se derrama de ti a mim, dizendo: hora da cama. Tira o espartilho, quero descoberto o que ele guarda quieto, tão de perto. O corpo que de tuas saias sai é um campo em flor quando a sombra se esvai. Arranca essa grinalda armada e deixa que cresça o diadema da madeixa. Tira os sapatos e entra sem receio nesse templo de amor que é o nosso leito. Os anjos mostram-se num branco véu aos homens. Tu, meu anjo, és como o Céu de Maomé. E se no branco têm contigo semelhança os espíritos, distingo: o que o meu Anjo branco põe não é o cabelo mas sim a carne em pé. Deixa que minha mão errante adentre. Atrás, na frente, em cima, em baixo, entre. Minha América! Minha terra a vista, reino de paz, se um homem só a conquista, minha Mina preciosa, meu império, feliz de quem penetre o teu mistério! Liberto-me ficando teu escravo; onde cai minha mão, meu selo gravo. nudez total! Todo o prazer provém de um corpo (como a alma sem corpo) sem vestes. As jóias que a mulher ostenta são como as bolas de ouro de Atalanta: o olho do tolo que uma gema inflama ilude-se com ela e perde a dama. Como encadernação vistosa, feita para iletrados a mulher se enfeita; mas ela é um livro místico e somente a alguns (a que tal graça se consente) é dado lê-la. Eu sou um que sabe; como se diante da parteira, abre-te: atira, sim, o linho branco fora, nem penitência nem decência agora. Para ensinar-te eu me desnudo antes: a coberta de um homem te é bastante". (John Donne, poeta, prosador e clérigo ingles - 1572-1631-, Elegia: indo para o leito, traduzido por Augusto de Campos).

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quarta-feira, setembro 12, 2007



Imagem: The Birth of Venus, de Eugene-Emmanuel Amaury Duval [Pintor Francês, 1808-1885 - Classicismo Academico]

"Eu te peço, minha doce Ipistila, delícia e encanto deste meu viver: convida-me a passar contigo a sesta. Caso me convidares, cuida bem de que não ponham tranca em tua porta e não te dê vontade de sair. Fica em casa, tranquila, preparando-te para nove trepadas sucessivas. Se preferires, vou agora mesmo: almocei bem e ora farto, ressupino, furo, de impaciência, túnica e toga". (Caio Valério Catulo (84 a.C. - 54 a.C.), Carmem 32, recolhido por José Paulo Paes).

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terça-feira, setembro 11, 2007



Imagem: Sistine Chapel Ceiling - The Fall from Grace, detail of Eve, 1508-12 - Michelangelo Buonarroti [Pintor, Escultor e Arquiteto Italiano, 1475-1564 - Alta Renascença/Maneirismo].


"(...) As colunas das tuas pernas são como anéis
trabalhados por mãos de artista.
o teu umbigo é uma taça arredondada,
que nunca está desprovida de vinho.
O teu ventre é como um monte de trigo
cercado de lírios.
Os teus dois seios são como dois filhinhos
gêmeos duma gazela
.
(...) Quão formosa e encantadora és,
meu amor, minhas delícias!
A tua figura é semelhante a uma palmeira.
Eu disse. Subirei à palmeira,
e colherei os seus frutos.
Os teus seios serão, para mim, como cachos de uvas,
e o perfume da tua boca como o das maçãs
.
(...)
(Escrito por Salomão em Jerusalém no ano de 1020 a. C., Cântico dos Cânticos, Bíblia, Velho Testamento).

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sábado, setembro 08, 2007



FRUTOS

Letra & música de Luiz Alberto Machado

Somos frutos da mesma paixão
e o que importa é se entregar
e amar
depois no mormaço do amor
se dar enfim
no jeito doce
de escorrer pelos sonhos
até quando
se derramar pelas curvas do seu corpo
pelos rios
recifes
ondas
à deriva
até quando naufragar
por todos horizontes
que você navegar
no enleio
no anseio
do amor.

© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.

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sexta-feira, setembro 07, 2007



Foto: The Big Nude, de Helmut Newton [Fotografo Alemão/Australiano, 1920-2004].

"A jovem de pés de prata lavava os pomos dourados dos seios banhando-lhes a carne leitosa; a carnadura das nádegas redondas palpitava, mais ondulosa e mais fluida do que a água. Com a mão espalmada ela tentava encobrir o monte, mas não todo, não tanto quanto poderia" (Rufino, Livro V, epigrama 60, da Antologia Grega recolhido por José Paulo Paes).

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quinta-feira, setembro 06, 2007



Foto: Monica Bellucci, de Helmut Newton (German/Australian Photographer 1920-2004).

"(...) Os peitos da Bem-Amada nelas criaram leite e as suas coxas se arrendodaram nas luas novas (...) E tocando a Tua harpa vença das terras boas os espíritos escuros e possa enxergar a grande geração das estrelas do céu" (Jorge de Lima, O sacrificio da bem-amada).

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quarta-feira, setembro 05, 2007

terça-feira, setembro 04, 2007



Foto: Prisca, de Aldo Palazzolo.

"Eu amei a sua cara, venha cá! É um prazer ouvi-la falar, musical que nem um rio. Que navio é você na praia, que visão! É um abismo pro coração. Sim, pelo que vejo, você é a mais bonita filha da manhã! Suave beijo em lábio de maçã. Queria saber o que toca você. Queria chegar e poder lhe alcançar. Eu quero dizer que eu queria você. Ó luz do querer, minha vida é você. Eu vou buscar o céu e o mar, o que de mais bonito há pra lhe presentear o céu e o mar o que de mais bonito há" (Djavan, Navio).

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segunda-feira, setembro 03, 2007



Foto: Rafael Mariante.

“(...) Maria, era uma cafuza, cheia de grandes feitiços. Ah! Os seus braços roliços! Ah! Os seus peitos macios! Faziam Manuel babar... (Ascenso Ferreira, Oropa, Fraca e Bahia).

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